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Por que o Arsenal deve evoluir: a decisão de Arteta sobre o

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Após perder a final da Champions League nos pênaltis, o Arsenal enfrenta uma encruzilhada tática enquanto Mikel Arteta insinua emular o PSG e busca reforços

A derrota do Arsenal na final da Champions League nos pênaltis contra o Paris Saint-Germain, em Budapeste, desencadeou um acerto de contas tático imediato para Mikel Arteta. Apenas dias depois de celebrar o primeiro título da Premier League em 22 anos, os Gunners foram confrontados com as claras limitações de sua abordagem pragmática quando enfrentaram a elite europeia. Apesar do gol inicial de Kai Havertz, o Arsenal teve apenas 25% de posse de bola e uma única finalização ao gol em 120 minutos, enquanto o PSG passou a bola 885 vezes contra 285, ditando o ritmo quase inteiramente. A derrota, embora decidida na loteria dos pênaltis, expôs um abismo na filosofia de jogo que nenhum triunfo na Premier League pode mascarar completamente.

As estatísticas da partida pintam um quadro desolador da passividade do Arsenal. O gol de Havertz aos 11 minutos, uma finalização clínica após uma rara investida, paradoxalmente sufocou a intenção ofensiva da equipe. Em vez de construir sobre a vantagem, o time de Arteta recuou para um bloco defensivo profundo, cedendo o controle ao sistema de posse de bola de Luis Enrique. O meio-campista do PSG, Joao Neves, comentou mais tarde que sua equipe era "a única que queria jogar", uma declaração que vai doer nos corredores de London Colney. O ex-zagueiro do Arsenal, Matthew Upson, observou que o gol inicial desencadeou uma mudança natural, mas fatal, para o "modo de proteção", um padrão que se tornou cada vez mais familiar desde o início do ano.

O próprio Arteta reconheceu a diferença de qualidade técnica, classificando o PSG como "o melhor time do mundo" e admitindo que sua equipe foi forçada a áreas que não queria ocupar. Mais significativamente, ele sugeriu que o Arsenal poderia buscar imitar o estilo dominante de posse de bola dos campeões franceses, dizendo: "O que eles conseguem fazer com a bola, com ações individuais, eu não vi". Essa revelação marca um ponto de virada potencial para um técnico que gastou mais de £900 milhões para montar um elenco elogiado principalmente por sua solidez defensiva, e não por seu brilho ofensivo. A mudança do futebol mais orientado à posse de bola de agosto a dezembro — caracterizado pela intrincada troca de passes entre Bukayo Saka, Martin Odegaard e Declan Rice — para a abordagem conservadora e segura da reta final foi deliberada, mas seu teto agora é evidente no maior palco.

Em todas as competições, o Arsenal venceu 20 partidas por margem de um gol, dependendo fortemente de jogadas ensaiadas e da sólida parceria de Gabriel Magalhães e William Saliba na zaga. A equipe teve a melhor defesa da Premier League, mas nenhum atacante foi indicado ao prêmio de Jogador da Temporada. Esse desequilíbrio ressalta o dilema: a fórmula de Arteta rendeu sucesso doméstico, mas a final da Champions League expôs uma incapacidade de tomar a iniciativa contra adversários de classe mundial. Como Upson observou, o estilo dos Gunners a partir de janeiro se tornou "notavelmente" mais cauteloso, uma concessão à pressão que acabou garantindo o título, mas os deixou aquém na Europa.

O peso psicológico da história adiciona outra camada. O Arsenal já disputou mais partidas de Copa da Europa e Champions League sem vencer o troféu do que qualquer outro clube — 226 jogos — e a agonia dos pênaltis em Budapeste seguiu uma derrota na final da Carabao Cup para o Manchester City, onde também tiveram apenas 38% de posse. Arteta, no entanto, parece pronto para evoluir. Seus comentários pós-jogo, incluindo "precisamos fazer melhor, temos que melhorar e encontrar margens diferentes para obter o resultado que queremos", sinalizam um verão de introspecção e potencialmente negócios transformadores.

A atividade de transferências já está alinhada com a necessidade de um ataque mais dinâmico. O clube monitorou Julián Álvarez, atacante do Atlético de Madrid e ex-Manchester City, que traria movimentação de elite e jogo de ligação ao ataque. Reforços na ponta esquerda também estão na agenda, junto com um exame mais amplo sobre se o grupo atual — Saka, Leandro Trossard e Gabriel Martinelli, principalmente — pode se adaptar a um modelo mais dominante de posse. Upson apontou as laterais como catalisadores-chave para lançar ataques, destacando como Achraf Hakimi e Nuno Mendes, do PSG, invertiam e se sobrepunham para sustentar a pressão, um modelo que o Arsenal poderia replicar com seus próprios defensores talentosos.

Arteta já provou que pode reconstruir a cultura de um clube e encerrar uma longa seca de títulos, mas o caminho para o sucesso continental sustentado exige outro salto. A pausa de verão oferece uma janela rara para recalibrar sem a pressão imediata de perseguir um título de liga. Com o bloqueio psicológico da Premier League removido, há argumentos para assumir o risco de refinar o estilo agora, em vez de se ater rigidamente a uma fórmula vencedora que mostrou seus limites no mais alto nível. As próprias palavras do técnico sugerem que ele está pendendo para a opção mais arriscada e recompensadora.

As próximas semanas verão "decisões muito importantes", como disse Arteta, sobre pessoal e ideologia tática. Se isso significa uma reformulação estilística ou simplesmente adicionar uma ou duas peças para liberar mais futebol de posse, a direção da viagem é clara: o Arsenal deve se tornar menos previsível e mais assertivo contra equipes de elite. O título da Premier League, embora glorioso, apenas estabeleceu o padrão para o que se espera a seguir. O legado de Arteta agora depende de se ele consegue transformar uma equipe resiliente e de contra-ataque em um time capaz de ditar os jogos nas maiores noites da Europa.

Baseado em reportagens da BBC Sport.