As ambições do Milan na Champions League desmoronaram de forma dramática em San Siro, já que uma derrota por 2 a 1 para um Cagliari já salvo acabou com suas esperanças de terminar entre os quatro primeiros. O resultado foi ainda mais irritante porque um único ponto teria bastado, já que Torino e Juventus empataram em 2 a 2 no Derby della Mole. Em vez disso, os homens de Massimiliano Allegri apresentaram uma de suas atuações mais desarticuladas da temporada, deixando o campo em meio a vaias e cantos furiosos dirigidos ao proprietário Gerry Cardinale.
Os primeiros sinais pareciam tão promissores. Mal havia transcorrido um minuto quando Alexis Saelemaekers colocou o Milan na frente, finalizando com frieza após um cabeceio desviado de Santiago Gimenez. O extremo belga foi o fulcro de um início animado, e por um quarto de hora os anfitriões pareceram capazes de atropelar seus visitantes sardos. Mas essa fluidez rapidamente se evaporou. O Cagliari, sob a astuta orientação do técnico Fabio Pisacane, cresceu no jogo e expôs a mesma fragilidade defensiva que tem assolado o Milan ao longo de toda a campanha.
O empate foi um microcosmo dos males do Milan. Um lance de bola parada encontrou Yerry Mina, que pulou mais que Fikayo Tomori para desviar a bola para Gennaro Borrelli. O atacante reagiu mais rápido, empurrando de perto enquanto Matteo Gabbia ficou paralisado, com seu posicionamento uma bagunça. Era uma defesa da qual times de várzea se envergonhariam, e virou a maré de forma irrevogável. A partir desse momento, a crença se esvaiu dos Rossoneri e inundou o time visitante.
O gol da vitória do Cagliari chegou após o intervalo, e novamente foi uma história de erro individual e confusão tática. Youssouf Fofana, que penou a noite toda, perdeu seu homem Rodrigo Becão em um escanteio, permitindo que o defensor cabeceasse com força, batendo um indefeso Mike Maignan. A atuação de Fofana foi emblemática de um time que, quando a pressão aumenta, habitualmente desmorona. O francês obteve nota 4,5, e nem mesmo a introdução de Luka Modrić conseguiu restaurar a ordem. La Joya, como é conhecido, tentou tomar a iniciativa, mas encontrou poucos cúmplices dispostos.
A unidade ofensiva foi ainda pior. Christopher Nkunku, escalado como titular, desapareceu após um início promissor e perdeu uma chance de ouro quando estava 1 a 0, chutando para fora estando cara a cara com o goleiro. Sua nota 4,5 foi generosa dado o quão anônimo ele se tornou. Niclas Füllkrug, enviado como substituto, de alguma forma conseguiu ser ainda mais ineficaz — nota 4, com cada toque aparentemente encontrando uma camisa vermelha e azul. Rafael Leão e Christian Pulišić também brilharam apenas esporadicamente, suas aparições resumidas como 'frizzante ma senza pungere' — efervescente, mas sem picar.
Enquanto os nomes de peso do Milan derretiam, as luzes menores do Cagliari brilhavam. Gianluca Gaetano entregou um 'recital' no meio-campo de técnica e visão, seu chute forçou uma defesa espetacular de Maignan e sua distribuição abriu os Rossoneri repetidamente. Sebastiano Esposito foi descrito como um 'farol' para os visitantes, orquestrando o jogo com uma maturidade além de sua idade e obtendo nota 7. Borrelli, com seu instinto de predador de área, também marcou 7, e quase deu uma segunda assistência quando criou uma chance clara para Benjamin Mendy, que inexplicavelmente chutou por cima estando apenas com o goleiro pela frente.
Esse erro poderia ter feito 3 a 1, mas pouco importou. A noite do Milan já estava em frangalhos. A nota 4 de Allegri refletiu não apenas o resultado, mas a forma do fracasso. Ele tinha um trabalho — garantir um ponto — e seu time produziu uma atuação tão apática que o próprio treinador pode ter se perguntado como seus métodos se desfizeram tão completamente. Pisacane, por outro lado, saiu com nota 7, seu plano de jogo executado à perfeição.
As consequências são gritantes. O Milan jogará a Liga Europa na próxima temporada, uma perspectiva sóbria para um clube de sua estatura. Em vez de se juntar a Inter e Napoli na competição de elite da Europa, eles assistirão Roma e Como ficarem com as vagas restantes da Champions. O golpe financeiro e o dano ao prestígio intensificarão o escrutínio sobre o grupo proprietário, já sob fogo de uma torcida que encheu San Siro com cantos anti-Cardinale muito antes do apito final.
Nas arquibancadas, o clima era de motim. Assobios choviam da Curva Sud, e faixas exigiam mudanças. A retirada do time após o jogo foi acompanhada por uma desaprovação ensurdecedora, um som que ecoará no verão. Baseado em reportagem do Tuttosport.