Doze meses atrás, Damien Comolli entrou na sede da Juventus como o novo CEO do clube, encarregado de estabilizar um navio castigado por turbulências financeiras e inconsistência em campo. Hoje, ao completar seu primeiro aniversário, seu mandato está sob um microscópio — não por estabilizar o navio, mas por conduzi-lo perigosamente para os rochedos. Um catálogo de erros, desde nomeações fracassadas de treinadores até derrotas no mercado de transferências, levou John Elkann a exigir resultados concretos até o final de junho, ou Comolli pode acabar sendo demitido.
O primeiro erro crítico foi a gestão da situação do treinador. Após garantir uma vaga na Champions League nas horas finais da temporada anterior, a Juventus precisava de uma direção clara. Antonio Conte, o filho pródigo, rejeitou categoricamente um retorno, deixando Comolli em apuros. Em uma jogada que ainda intriga, o CEO então desfez semanas de trabalho diplomático de Giorgio Chiellini, que quase convenceu Gian Piero Gasperini a assumir. Uma breve ligação, supostamente brusca, de Comolli enviou Gasperini diretamente para os braços do projeto da Roma. Sem um nome de peso, Comolli confirmou relutantemente Igor Tudor — não por convicção, mas porque as alternativas haviam sumido. O reinado de Tudor durou apenas oito jogos, terminando após uma derrota para a Lazio, expondo a falta de planejamento.
O mercado de transferências não foi mais gentil. Comolli travou uma batalha pública para se livrar de Dusan Vlahovic, apenas para ver o atacante sérvio recusar todas as rotas de saída, determinado a sair de graça no próximo verão. Enquanto isso, o estilo abrasivo do CEO custou à Juventus a chance de reter Randal Kolo Muani; o PSG, irritado com a abordagem de Comolli, emprestou o atacante ao Tottenham. A aquisição de Loïs Openda por €43 milhões, destinada a ser a peça central, agora parece uma aposta superfaturada, enquanto a venda de Alberto Costa e a compra de João Mário levantaram sobrancelhas. Ainda mais questionável foi a decisão de contratar Edon Zhegrova, um ponta que acabara de se recuperar de uma grave lesão na virilha, cuja durabilidade física estava em dúvida.
À medida que a janela de inverno se aproximava, o treinador Luciano Spalletti fez um simples pedido: um atacante físico para liderar o ataque. Comolli correu atrás de Youssef En-Nesyri, mas a equipe do marroquino supostamente recebeu a abordagem com algo parecido com uma "framboesa" de desdém, deixando a Juventus de mãos vazias. A caçada fracassada aprofundou a ruptura entre treinador e CEO, apesar de alguns reparos através das renovações de contrato de Kenan Yıldız e Weston McKennie — dois raros pontos positivos em uma administração sombria.
A janela de transferências de verão, no entanto, deu os golpes mais cruéis. Comolli pensou ter conseguido as contratações de Alisson Becker e Andrew Robertson do Liverpool, mas ambos os acordos desabaram na décima primeira hora, deixando o elenco de Spalletti desequilibrado e o treinador furioso. A falha em estender o contrato de Vlahovic, apesar do envolvimento direto da lenda do clube Lucio, só aumentou a sensação de um projeto em desordem.
Agora, John Elkann estabeleceu um prazo duro: 29 de junho, quando o mercado de transferências abre oficialmente. Comolli deve entregar resultados imediatos — pelo menos duas vendas de jogadores para reduzir o elenco inflado e uma contratação significativa para apaziguar Spalletti. Não pode mais o CEO apontar planilhas sugerindo projeções financeiras de "ponto de equilíbrio". A ordem é ação, e o tempo está correndo.
O primeiro ano de Comolli tem sido um estudo de como um mandato promissor pode azedar rapidamente. Cada erro de julgamento — desde alienar treinadores de elite até atrapalhar transferências-chave — erodiu a confiança em todos os níveis do clube. A Juventus, historicamente impaciente com executivos de baixo desempenho, pode em breve adicionar outro nome à sua lista de diretores de curta duração. As próximas três semanas determinarão se Comolli pode salvar seu emprego ou se tornar um conto de advertência sobre arrogância e pressa.
Baseado em reportagens do Tuttosport.