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Por que Cristiano Ronaldo aos 41 anos é um fardo para a

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Cartão vermelho de Ronaldo contra a Irlanda comutado; Messi sai com sobrecarga muscular. Aos 41 e 39 anos, veteranos da Copa representam tanto risco quanto

A Copa do Mundo de 2026 no Canadá, Estados Unidos e México está se configurando como um palco para um grupo extraordinário de lendas envelhecidas. Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, e Lionel Messi, aos 39, lideram um grupo de sete jogadores que já passaram dos 40 anos – um número igual a todas as Copas anteriores combinadas. Embora sua longevidade fale dos avanços na ciência do esporte, sua influência em campo levanta questões urgentes. Para Portugal em particular, a presença de Ronaldo pode ser menos um conto de fadas e mais uma responsabilidade estratégica.

A participação de Messi foi colocada em dúvida depois que ele saiu mancando durante a vitória de 6 a 4 do Inter Miami sobre o Philadelphia Union, citando "sobrecarga muscular". Aos 39 anos, o argentino continua sendo o ponto focal de sua seleção nacional, sua capacidade para um passe que quebra defesas ou um momento de improvisação ainda incomparável. No entanto, seu corpo está enviando sinais claros de que o mais alto nível de competição pode agora estar além de seu alcance consistente. A estratégia da Argentina, muito parecida com a de 2022, provavelmente envolverá Julián Álvarez e outros se sacrificando para acomodar sua mobilidade limitada.

A situação de Ronaldo é muito mais gritante. O ícone português evoluiu de um ponta explosivo para um finalizador de área, mas até essa versão desapareceu. Agora na Liga Saudita, ele se move pesadamente, seu movimento muito restrito. Embora ainda seja decente no ar e um finalizador capaz, a potência explosiva que antes lhe permitia decidir partidas sozinho se foi. Críticos argumentam que sua contínua convocação é agora um ato de sentimentalismo em vez de senso tático.

Agravando o problema, a suspensão de Ronaldo por um cartão vermelho contra a Irlanda foi comutada bem a tempo para o torneio. A decisão, amplamente vista como um esforço da FIFA para garantir o apelo das estrelas, pode na verdade prejudicar Portugal. Prolonga o dilema que o técnico Roberto Martínez enfrenta: como integrar um jogador de 41 anos cuja imobilidade obstrui o fluxo ofensivo, especialmente quando uma geração dinâmica de criadores – incluindo Rafael Leão, Bruno Fernandes e Bernardo Silva – está em seu auge.

A história oferece poucos comparáveis. Apenas sete jogadores já apareceram em uma Copa do Mundo com 40 anos ou mais, a maioria goleiros. O retorno de Roger Milla para Camarões aos 42 anos em 1994 continua sendo a exceção, mas mesmo seu impacto foi limitado. Agora, sete jogadores acima de 40 anos em um único torneio destaca uma mudança. Parte disso é o formato expandido de 48 equipes, que permite que nações como Cabo Verde se classifiquem com o goleiro de 40 anos Vozinha. Mas também reflete uma resiliência física genuína.

A ciência do esporte merece crédito: nutrição melhorada, protocolos de recuperação e técnicas de reabilitação prolongaram carreiras. Jogadores como James Milner e Robert Lewandowski só recentemente mostraram desgaste já bem entrados nos 30. No entanto, o desgaste físico em jogadores de linha é diferente. Para jogadores de linha, a regra dos 500 jogos geralmente sinaliza declínio, e Ronaldo ultrapassou isso em muito. Estar em forma incrível para um jogador de 41 anos não equivale a ser eficaz no nível da Copa do Mundo.

O paradoxo para Portugal é doloroso. No torneio de 2022, quando Ronaldo foi sacado para a entrada de Gonçalo Ramos contra a Suíça, a equipe marcou seis gols com um novo vigor. No entanto, o estádio ainda rugiu mais alto pela aparição de Ronaldo do que pelos gols. Essa obsessão pela celebridade sobre o desempenho coletivo ameaça minar uma geração que poderia dominar. Portugal não produziu um centroavante de classe mundial desde Eusébio, mas isso não justifica persistir com uma figura que agora age como um "albatroz", como descreveu Jonathan Wilson.

Messi, por outro lado, ainda oferece magia suficiente para justificar o compromisso. Sua transformação tardia em um meia recuado significa que ele pode influenciar jogos sem pressionar constantemente. Mas mesmo para ele, a dependência de outros para cobrir defensivamente é um risco. O incidente de sobrecarga muscular é um sinal de alerta: aos 39 anos, seu corpo pode não suportar o cronograma comprimido de uma Copa do Mundo.

A narrativa mais ampla se estende além desses dois. Luka Modric, aos 40 anos, continua essencial para a Croácia não por nostalgia, mas porque ainda é seu melhor meio-campista. Edin Dzeko, também com 40 anos, cumpre um papel similar para a Bósnia. Suas convocações são baseadas no mérito. A de Ronaldo, no entanto, parece impulsionada pela comercialização e uma cultura que prioriza estrelas individuais sobre a dinâmica da equipe. A comutação de sua suspensão só reforça a suspeita de que a FIFA valoriza mais sua presença do que a integridade competitiva.

Os talentos criativos de Portugal – Leão, Fernandes, Silva e até João Félix – merecem uma plataforma livre da sombra de uma lenda que já não pode carregar seu próprio peso. A ironia é que a suspensão de Ronaldo sendo anulada, pensada como um presente, pode em vez disso sufocar a equipe. Se Martínez não tiver a coragem de relegá-lo a um papel de super-reserva, Portugal pode desperdiçar uma oportunidade de ouro. A Copa do Mundo muitas vezes foi cruel com aqueles que ficam além da conta.

Em última análise, esta Copa do Mundo testará não apenas os limites físicos de seus jogadores mais velhos, mas a sabedoria das equipes que os convocam. Embora a condição física incrível de Ronaldo seja um testemunho de seu profissionalismo, o jogo evoluiu. Pressão, espaçamento e movimento constante são inegociáveis no nível de elite. Um atacante de 41 anos que não consegue pressionar é um luxo que os sistemas modernos não podem pagar, não importa quantos gols ele já tenha marcado.

Quando o torneio começar, o mundo observará para ver se esses veteranos desafiam o tempo ou confirmam seu desgaste. Para a Argentina, Messi pode ainda conjurar um último ato de genialidade. Para Portugal, a esperança é que a presença de Ronaldo não se torne a maldição que muitos temem. As próximas semanas revelarão se a lealdade ou o pragmatismo prevalecem. Baseado em reportagens do The Guardian.