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Por que Danso se recusa a ser definido por abuso racista

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Kevin Danso, do Tottenham, fala após abuso racista depois do empate com Brighton e diz que não deixará que isso o defina. Premier League condena.

Kevin Danso declarou que não deixará que o abuso racista o defina, depois que o defensor do Tottenham Hotspur foi alvo nas redes sociais após um empate por 2 a 2 com o Brighton em 18 de abril. O internacional austríaco, que se juntou ao Spurs por empréstimo em fevereiro de 2025 antes de tornar a mudança permanente em maio, falou com a ITV News sobre o incidente, enfatizando que o abuso não afetará seu desempenho ou autoestima.

Danso revelou que já havia sofrido racismo enquanto jogava na Alemanha, mas optou por não denunciar. Desta vez, porém, sentiu-se compelido a falar. “Da última vez que experimentei, era muito jovem e não contei a ninguém”, disse. “Sinto que desta vez era importante dizer algo, apenas abordar e garantir que as pessoas saibam que eu vi. Isso não vai me fazer jogar de forma diferente e definitivamente não há necessidade disso e, basicamente, vocês estão perdendo seu tempo.”

O incidente ocorreu durante a campanha No Room For Racism da Premier League, que visa promover a diversidade e combater a discriminação no futebol. O Tottenham condenou o “vil racismo desumanizante” direcionado a Danso e denunciou o abuso à polícia. A Premier League emitiu uma declaração dizendo que o abuso discriminatório “não tem lugar no futebol ou na sociedade em geral” e que “qualquer pessoa que escolha abusar dos outros não é bem-vinda em nosso jogo.”

Danso, que surgiu no sistema juvenil do Reading antes de se mudar para Augsburg e depois para o Lens, enfrentou racismo desde sua infância na Áustria. “Cresci na Áustria, enfrentando racismo bastante, estando em um país predominantemente branco”, acrescentou. “Mas novamente, acho que aprendi a lidar com isso de alguma forma. Simplesmente não me define e não pertence ao mundo do futebol.”

O abuso a Danso faz parte de um padrão preocupante no futebol inglês. No início de maio, a Polícia de Merseyside prendeu um torcedor do Everton por suposto abuso racista contra Antoine Semenyo, do Bournemouth, durante uma partida contra o Manchester City. Isso se seguiu a uma prisão e acusação anteriores de um homem de 47 anos por abuso semelhante direcionado a Semenyo no início da temporada. Em fevereiro, quatro jogadores foram alvos em um único fim de semana: Lutsharel Geertruida, do Sunderland, Hannibal Mejbri, do Burnley, Wesley Fofana, do Chelsea, e Tolu Arokodare, do Wolves. A Unidade de Policiamento do Futebol do Reino Unido investigou esses casos.

Para Danso, o apoio de seu clube e da comunidade do futebol tem sido crucial. Ele reconheceu que tenta não deixar que o abuso afete sua mentalidade. “Tento não deixar que isso tenha tanto efeito sobre mim e sobre como me sigo em relação a mim mesmo e ao meu desempenho, para continuar jogando em um nível muito alto”, disse. Sua resposta foi amplamente elogiada, com muitos destacando sua resiliência diante do ódio.

O incidente também destaca os desafios contínuos para erradicar o racismo do futebol. Apesar de campanhas e medidas disciplinares, as redes sociais continuam sendo uma plataforma para agressores. A Premier League pediu mais ação das autoridades e das empresas de mídia social, enfatizando que “mais precisa ser feito para lidar com essa questão.”

A postura de Danso é um lembrete poderoso de que os jogadores não são definidos pelo abuso que recebem. Ao falar, ele transformou uma experiência dolorosa em um chamado para mudança. “Isso simplesmente não me define”, reiterou. “Não pertence ao mundo do futebol.”

Com base em reportagens da BBC Sport.