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Por que a sobrevivência do Tottenham não é motivo de

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Tottenham evitou o rebaixamento com vitória por 1 a 0 sobre o Everton, mas o segundo 17º lugar consecutivo gerou protestos de torcedores; De Zerbi promete

O Tottenham Hotspur se agarrou à segurança na Premier League com uma vitória nervosa por 1 a 0 sobre o Everton no último dia da temporada, mas as comemorações que se seguiram no Tottenham Hotspur Stadium pareceram mais um velório do que uma festa. O gol decisivo de Joao Palhinha mandou o West Ham United para o rebaixamento e garantiu a sobrevivência pelo segundo ano consecutivo, mas o som dos torcedores cantando "Nós Vamos Ficar" deveria ter envergonhado todos ligados a um clube de tamanha ambição. Terminar em 17º por duas temporadas consecutivas é uma condenação acusatória da má gestão de cima a baixo.

Quando o apito final soou, uma gigante faixa foi desfraldada nas arquibancadas dizendo: "Sucesso Prometido. Entregando Fracasso. ENIC fora". O protesto contra o grupo proprietário do clube foi um lembrete claro de que o alívio temporário mal havia sido alcançado. A hierarquia do Tottenham, incluindo o diretor executivo Vinai Venkatesham e o diretor esportivo Johan Lange, esteve presente, e seus papéis certamente serão submetidos a intenso escrutínio. A presença de Vivienne Lewis, representando os proprietários do clube, e seu genro Nick Beucher sublinhou o peso da ocasião — e a necessidade de respostas.

O caminho para a ruína foi pavimentado com decisões catastróficas. O treinador Ange Postecoglou, apesar de ter entregue um troféu da Europa League que mascarou rachaduras mais profundas, foi demitido. Thomas Frank durou apenas oito meses antes de ser mostrado a porta. Seu sucessor, Igor Tudor, foi uma nomeação inadequada que presidiu cinco derrotas em sete jogos e saiu após meros 44 dias. Esse carrossel caótico deixou os Spurs encarando o abismo até que Roberto De Zerbi concordou com uma missão de resgate de emergência, chegando antes do fim da temporada com a incumbência de salvar a condição de elite do clube.

De Zerbi, um tático respeitado, reconheceu que teve que agir tanto como psicólogo quanto como treinador para levantar um elenco que se assemelhou a uma multidão desmotivada por grandes partes da campanha. O impacto do italiano foi imediato: vitórias fora de casa contra Wolverhampton Wanderers e Aston Villa, combinadas com o tenso triunfo no final da temporada, foram suficientes para arrastar os Spurs para o lado seguro. Seu alívio pós-jogo foi palpável. "Estou muito feliz, estou muito contente", disse ele. "Jogamos talvez o melhor jogo no meu tempo aqui". Mas ele também mostrou seu lado explosivo, envolvendo-se em um acalorado intercâmbio com o substituto do Everton, Seamus Coleman, e depois comemorando selvagemente com os torcedores quando Palhinha marcou o gol vital.

As lesões privaram os Spurs dos talentos criativos James Maddison e Dejan Kulusevski por períodos prolongados, mas isso não pode desculpar totalmente uma campanha tão desastrosa. O capitão Cristian Romero — se recuperando de uma lesão no joelho e amplamente esperado para ficar na Argentina para assistir seu clube de infância, Belgrano — escolheu voltar às pressas para o jogo decisivo. Seu comprometimento, embora admirável, levantou questões sobre seu futuro de longo prazo no clube. O companheiro de defesa central Micky van de Ven, outro ativo valioso, admitiu que a situação era inaceitável: "Terminar em 17º dois anos seguidos é inaceitável para nós". Se De Zerbi pode convencer ambos a ficar será crucial.

De Zerbi não perdeu tempo em olhar para frente, dizendo por volta das 19h que "às 20h ou 21h começaremos a trabalhar para a próxima temporada". Sua visão é clara: "Temos que construir um time de alto, alto, alto nível. Não temos que mudar muitos jogadores no nosso elenco, mas temos que trazer alguns jogadores de primeiro nível". Essa afirmação será testada por uma diretoria que falhou em capitalizar o vento de £74 milhões da classificação para a Champions League da temporada passada através do triunfo na Europa League. Como um clube jogando em um estádio de classe mundial com apoio apaixonado pode oscilar à beira do Championship é uma pergunta que os proprietários devem responder.

Para os torcedores, a breve euforia da sobrevivência logo dará lugar à fúria. Os cantos de "Nós Vamos Ficar" pertencem aos lutadores perenes, não a um clube que fala de sucesso. O desafio de punho cerrado de jogadores que tantas vezes falharam em render pareceu desconfortável, até mesmo indecoroso. O contexto mais amplo só adicionou sal à ferida: enquanto os Spurs lutavam pela segurança, os rivais do norte de Londres, Arsenal, erguiam o troféu da Premier League pela primeira vez em 22 anos, comemorando do outro lado da capital. A justaposição não poderia ter sido mais humilhante.

Agora, a investigação deve começar. O presidente não executivo Peter Charrington e o oficial financeiro Matthew Collecott estavam entre os que assistiam, sem dúvida já calculando como o clube se encontrou em circunstâncias tão reduzidas e como evitar uma repetição. As decisões que levaram a este ponto — más nomeações de treinadores, subinvestimento no elenco e fracasso em criar uma cultura vencedora — devem ser confrontadas. A nomeação de De Zerbi ganhou tempo, mas o clube não pode se dar ao luxo de deixar essa escapatória por pouco encobrir as rachaduras mais uma vez.

Enquanto a Tottenham High Road se esvaziava de seus torcedores aliviados, mas reflexivos, a realidade se instalou: esta temporada não foi um deslize, mas um padrão. Duas finalizações consecutivas em 17º lugar são um sinal de que algo está fundamentalmente quebrado. As orgulhosas tradições do clube e as instalações modernas não valem nada sem uma liderança competente. De Zerbi tem o carisma e a capacidade tática para liderar um renascimento, mas precisa de apoio no mercado de transferências e, crucialmente, de uma organização que aprenda com suas falhas. Caso contrário, a próxima emergência pode ser terminal.

Baseado em relatos da BBC Sport.