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Por que Foden e Palmer perderam a Copa: PFA culpa o

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PFA culpa 'calendário louco' por sobrecarregar Foden e Palmer, causando ausência na Copa; jogadores da Premier League têm mais partidas.

A Associação de Jogadores Profissionais (PFA) emitiu um alerta severo sobre os efeitos da congestão de jogos, ligando diretamente as ausências de Phil Foden e Cole Palmer da Copa do Mundo deste verão às exigências implacáveis do calendário do futebol moderno. O diretor executivo da PFA, Maheta Molango, argumentou que o sistema está prejudicando até mesmo os talentos de elite, com níveis de desempenho caindo à medida que a fadiga se acumula.

“Há menos de dois anos, Phil Foden foi eleito por seus pares como o melhor jogador da liga”, disse Molango. “Desde então, sua disponibilidade caiu e, quando esteve disponível, não tem sido a mesma versão. É apenas coincidência? Achamos que não.” O atacante do Manchester City jogou verões consecutivos com a campanha da Eurocopa 2024 da Inglaterra e o Mundial de Clubes do ano passado, deixando tempo de recuperação insuficiente e expondo-o ao tipo de sobrecarga sustentada que a Fifpro chama de ‘fadiga cumulativa’.

Molango descreveu Foden como “uma das vítimas desse calendário louco que só faz sentido para quem busca ganho comercial”. O estresse se manifestou em ausências em partidas importantes devido a problemas físicos, tirando-o do grande evento mundial. Palmer, de forma semelhante, passou três verões consecutivos sem um descanso adequado, representando a Inglaterra na Euro, o Chelsea no Mundial de Clubes e a seleção sub-21 da Inglaterra no Europeu de 2023. Esse ciclo ininterrupto, sugeriu Molango, é simplesmente insustentável.

“É muito triste que tenhamos visto apenas um vislumbre de Cole Palmer este ano”, acrescentou Molango. “Ele tem sido um daqueles caras que passaram três verões consecutivos sem descanso.” A PFA teme que o padrão de sobrecarga esteja corroendo sistematicamente as estrelas mais comercializáveis do futebol, deixando os torcedores frustrados pela ausência de personagens que definem o apelo do esporte.

Novos dados do sindicato internacional Fifpro reforçam a crise. Martín Zubimendi, do Arsenal, lidera todos os jogadores em partidas por clube e seleção nesta temporada, com 67. Surpreendentemente, sete dos dez primeiros na tabela de partidas pertencem a clubes da Premier League, incluindo Declan Rice, Virgil van Dijk, Morgan Rogers e Dominik Szoboszlai, cada um com 65 jogos. Sandro Tonali e Cody Gakpo têm 64. Apenas três times não-ingleses aparecem nesse top dez, todos do Club Brugge, destacando como a intensidade da Premier League amplifica o problema da carga de trabalho.

Essa concentração de carga de trabalho entre times ingleses revela um desequilíbrio estrutural, com a liga mais rica impondo demandas extremas aos seus participantes. Molango alertou que a produção sustentada desse tipo por dois a três anos leva inevitavelmente ao declínio, “em detrimento do espetáculo e daqueles que deveriam ser o patrimônio do futebol”. Ele pediu proteção para talentos geracionais como Foden, Palmer, Lamine Yamal e Rodri, chamando-os de “o 1% que nos faz sonhar”, e insistiu que é “uma situação muito, muito triste” quando um jogador do calibre de Foden não está em campo.

O sindicato está intensificando sua pressão por um assento formal no Conselho da Associação de Futebol (FA), argumentando que os jogadores devem ter voz direta nas decisões que afetam seu bem-estar. A medida reflete a recente nomeação da Fifpro ao comitê executivo da Uefa, onde seu presidente David Terrier participou de sua primeira reunião em Istambul na semana passada. Atualmente, a PFA não tem essa influência institucional na Inglaterra, deixando os interesses dos jogadores potencialmente sub-representados quando decisões importantes sobre calendário e competições são tomadas.

A batalha pelo calendário está prestes a se intensificar. O memorando de entendimento entre Fifa, confederações, ligas e Fifpro expira em 2030, com negociações para um novo acordo começando no próximo ano. O plano relatado da Fifa de expandir o Mundial de Clubes para 48 times a partir de 2029 e a realização da Copa de 2034 na Arábia Saudita durante o inverno europeu esticarão ainda mais os jogadores, interrompendo duas temporadas domésticas e exacerbando o mesmo esgotamento que Molango descreve.

Os comentários de Molango colocam o bem-estar dos jogadores no centro da luta pela governança do futebol. À medida que investimentos apoiados por estados do Oriente Médio remodelam o esporte, a PFA quer garantir que o sindicato dos jogadores não seja deixado de lado quando decisões importantes são tomadas. O lobby do sindicato por um assento no Conselho da FA é uma tentativa direta de institucionalizar essa voz, ecoando o progresso incremental visto na Uefa. Sem isso, o temor é que os imperativos comerciais continuem a sobrepor-se à saúde dos atletas.

A ausência de Foden e Palmer da Copa do Mundo serve como um alerta tangível. Sem intervenção, diz o sindicato, mais jogadores de elite se quebrarão, diminuindo a qualidade dos eventos mais assistidos do esporte e corroendo o legado de jogadores que deveriam ser celebrados por uma geração. Para Molango, a lição é clara: proteger o 1% que faz os torcedores sonharem, ou arriscar perdê-los para um calendário que nunca descansa. Baseado em reportagem do The Guardian.