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Por que Mosquera não foi expulso contra o PSG: Árbitro diz

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O ex-árbitro Saïd Ennjimi explica por que Cristhian Mosquera não foi expulso na final da UCL: ele jogou a bola, com outras duas decisões importantes detalhadas.

A final da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Arsenal será dissecada por anos, não apenas pelo futebol em exibição, mas pelas decisões de arbitragem que inclinaram a partida. Daniel Siebert, o oficial alemão encarregado do maior jogo do futebol de clubes, se viu no centro de uma tormenta após três incidentes controversos. Saïd Ennjimi, o ex-árbitro da FIFA e analista do L’Equipe, detalhou cada decisão com precisão, oferecendo clareza sobre o que poderia ter sido uma noite caótica para os árbitros.

O primeiro grande ponto de discussão surgiu aos 16 minutos. De um escanteio do PSG, Bukayo Saka do Arsenal, posicionado no fundo de sua própria área, viu a bola bater em sua mão duas vezes em rápida sucessão. O estádio explodiu em apelos, mas Siebert mandou seguir. Em velocidade normal, parecia uma infração clara, mas Ennjimi ficou do lado do árbitro. “Não é necessariamente pênalti quando um jogador toca a bola com a mão na área”, explicou. “O fundamental é se a mão inicia uma jogada de ataque. Neste caso, Saka estava simplesmente tentando afastar o perigo; seu braço estava em posição natural e ele não impediu uma oportunidade de gol. Não havia razão lógica para marcar a penalidade”. O ex-oficial comparou o incidente com o similar de João Neves na semifinal contra o Bayern de Munique, enfatizando a consistência ao longo da competição.

O drama se intensificou aos 62 minutos. O defensor do Arsenal Cristhian Mosquera, já com um cartão amarelo, partiu para uma entrada sobre o elétrico ponta do PSG Khvitcha Kvaratskhelia dentro da área. Era um pênalti claro, e Siebert apitou imediatamente. No entanto, para espanto do banco do PSG e de sua torcida global, Mosquera escapou de um segundo cartão amarelo. O zagueiro espanhol cometeu uma falta que parecia negar uma oportunidade clara de gol – uma infração passível de cartão por definição – mas permaneceu em campo. Ennjimi enfrentou a fúria de frente: “Mosquera estava jogando a bola. Quando um defensor faz uma tentativa genuína de disputar a bola, e o contato é mais um encontro do que uma falta cínica, o árbitro pode julgar como uma ação futebolística em vez de conduta antidesportiva. Ele não o segurou nem o derrubou sem chance de ganhar a bola; ele jogou a bola, ainda que por trás. É por isso que o cartão amarelo não foi mostrado”, argumentou.

A ausência de uma segunda advertência se mostrou crucial. Se Mosquera tivesse sido expulso, o Arsenal teria enfrentado mais de 25 minutos mais a prorrogação com dez homens contra um PSG repleto de talento ofensivo. Em vez disso, eles se reorganizaram e, apesar de concederem o pênalti, preservaram sua estrutura. Kvaratskhelia do PSG, que vinha atormentando a defesa do Arsenal, sem dúvida teria explorado a vantagem numérica. A decisão de não emitir um cartão vermelho manteve vivas as esperanças do Arsenal e, muitos argumentam, alterou a trajetória do jogo.

Um terceiro momento controverso chegou na prorrogação. O lateral do PSG Nuno Mendes pareceu cometer falta em Noni Madueke na área, mas novamente nenhum pênalti foi marcado. Embora Ennjimi tenha dedicado menos tempo a isso, ele observou que a revisão do VAR considerou o contato insuficiente para uma penalidade. Isso coroou uma noite de frustração para qualquer um que buscasse uma aplicação preto no branco das leis.

As consequências da atuação de Siebert reacenderam o debate perene sobre a arbitragem de alto nível. No entanto, o testemunho especializado de Ennjimi nos lembra que as Regras do Jogo não são robóticas. Contexto, intenção e proximidade importam. A mão de Saka não foi um ato deliberado; a entrada de Mosquera, embora imprudente, foi uma jogada genuína pela bola; o contato de Mendes foi considerado mínimo. Cada decisão exigiu uma avaliação em frações de segundo de múltiplos critérios, e a análise de Ennjimi sugere que o árbitro acertou nas decisões-chave.

Para o Arsenal, os benefícios foram tangíveis. A sobrevivência de Mosquera permitiu que o time de Mikel Arteta concluísse a partida sem uma reorganização. Para o PSG, o sentimento de injustiça perdurará, especialmente dadas as circunstâncias. Kvaratskhelia expressou sua descrença na época, mas espera-se que o relatório pós-jogo da UEFA apoie os árbitros. O incidente já se tornou um estudo de caso para seminários de arbitragem, com as percepções de Ennjimi fornecendo material inestimável.

A final da Liga dos Campeões, como muitas anteriores, proporcionou alto drama. Mas a narrativa sempre voltará a esses momentos. Eles servem como um lembrete contundente de que, mesmo com o VAR e os melhores árbitros do mundo, o elemento humano permanece belo e brutal. No final, a conclusão de Ennjimi é simples: o futebol é um esporte de contato, e nem toda falta é expulsão. Enquanto os legisladores do esporte continuam ajustando as regulamentações de mão e falta, esta final permanecerá como um referencial de complexidade.

Com base em reportagens do L'Equipe.