Xxgwise
PremiumEntrar
Notícias

Por que o Arsenal 2025-26 pode superar os Invencíveis

Liga dos Campeões da AFC EliteParis Saint Germain vs ArsenalArsenalParis Saint-GermainCaenParaguaiLesothoFSV Mainz 05Partizan de BelgradoPartizaniAtlético de MadridLegia de VarsóviaBarcelonaInglaterraAnderlechtCanadá

A candidatura do Arsenal à Premier League e à final da Champions League evoca os Invencíveis de 2004, mas o ex-zagueiro Gaël Clichy diz que o time de Arteta

O momento foi instantaneamente compartilhado em todo o mundo do futebol. No dia 5 de maio, momentos depois de o Arsenal vencer o Atlético de Madrid por 1 a 0 na semifinal da Champions League, garantindo a vaga para sua primeira final em duas décadas com um agregado de 1 a 1, Thierry Henry pegou o microfone na CBS. O icônico atacante Invencível chamou o atual talismã Bukayo Saka:

"Nós falhamos em vencer a Champions League, mas espero que você vença. Vocês seriam os 'Inesquecíveis', assim como nós fomos os 'Invencíveis'."

Essa observação simples, mas poderosa, gerou um debate que agora ecoa em cada canto do Emirates. Com o título da Premier League já garantido, o Arsenal de Mikel Arteta está à beira de uma dobradinha histórica — um feito nunca alcançado nos 138 anos de história do clube. As comparações com o lendário time de Arsène Wenger de 2003-04, que passou toda uma temporada de liga invicto, são inevitáveis. Mas as próprias palavras de Henry revelam a diferença chave: aquele time Invencível, com toda a sua perfeição doméstica, nunca conquistou a Europa. A derrota na final de 2006 para o Barcelona ainda dói. Esta nova geração pode finalmente curar essa ferida.

O caminho para Munique começou com um confronto angustiante contra o Atlético de Diego Simeone. O Arsenal perdeu por 1 a 0 em Madri, mas reverteu o déficit em casa com uma atuação controlada; o único gol veio de uma jogada ensaiada que exemplifica a abordagem meticulosa de Arteta. Quando o apito final soou, o rugido que encheu o norte de Londres foi uma mistura de alívio e ambição estrondosa. Para um clube que não provava uma semifinal desde 2009, isso foi um avanço geracional.

No entanto, nem todos veem um reflexo de 2004. Gaël Clichy, campeão com os Invencíveis que agora comanda o SM Caen, não compra a analogia. "Embora este time seja muito forte coletiva e defensivamente, ele proporciona menos emoções", disse ao L'Equipe. "Você não tem mais um Thierry Henry capaz de driblar seis ou sete jogadores antes de marcar. Em 2004, a bola podia estar em qualquer lugar do campo e algo acontecia — Patrick Vieira, Robert Pirès, Fredrik Ljungberg, Dennis Bergkamp eram todos capazes de magia."

A avaliação de Clichy aborda uma mudança fundamental na filosofia do futebol. Os Invencíveis eram uma expressão da arte fluida de Wenger, um time que combinava o aço britânico com o talento continental. A iteração de Arteta 2025-26, por outro lado, é construída sobre disciplina estrutural, gatilhos de pressão e solidez defensiva. Bukayo Saka e Gabriel Jesus fornecem momentos de brilho individual, mas o sistema é a estrela. É um time que desgasta os adversários em vez de desmantelá-los com balé.

As estatísticas corroboram a visão de Clichy. O título da liga do Arsenal veio com menos gols sofridos do que qualquer outro time, enquanto suas métricas de criatividade em jogo aberto ficaram atrás de seus rivais. No entanto, a eficácia é inegável: eles perderam apenas duas vezes em toda a temporada e carregam uma aura de inevitabilidade para cada partida. Essa implacabilidade já rendeu a Arteta um título de liga aos 43 anos — tornando-o o técnico mais jovem a conquistá-lo desde José Mourinho em 2015.

A história, no entanto, é escrita pelos vencedores. Se o Arsenal levantar a Copa da Europa no sábado à noite contra o Paris Saint-Germain, a conversa mudará. "Se eles conquistarem a dobradinha, serão o maior time da história do clube", sugeriu o próprio Henry. Nenhum time do Arsenal jamais conciliou o domínio duplo na Inglaterra e na Europa. O recorde invicto de 38 jogos de liga dos Invencíveis permanece único, mas uma dobradinha Premier League e Champions League representaria um legado mais completo — especialmente em uma era de maior competição financeira.

O confronto com o PSG coloca Arteta contra seu antigo companheiro de La Masia, Luis Enrique. Os parisienses passaram por um caminho de eliminação favorável, mas enfrentam um Arsenal que eliminou o Atlético sem sofrer um gol em 180 minutos. O xadrez tático testará a forma defensiva do Arsenal contra a velocidade de Kylian Mbappé, mas os homens de Arteta já provaram que podem absorver pressão e atacar com eficácia. A memória de 2006 — quando o Arsenal com 10 homens liderava antes de gols tardios do Barcelona quebrarem seus corações — alimentará sua determinação.

Para jogadores como Saka, a partida é uma chance de cimentar a grandeza pessoal. O ponta de 24 anos cresceu de promessa da base ao jogador mais consistente da Inglaterra, e uma medalha da Champions League o lançaria nas conversas da Bola de Ouro. O capitão Martin Ødegaard, tão frequentemente o metrônomo, precisará ditar o ritmo contra um meio-campo do PSG que pode ser explosivo e errático. Cada duelo, de William Saliba contra Mbappé a Declan Rice contra Warren Zaïre-Emery, inclinará a balança.

As implicações mais amplas vão além do norte de Londres. Uma vitória do Arsenal reescreveria a narrativa da elite moderna do futebol inglês, provando que um projeto construído sobre juventude, identidade de treinador e paciência pode derrubar superclubes financiados por estados. Também validaria os métodos obcecados por detalhes e muitas vezes criticados de Arteta, que transformaram um time que era oitavo em dezembro de 2020 em finalistas continentais em apenas cinco anos.

Seja qual for o resultado, o debate entre arte e eficácia continuará. Os Invencíveis foram um time único, uma impossibilidade poética que nenhum replicador pode alcançar. Mas este Arsenal, com seu diferente tipo de beleza, pode conseguir algo ainda mais ressonante. O desafio de Henry agora paira sobre Munique: os Inesquecíveis aguardam sua coroação. Baseado em reportagens do L'Equipe.