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Por que Mateu Lahoz diz que Barcelona-Espanyol foi seu pior

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Mateu Lahoz revela seu ponto mais baixo como árbitro, chamando o dérbi Barcelona-Espanyol de 2022 de seu pior jogo, após críticas da Copa do Mundo levarem a

Antonio Mateu Lahoz, um dos árbitros mais reconhecíveis e debatidos da história do futebol espanhol, nunca se esquivou dos holofotes. Agora, em uma aparição franca no podcast 'Vaya Vaina', o ex-árbitro levantou o véu sobre os capítulos mais dolorosos de sua carreira, revelando como a pressão de arbitrar no mais alto nível cobrou um preço pessoal severo. Suas reflexões oferecem um raro vislumbre das batalhas psicológicas enfrentadas por aqueles que fazem cumprir as leis do jogo.

A conversa inevitavelmente se voltou para as quartas de final da Copa do Mundo FIFA 2022 entre Argentina e Holanda, uma partida que se tornou infame por seu caos. Lahoz mostrou 17 cartões amarelos e um vermelho, um recorde do torneio que atraiu duras críticas de jogadores e comentaristas. Para Lahoz, o golpe mais doloroso veio de Lionel Messi, que declarou publicamente que a FIFA "não pode colocar um árbitro como esse nesta instância". Lahoz, agora com 49 anos, admitiu que as palavras doeram. "Se ele tivesse me dito antes, eu teria margem para melhorar, mas naquele momento, já não a tinha", explicou, ressaltando a natureza irreversível das decisões durante o jogo.

As consequências daquela designação na Copa perseguiram Lahoz imediatamente. Apenas algumas semanas depois, em dezembro de 2022, ele foi nomeado para apitar o acirrado dérbi catalão entre Barcelona e Espanyol. Ainda cambaleando sob o escrutínio global, Lahoz entrou no gramado do Camp Nou em um estado mental frágil. O que se seguiu, segundo ele, foi o ponto mais baixo de sua vida profissional. "Foi o pior jogo da minha vida", declarou Lahoz sem hesitação. Os jogadores, cientes de sua história recente, aproveitaram a oportunidade para atacá-lo pessoalmente em vez de se concentrarem no jogo.

De acordo com Lahoz, vários jogadores do Espanyol e do Barcelona cruzaram uma linha ao zombar de sua atuação na Copa. "Que Copa você teve", eles caçoaram, um comentário que doeu mais do que qualquer insulto sobre uma decisão específica. "Eles começaram a me tratar mal, tornando-se pessoais", lembrou. A saraivada de insultos o deixou se sentindo isolado e indefeso, um forte contraste com seu comportamento usualmente confiante. A partida, que terminou empatada em 1 a 1, solidificou sua reputação como um árbitro que prosperava no caos, mas internamente marcou um ponto de ruptura.

Lahoz sempre manteve que nunca levava o futebol para o lado pessoal, mas a experiência do dérbi o forçou a confrontar o custo humano de sua profissão. As provocações não eram apenas sobre seus erros; pareciam um esforço coordenado para minar sua autoridade. No podcast, ele enfatizou que tais momentos podem marcar profundamente um árbitro, mas raramente aparecem nas manchetes. Sua história lança luz sobre por que muitos árbitros lutam com a saúde mental, um tópico frequentemente negligenciado no calor da competição.

Sua carreira foi repleta de episódios igualmente polêmicos. Ele lembrou de uma partida de LaLiga de 2010 entre Athletic Bilbao e Barcelona, onde a reação exagerada de Andrés Iniesta a uma entrada de Fernando Amorebieta levou à expulsão do defensor. Torcedores do Athletic ainda culpam Lahoz por ter sido influenciado pelas teatralidades de Iniesta, uma decisão que acendeu debates sobre simulação e manipulação de árbitros. Para Lahoz, foi outro exemplo de como decisões de fração de segundo podem definir um legado.

Depois de apitar seu último jogo da Primeira Divisão em 4 de junho de 2023 — um confronto Mallorca-Rayo Vallecano —, Lahoz se aposentou aos 46 anos. Ele deixou para trás uma carreira marcada por controvérsias, mas também por uma habilidade única de se envolver com a mídia e os fãs. Após a aposentadoria, ele fez uma transição suave para o jornalismo, trabalhando como analista da Movistar+ e contribuindo para a rádio COPE e várias colunas de imprensa. Suas opiniões continuam gerando debate, provando que, mesmo aposentado, Lahoz permanece uma figura central no discurso do futebol espanhol.

Enquanto Lahoz reflete sobre seu passado, a arbitragem espanhola está passando por sua própria evolução. Em uma medida inovadora, o Comitê Técnico de Árbitros (CTA) designou um árbitro basco para supervisionar a partida da LaLiga Hypermotion (Segunda Divisão) entre Sanse e Cultural Leonesa. Essa decisão é saudada como histórica, pois desafia convenções arraigadas sobre neutralidade regional. Historicamente, árbitros da mesma comunidade autônoma de um dos clubes — o Sanse é do País Basco — eram frequentemente excluídos para evitar até mesmo a aparência de parcialidade.

A nomeação sinaliza uma mudança em direção a maior meritocracia e confiança na imparcialidade dos árbitros. O Sanse, lutando pela sobrevivência na segunda divisão, receberá a Cultural Leonesa em uma partida onde a origem do árbitro poderia ter sido um tema de discussão, mas a ousadia do CTA silencia tais preocupações. Reflete uma abordagem modernizadora, reconhecendo que o profissionalismo deve superar as lealdades geográficas. Para a liga, isso pode estabelecer um precedente, incentivando nomeações mais neutras baseadas apenas na capacidade.

A justaposição das revelações emocionais de Lahoz e a decisão progressista do CTA pinta um quadro complexo da arbitragem espanhola. Por um lado, o custo humano é inegável; por outro, as reformas institucionais estão lentamente remodelando como os árbitros são percebidos e designados. As experiências de Lahoz servem como um conto de advertência, enquanto a ação do CTA oferece esperança para um futuro mais transparente. Ambas as histórias, relatadas inicialmente pela Marca, destacam a intrincada dança entre luta pessoal e mudança sistêmica no belo jogo.

A franqueza de Lahoz ressoou com muitos na comunidade do futebol, gerando conversas sobre a necessidade de melhor apoio psicológico para os árbitros. Sua admissão de que não estava em um "bom momento psicológico" durante o dérbi sublinha a imensa pressão que vem com o trabalho, especialmente quando as críticas públicas são amplificadas pelas redes sociais. Essa crescente conscientização pode levar a mudanças tangíveis em como os árbitros são preparados e protegidos.

Em última análise, as narrativas que colidem no relatório da Marca — dos traumas passados de Lahoz à nomeação prospectiva do CTA — nos lembram que os árbitros do futebol são tanto indivíduos vulneráveis quanto pilares-chave do esporte. À medida que o jogo evolui, também devem evoluir as estruturas que apoiam aqueles que defendem sua integridade. Baseado em informações da Marca.