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Por que Andy Robertson sai do Liverpool: 'Escalou a

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Andy Robertson se despede do Liverpool após nove anos e 377 jogos, refletindo sobre a glória da Champions League e a trágica perda do companheiro Diogo Jota.

Enquanto Andy Robertson se prepara para vestir a camisa do Liverpool pela última vez no domingo, o capitão da Escócia resume o sentimento mais precioso de sua estadia de nove anos: não os troféus, mas a ascensão coletiva sob Jürgen Klopp. 'Estávamos na jornada mais incrível de todas, todos juntos', diz ele. 'Escalar aquela montanha de baixo até o topo foi a melhor sensação do mundo.' O lateral-esquerdo sai 'sem arrependimentos, sem amargura' e com profunda gratidão por uma aposta de £8 milhões do Hull City ter se transformado em um amor mútuo. 'Foi fácil se apaixonar pelo Liverpool – tenho sorte de o Liverpool ter se apaixonado por mim.'

O caminho para a imortalidade em Anfield começou com a rejeição. Aos 15 anos, o Celtic disse que ele não era bom o suficiente; um jovem Robertson tweetou famosamente sobre a vida 'sem dinheiro' após estrear pelo Queen's Park. Passagens por Dundee United e Hull se seguiram, mas sua contratação em 2017 inicialmente levantou suspeitas. Foi uma jogada individual de pressão exaustiva contra o Manchester City em janeiro de 2018 que cimentou seu pertencimento. Com o Liverpool já vencendo por 4 a 1, ele perseguiu cinco jogadores do City em uma única sequência, um momento que ele diz ter feito os torcedores pensarem 'podemos ter um lateral-esquerdo de verdade aqui'. Ele reflete: 'Esse foi o jogo em que finalmente pertenci à camisa do Liverpool. Tudo subiu diretamente a partir daí.'

Sob Klopp, Robertson se tornou uma máquina de pressão incansável e uma força criativa vinda da lateral, parte de um time que cresceu junto até se tornar dominador mundial. 'Mo Salah não foi contratado como o melhor jogador do mundo. Virgil van Dijk ainda não era o melhor zagueiro. Alisson, Trent, Hendo – estávamos todos nessa jornada', ele recorda. A intensidade era tanta que os adversários eram derrotados antes do pontapé inicial. 'Vencíamos os times no túnel. Sério. Os companheiros da seleção escocesa pensavam: hoje vamos ter que correr muito.' Esse ambiente, onde todos, dos treinadores à equipe de apoio, compravam uma visão única, produziu uma era de sucesso implacável.

A vitrine de troféus se encheu com a glória da Champions League em Madri, um primeiro título de liga em 30 anos, uma Carabao Cup e mais, mas as imagens icônicas frequentemente incluem Robertson: bagunçando o cabelo de Lionel Messi durante a virada contra o Barcelona, rugindo após um gol no clássico, ou erguendo taças. No entanto, ele insiste que o processo, não os prêmios, define seu orgulho. A parceria defensiva com Trent Alexander-Arnold levou ambos a níveis mundiais, redefinindo as exigências ofensivas da posição. Esta semana, uma mensagem de despedida de Alexander-Arnold – uma foto daquela vitória na Champions League de 2019 – quase levou Robertson às lágrimas.

Esta temporada, no entanto, foi ofuscada por uma tragédia inimaginável. O acidente de carro que matou o companheiro Diogo Jota e seu irmão na Espanha em julho passado chocou o clube. 'O futebol não importava. Não nos importávamos com futebol por semanas. Nenhum de nós queria treinar. Os fisioterapeutas não queriam te tratar', explica Robertson. O custo emocional foi imenso, e o jogo de abertura da temporada contra o Bournemouth se tornou uma ocasião profundamente comovente enquanto a família de Jota observava. Após os 20 minutos, o desempenho caiu – 'o impacto emocional que teve em todos nós.'

A campanha do Liverpool tem sido inconsistente. Novas e empolgantes contratações precisam de tempo para se adaptar, enquanto algumas estrelas consolidadas não atingiram seu auge habitual. 'Temos sido muito fáceis de enfrentar', admite Robertson. No entanto, ele mantém a fé: 'Eles têm mais do que o suficiente naquele vestiário para serem bem-sucedidos novamente.' Ele vê isso não como uma reconstrução completa, mas como uma fase de transição, longe do ponto de partida de 2017, mas exigindo paciência enquanto o elenco se consolida.

O vínculo de Robertson com a cidade reflete a criação em Glasgow que o moldou. 'Liverpool e Glasgow são cidades muito parecidas, com pessoas parecidas e coisas parecidas que são importantes para elas', diz ele. Um novo mural perto de Anfield traz a inscrição 'Nascido em Glasgow, Feito em Liverpool', um testemunho de uma conexão que transcende o futebol. Ele sai tendo feito 377 aparições, um número que ressalta sua durabilidade e consistência.

Ao se afastar, não há fome por holofotes. 'Estou feliz que um de nossos amigos egípcios possa tomar um pouco mais do centro das atenções. Eu posso simplesmente passar despercebido', ele brinca, referindo-se a Mohamed Salah. O menino que uma vez não tinha nada está saindo como uma lenda, tendo dado tudo. 'Todo mundo fica arrasado quando você sai do Liverpool', ele diz, mas a emoção predominante é o orgulho. A montanha foi escalada, e a vista do topo é inesquecível.

Baseado em reportagem do The Guardian.