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Por que o Lille escolheu Davide Ancelotti: o fator Carlo

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Davide Ancelotti foi nomeado técnico do Lille com contrato de dois anos, substituindo Genesio. Ele permanece no Brasil até a Copa do Mundo. O aval do pai Carlo

A nova era do Lille começa com um nome familiar na realeza do futebol. O presidente Olivier Létang confirmou Davide Ancelotti como novo treinador do clube, dando ao italiano de 36 anos um contrato de dois anos. A nomeação marca uma mudança ousada para os Dogues, que acabavam de garantir uma vaga na Liga dos Campeões sob o comando do ex-técnico Bruno Genesio, mas buscavam energia criativa renovada.

A chegada de Ancelotti não é imediata. Ele continua comprometido com a seleção brasileira como principal assistente de seu pai, Carlo, até o final da próxima Copa do Mundo. O atraso ressalta a confiança do clube em um projeto de longo prazo, disposto a esperar por um técnico que acreditam poder definir um novo ciclo no Stade Pierre-Mauroy.

Létang não escondeu que a decisão de se separar de Genesio foi dele. Apesar da euforia pela classificação para a Liga dos Campeões, o presidente sentiu que era hora de fechar um capítulo. "Achei que era provavelmente a melhor escolha para nós manter a memória desses dois anos extraordinários", explicou Létang, enfatizando que evita o termo "fim de ciclo", mas admitiu que "talvez tivéssemos chegado ao fim de algo".

A busca por um sucessor foi excepcionalmente focada. Létang revelou que tinha apenas um nome em mente e organizou apenas uma reunião antes de fechar o negócio. "Assim como conheci Bruno há dois anos, quando Paulo Fonseca saiu, novamente houve apenas uma reunião, apenas uma pessoa com quem conversei", disse ele. Davide Ancelotti foi esse homem, identificado no final da temporada como o candidato ideal para injetar criatividade e desenvolvimento juvenil em um elenco conhecido por nutrir talentos.

Os laços da família Ancelotti com Létang são profundos. Tendo trabalhado juntos no Paris Saint-Germain de 2011 a 2013, quando Davide era preparador físico na academia, o presidente do Lille criou um vínculo com Carlo. Essa história abriu caminho para uma ligação telefônica crucial. Létang contatou Carlo para discutir a candidatura de seu filho, e o lendário treinador respondeu com uma mensagem enfática: pediu que Davide lhe ligasse, depois disse: "Não me dê o nome do clube, mas devo ir?" Carlo respondeu: "Vá de olhos fechados".

O currículo de Davide Ancelotti é curto em experiência como treinador principal, mas rico em exposição de elite. Seu único cargo de alto nível durou cinco meses no Botafogo do Brasil, onde obteve 15 vitórias em 33 partidas antes de ser demitido por John Textor. No entanto, sua década como assistente inclui passagens pelo Real Madrid (2021-2025), Everton (2019-2021), Napoli (2018-2019) e Bayern de Munique (2016-2017), além da seleção brasileira. Létang destacou sua capacidade de "lançar jovens jogadores, desenvolvê-los", apontando para uma filosofia alinhada ao modelo de sucesso do Lille.

O estilo de treinamento do italiano é descrito como "jovem, dinâmico, corporativo", uma mistura de táticas modernas e uma abordagem profissional e colaborativa. O projeto do Lille depende de recrutamento inteligente e progressão de jogadores, e a formação de Ancelotti se encaixa em um clube que transformou Jonathan David e outros em ativos cobiçados. Sua fluência em múltiplas culturas futebolísticas também o prepara para os desafios da Ligue 1 e da Liga dos Campeões.

O aval de Carlo Ancelotti tem peso além do nepotismo. O técnico mais condecorado na história da Liga dos Campeões concede um selo de aprovação que sugere que Davide está pronto para o passo adiante. Létang, que em particular se orgulha de ter aconselhado Carlo a aceitar o cargo no Brasil, vê um paralelo na convicção. A confiança do pai de "olhos fechados" ecoa a própria aposta do presidente em um nome relativamente não testado.

Para o Lille, esta nomeação é uma virada estratégica. Após duas temporadas de estabilidade sob Genesio, a diretoria aposta em um técnico emergente que possa renovar a identidade do elenco. A ligação com a comissão técnica do Brasil também pode abrir caminhos de observação em um mercado que o Lille já explorou antes — a chegada de Ethan Mbappé há dois anos foi um movimento semelhante fora do comum de Létang. A continuidade de uma conexão familiar, dos Mbappés aos Ancelottis, sugere um padrão deliberado.

O início atrasado significa que Ancelotti se juntará ao Lille no meio da temporada, dependendo do desempenho do Brasil na Copa. Sua ausência imediata coloca pressão sobre a equipe técnica existente para manter o ímpeto, mas Létang aposta em uma transição tranquila. O trabalho do treinador no Maracanã, enquanto o Brasil venceu o Panamá por 6 a 2 na noite anterior à sua apresentação marcada, lembrou a todos por que a espera pode valer a pena.

Em uma liga onde clubes como o Lille devem inovar constantemente para competir com o poder financeiro do PSG, a nomeação é um risco calculado. A recompensa pode ser um treinador forjado no cadinho do futebol internacional e ambientes de clubes de elite, trazendo ideias novas para um time prestes a enfrentar os melhores da Europa. Se Davide Ancelotti tiver sucesso, o instinto de Létang — e a bênção de Carlo — serão lembrados como um golpe de mestre.

Com base em reportagens do L'Equipe.