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Por que Robert Pirès não consegue esquecer: 17 minutos na

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20 anos depois, Robert Pirès diz que ser substituído após 17 minutos na final da Champions League de 2006 continua sendo sua pior lembrança, ainda chateado com

Já se passaram duas décadas desde a única aparição do Arsenal em uma final da Champions League, mas para Robert Pirès as feridas não cicatrizaram. Em uma entrevista exclusiva, o ex-jogador da seleção francesa falou sobre a derrota de 2006 para o Barcelona, uma noite que ele descreve como a pior de sua carreira — não apenas porque os Gunners perderam por 2 a 1, mas por causa da brutal substituição precoce que interrompeu sua noite após apenas 17 minutos. A dor, ele admite, continua tão intensa quanto sempre.

Pirès deveria ser uma peça-chave no plano de Arsène Wenger naquela noite no Stade de France. Com uma multidão lotada dividida entre vermelho e azul, e sua família e amigos nas arquibancadas, a ocasião era um sonho realizado. O Arsenal começou brilhantemente, pressionando o Barcelona alto e criando chances, mas o desastre aconteceu aos 18 minutos. Depois que o goleiro Jens Lehmann foi julgado por cometer falta em Samuel Eto'o fora da área, o árbitro mostrou um cartão vermelho, deixando o Arsenal com um jogador a menos. O que se seguiu está gravado na memória de Pirès como um pesadelo.

“Não pensei nem por um segundo que Arsène me tiraria”, lembrou Pirès. Quando o quarto árbitro levantou a placa, foi o seu número que apareceu. A substituição era necessária para colocar o goleiro reserva Manuel Almunia, mas Pirès acreditava que era a escolha errada. Ele sentiu que seu entendimento técnico com Thierry Henry era vital, e que remover um atacante diminuiria a ameaça ofensiva do Arsenal. “Para vencer, tínhamos que marcar gols”, disse ele. “Eu tinha aquela conexão especial com o Titi”.

Wenger optou por reforçar o meio-campo, uma decisão que Pirès achou impossível de aceitar. Ao sair do campo, ele estava consumido pela raiva. “Não olhei para ele. Não adiantava conversar”, disse. A caminhada até o banco parecia interminável, e uma vez lá, ele se isolou no canto oposto, alheio à emoção do jogo — mesmo após o gol de cabeça de Sol Campbell dar ao Arsenal uma vantagem surpreendente. “Eu estava ausente, em outro mundo”, admitiu.

O tratamento de silêncio entre jogador e técnico continuou muito depois do apito final. Nas duas décadas desde então, eles nunca discutiram aquela decisão. “Ele só me disse uma vez: ‘Robert, espero que você nunca enfrente essa situação como treinador’”, revelou Pirès. “Entendo o que ele quer dizer, mas isso não muda como me senti”. Apesar disso, os dois mantêm um relacionamento cordial e ocasionalmente se encontram para jantar, embora a final de 2006 continue sendo um assunto tabu. “Falamos sobre tudo, exceto aquela noite”.

Para Pirès, a amargura é agravada pelo que poderia ter sido. Se o Arsenal tivesse mantido a vantagem de 1 a 0, ele talvez tivesse perdoado facilmente o episódio. “Se tivéssemos vencido, se tivéssemos levantado o troféu, eu teria esquecido aqueles 17 minutos. Teria sido campeão europeu”, disse ele. Em vez disso, a virada do Barcelona — com gols de Eto'o e Juliano Belletti — deixou uma ferida dupla. O voo de volta para Londres foi silencioso, o vestiário um cemitério de sonhos despedaçados.

Olhando para trás, Pirès é categórico de que o homem errado foi sacrificado. Perguntado sobre quem deveria ter sido substituído, ele não hesita: “Alexander Hleb”. O reajuste tático, em sua opinião, custou ao Arsenal seu poder de definição. Continua sendo uma pílula amarga, especialmente dada a natureza controversa do cartão vermelho de Lehmann. O ex-árbitro Tony Chapron disse a Pirès que o árbitro deveria ter jogado a vantagem, permitindo que o gol de Ludovic Giuly valesse e mantendo 11 jogadores em campo. “Se isso tivesse acontecido, eu teria ficado”, lamenta.

A final de 2006 tornou-se uma parte inevitável do legado de Pirès. “Todo mundo ainda fala comigo sobre aqueles 17 minutos”, disse com um suspiro resignado. É um recorde, de certa forma — a participação mais curta em uma final de Champions League por um jogador de linha titular sem lesão. Mas para Pirès, é uma marca que ele preferiria não ter. Enquanto o Arsenal continua em busca de seu elusivo primeiro título europeu, a dor daquela noite em Paris perdura — um lembrete de como a glória pode se transformar em desespero rapidamente.

Baseado em reportagem do L'Equipe.