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Por que Iraola deixou o Bournemouth: a Liga Europa de 57

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O 57º lugar do Bournemouth na Premier League garantiu a Liga Europa sob o comando de Iraola, seu último ato antes da saída. Marco Rose o sucede após

A passagem de Andoni Iraola pelo Bournemouth terminou de forma apropriada, com os Cherries garantindo uma vaga na Liga Europa com um empate por 1 a 1 contra o Nottingham Forest na última rodada. O resultado estendeu sua invencibilidade recorde do clube para 18 jogos na Premier League e coroou uma temporada em que quebraram seu próprio recorde de pontos com 57, terminando em sexto. Foi a culminação de um projeto de três anos que transformou o clube da costa sul de candidato ao rebaixamento em um concorrente europeu.

Iraola chegou em junho de 2023 após impressionar com o Rayo Vallecano na Espanha, com a tarefa de implementar um estilo de pressão alta e proativo. Os primeiros meses foram difíceis — apenas três vitórias em seus primeiros 14 jogos, incluindo pesadas derrotas para Arsenal e Manchester City. Foi necessário paciência enquanto os jogadores se adaptavam às intensas demandas. O ex-atacante Dominic Solanke admitiu que o elenco levou tempo para absorver as instruções táticas, mas eventualmente os gatilhos de pressão se tornaram naturais.

A temporada 2023-24 havia rendido um 15º lugar, uma base sólida. Esta campanha, no entanto, foi uma montanha-russa. Um inverno rigoroso viu o Bournemouth vencer apenas uma vez em 11 jogos de novembro a janeiro, caindo para 15º e a sete pontos do G6. Uma derrota no Ano Novo para o Arsenal parecia um ponto baixo, mas acabou sendo um catalisador. Uma impressionante vitória por 3 a 2 sobre o Tottenham desencadeou uma ressurgência extraordinária, e os Cherries nunca mais olharam para trás, embarcando em uma sequência invicta recorde do clube de 17 partidas na elite, que se estendeu para 18 com o empate final. Nessa sequência, evitaram a derrota contra todos os adversários na segunda metade da temporada, igualando um recorde da Premier League com seu 18º empate.

A identidade tática que Iraola forjou foi implacável. Seu Rayo havia forçado mais recuperações altas que resultaram em chutes do que qualquer equipe nas cinco principais ligas europeias, exceto o Bayern de Munique, e ele conseguiu transplantar esse DNA para o Bournemouth. No final, eram um pesadelo para enfrentar — agressivos, verticais e destemidos. Os números contam a história: nenhuma derrota em 2025, resiliência defensiva mesmo após perder jogadores-chave e um ímpeto ofensivo que os tornava imperdíveis.

No entanto, o pano de fundo da temporada foi uma significativa rotatividade de jogadores. O sucesso do Bournemouth atraiu predadores. Dean Huijsen foi para o Real Madrid, Milos Kerkez foi para o Liverpool, Illia Zabarnyi se transferiu para o Paris Saint-Germain, Dango Ouattara assinou com o Brentford, e o Manchester City acionou a cláusula de rescisão de £65 milhões de Antoine Semenyo em janeiro. No total, as saídas geraram cerca de £250 milhões. O clube reinvestiu agressivamente, trazendo Adrien Truffert, Djordje Petrovic e Bafode Diakite por um recorde do clube de £34 milhões no verão, seguidas pelas adições de inverno do atacante Rayan, do defensor Alex Jimenez e do meio-campista Alex Toth. Essa agitação nas transferências poderia ter descarrilado times menores, mas Iraola manteve o elenco competitivo, um testemunho de sua liderança e da estratégia de contratações do clube.

A ambição do proprietário ficou clara desde o primeiro dia. "Eu sabia que era quase impossível chegar à Europa, mas o dono me disse desde o início: 'Eu quero a Europa'", revelou Iraola. "Terminar as três temporadas retribuindo, não apenas ao proprietário, mas aos torcedores e jogadores, é uma forma de agradecê-los". Essa visão, antes um sonho improvável, tornou-se realidade quando o apito final soou no City Ground. Até os torcedores da casa aplaudiram Iraola, reconhecendo um trabalho de gestão bem-feito.

Emocionalmente exausto, mas realizado, Iraola refletiu sobre a jornada. "Eu aproveitei muito isso e não é fácil. Quando você vai trabalhar com um sorriso, mesmo em momentos em que os resultados talvez não são tão bons, é mais um desafio", disse ele. "Sou bastante duro, mas estive muito perto [das lágrimas]. Não posso pedir muito mais. Tive muita sorte de estar neste momento com este grupo de jogadores, com este clube. Acho que é o final perfeito e sou muito grato". Seu contrato não foi renovado, uma decisão anunciada em abril, com o clube incapaz de chegar a um acordo, apesar de querer mantê-lo. O espanhol de 43 anos deixa o Bournemouth com sua reputação mais alta do que nunca.

Substituindo-o está Marco Rose, ex-técnico do RB Leipzig, que assume o cargo no Vitality Stadium. Rose herda um elenco repleto de talento e uma cultura de superação. O desafio será imenso: equilibrar a primeira campanha europeia — a fase de grupos da Liga Europa garante seis partidas adicionais no meio de semana antes do Natal — com a manutenção da estabilidade na Premier League. A ascensão dos Cherries da League Two para a Liga Europa em 15 anos é um conto de fadas moderno, mas a próxima temporada testará sua profundidade e resiliência como nunca antes.

O projeto do Bournemouth sob Iraola foi caracterizado por contratações inteligentes baseadas em dados e uma filosofia tática clara. O novo técnico precisará continuar essa evolução enquanto gerencia a possível saída de mais jogadores estrela. A entrada de £250 milhões deve suavizar o golpe, mas o clube deve evitar o destino de outros que tiveram dificuldades em lidar com as demandas do futebol europeu — pense em Burnley, Wigan, ou mesmo Leicester após sua aventura na Champions League. Por enquanto, porém, o foco está na celebração. "O champanhe está no vestiário, estávamos celebrando como deveríamos", sorriu Iraola, marcando a maior conquista do clube.

Os 57 pontos do Bournemouth superam o recorde anterior de 52 estabelecido na temporada passada, e a invencibilidade de 18 jogos quebra a antiga marca. É um testemunho da crença que Iraola incutiu. Quando ele começou, eles eram um time definido por uma derrota por 9 a 0 — agora são definidos por uma sequência recorde. As bases estão lançadas: um estilo moderno, uma estrutura salarial competitiva e uma torcida sonhando com noites contra o continente. O hino da Liga Europa soará na costa sul pela primeira vez.

A passagem de Iraola será lembrada como a era que redefiniu o Bournemouth. De questionar a sabedoria de substituir um técnico estável como Gary O'Neil a se tornar um dos táticos mais admirados da liga, sua jornada espelhou a própria ascensão do clube. Ele parte tendo escrito um novo capítulo, que transformou um azarão corajoso em uma legítima força europeia. O bastão passa para Rose, mas a marca espanhola permanece.

Baseado em reportagens da BBC Sport.