O Arsenal finalmente se livrou do rótulo de 'quase' em 2025-26, conquistando seu primeiro título da Premier League em mais de duas décadas sob a orientação firme de Mikel Arteta. Os Gunners construíram uma vantagem inicial e nunca a perderam, segurando o Manchester City de Pep Guardiola com uma mistura de organização defensiva e maestria em bolas paradas. David Raya, o goleiro imperturbável, conquistou sua terceira Luva de Ouro consecutiva com 19 jogos sem sofrer gols; sua defesa que desafia a gravidade contra o West Ham foi amplamente vista como o ponto de virada da temporada. A obsessão de Arteta pelo controle valeu a pena, e o duelo do basco com seu ex-mentor tornou-se a espinha dorsal narrativa da campanha.
O debate sobre o jogador da temporada continuou entre os escritores do The Guardian, mas a consistência de Raya nas margens mais apertadas o destacou. Bruno Fernandes, o talismã do Manchester United, recebeu elogios por seu 'swagger' e criatividade sob Michael Carrick, enquanto a energia incansável de Declan Rice e seus passes em bolas paradas o tornaram o coração da investida do Arsenal. No entanto, em uma disputa pelo título decidida pela solidez defensiva, as defesas e a distribuição de Raya desde trás deram ao Arsenal uma camada extra de segurança que nenhum companheiro de linha poderia igualar. Fernandes ainda quebrou o recorde de assistências, mas o triunfo do Arsenal significou que o vencedor da Luva de Ouro ganhou o voto decisivo.
As pinceladas magistrais dos treinadores definiram a temporada além dos campeões. Andoni Iraola se despediu emocionalmente do Bournemouth guiando as Cerejas ao sexto lugar e a uma vaga histórica na Europa League, tudo enquanto equilibrava a venda de ativos-chave por £250 milhões. Régis Le Bris, na primeira campanha do Sunderland na primeira divisão desde a promoção via play-offs, liderou os Black Cats para a Europa, um feito alcançado com versatilidade tática e a contratação no meio da temporada do meia francês Enzo Le Fée. A chegada de Le Fée por uma taxa modesta mostrou-se transformadora; sua visão e tenacidade desencadearam o surto tardio do Sunderland, rendendo-lhe o status de herói cult em Wearside.
A janela de transferências de verão e os negócios de janeiro remodelaram o panorama drasticamente. O Liverpool quebrou recordes com uma investida de £125 milhões por Alexander Isak do Newcastle United, mas o impacto do atacante sueco foi cruelmente interrompido quando ele quebrou a perna, deixando um vazio no ataque dos Reds. O Manchester City, reagindo a uma rara campanha doméstica sem títulos, mostrou seu poder financeiro: Antoine Semenyo chegou do Bournemouth em um acordo de janeiro que acabou rendendo um vencedor da FA Cup, enquanto Rayan Cherki adicionou talento do Lyon. O Arsenal também se reforçou ao contratar Viktor Gyökeres, adicionando mais poder de fogo a um elenco já cheio de confiança.
Em outros lugares, o Chelsea pagou £60 milhões para trazer João Pedro do Brighton, buscando injetar imprevisibilidade em sua linha de ataque. O recrutamento do Bournemouth continuou impressionando, com Adrien Truffert chegando do Rennes por £11 milhões e Eli Junior Kroupi adicionado por £12 milhões, destacando seu talento para descobrir valor. O Manchester United, sob a mão firme de Michael Carrick, garantiu Senne Lammens do Royal Antwerp por menos de £20 milhões como uma solução de longo prazo no gol. O Leeds United realizou uma transferência gratuita astuta, convencendo Dominic Calvert‑Lewin a cruzar os Peninos após o término de seu contrato com o Everton. E em um dos movimentos mais românticos, Granit Xhaka trocou o meio-campo do Bayer Leverkusen pelo Sunderland em um acordo de £13 milhões, trazendo experiência e solidez ao projeto de Le Bris.
A ascensão do Sunderland foi sem dúvida a história da temporada. Depois de passar apertado nos play-offs, eles eram apontados para um retorno imediato ao Championship. Em vez disso, Le Bris projetou um time que defendia com determinação e atacava com vigor, liderado pelo fascinante Le Fée. A capacidade do francês de ver passes que outros não viam e sua disposição para trabalhar sem a bola transformaram o Sunderland em um time que podia realmente perturbar a ordem estabelecida. Sua classificação para a Europa League, garantida no último dia, desencadeou celebrações selvagens e fez com que os comentaristas revisassem suas expectativas para 2026-27.
As lesões lançaram uma sombra sobre o clímax da campanha. A perna quebrada de Isak não apenas prejudicou a luta do Liverpool pelo top-4, mas também privou a Copa do Mundo de um de seus atacantes mais dinâmicos. Kaoru Mitoma, do Brighton, um jogador que iluminou a liga com seus dribles, sofreu uma lesão que o tirou da seleção japonesa para o mesmo torneio. Esses contratempos adicionaram uma camada de drama humano ao calendário implacável de jogos, com os clubes já observando nervosamente os compromissos internacionais do verão e o preço que podem cobrar.
A conquista do Bournemouth sob Iraola não pode ser subestimada. Vender Semenyo em janeiro poderia ter descarrilado um time menor, mas o espírito coletivo das Cerejas e o reinvestimento inteligente os mantiveram à frente do Brentford e outros. Truffert e Kroupi se encaixaram perfeitamente, e o clube da costa sul irá para a Europa com otimismo justificado, mesmo enquanto se preparam para um interesse mais predatório em seu talentoso elenco. A saída de Iraola para um cargo de topo na Europa parece inevitável, mas seu legado no campo de treinamento perdurará.
O renascimento do Manchester United sob Carrick merece seu próprio capítulo. Nomeado em meio ao caos do breve reinado de Ruben Amorim, Carrick abandonou o rígido 3-4-3 por um fluido 4-2-3-1, libertando Fernandes para jogar seu melhor futebol em anos. As mais de 20 assistências do meia português e sua arte em geral impulsionaram o United de volta aos lugares da Champions League, restaurando um senso de identidade que estava faltando. Lammens, embora ainda não tenha estreado, representa o tipo de contratação com visão de futuro que sugere um clube finalmente aprendendo com erros passados.
À medida que a poeira baixa, a profundidade da Premier League nunca foi tão convincente. O título do Arsenal foi construído na coesão defensiva, mas o grupo perseguidor se encorajou. O Liverpool esperará que a recuperação de Isak corra bem, o City integrará Semenyo e Cherki em seu sistema em evolução, e o Chelsea, sob mais uma nova direção, rezará para que João Pedro corresponda. Enquanto isso, Sunderland e Bournemouth provaram que treinamento inteligente e recrutamento afiado podem furar o teto financeiro. Com a Copa do Mundo no horizonte, a temporada 2026-27 já crepita com intriga.
Baseado em reportagens do The Guardian.