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Por que Salford vai para Wembley: a finalização fria de

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O Salford City sobreviveu à reação do Grimsby para vencer por 4-3 no agregado, com o gol de Kallum Cesay na prorrogação garantindo uma vaga na final do play

Kallum Cesay gravou seu nome na história do Salford City com um gol de virada na prorrogação que mandou os Ammies para Wembley e manteve agonizantemente vivo o sonho de promoção. Em uma partida de ida e volta das semifinais do play-off da Sky Bet League Two, o Salford empatou em 2-2 com o Grimsby Town para avançar 4-3 no agregado, apagando a dor de sete anos presos na quarta divisão em uma noite gloriosa no Peninsula Stadium. Cesay, que também marcou no jogo de ida, mostrou uma frieza de gelo quando mais importava, balançando as redes no final da prorrogação para desencadear cenas de alegria indescritível.

A vitória marca um momento sísmico para um clube que se transformou desde que a Classe de 92 — Gary Neville, Phil Neville, Ryan Giggs, Paul Scholes e Nicky Butt — assumiu o controle em 2014. A promoção tem sido o objetivo declarado desde então, mas quatro fracassos nos play-offs transformaram o sonho em algo como uma obsessão. Agora, apenas um jogo separa o Salford de sua primeira ascensão à League One, um palco que eles acreditam ser o próximo passo natural em um projeto que trouxe futebol profissional, um estádio reformado e crescente atenção nacional.

O Salford chegou à noite com uma vantagem magra de 2-1 do jogo de ida no Blundell Park, onde Cesay e um pênalti de Conor McAleny lhes deram uma almofada vital. Mas o Grimsby, perigoso no contra-ataque e imponente fisicamente, viajou através dos Peninos sabendo que um único gol poderia virar a eliminatória. Um primeiro tempo tenso e cauteloso viu ambos os lados trocarem meias chances sem realmente testar os goleiros, os Mariners sondando pelos flancos enquanto o Salford tentava soltar a velocidade de Luke Bolton por trás.

O empate foi quebrado sete minutos após o reinício, e veio de uma jogada de bola parada dos Ammies. Um escanteio batido na área causou caos, e quando a bola surgiu convidativamente, Dan Udoh ajustou seu corpo brilhantemente para soltar uma voleia rasteira que passou por Jake Turner. Foi um gol de instinto afiado que parecia confirmar a superioridade do Salford e, com 2-0 na noite e 3-1 no agregado, os torcedores da casa começaram a acreditar que Wembley era uma formalidade.

No entanto, o Grimsby tinha outros planos. Em um período de quatro minutos que virou a eliminatória de cabeça para baixo, os visitantes marcaram duas vezes em circunstâncias polêmicas para silenciar a torcida local e forçar a prorrogação. Primeiro, aos 67 minutos, Kieran Green subiu mais alto para cabecear um escanteio e seu cabeceio com efeito desviou em direção ao gol. Jogadores do Salford apelaram imediatamente, convictos de que a bola tinha roçado o braço estendido de Jaze Kabia, mas o árbitro David Rock mandou seguir. As repetições sugeriram que a bola tocou a mão ou braço de Kabia, mas sem VAR neste nível, o gol foi validado, reduzindo a vantagem agregada a um único gol.

Depois, quatro minutos mais tarde, veio um momento ainda mais flagrante. Kabia novamente se viu no centro da ação, aproveitando um cruzamento rasteiro de Green e finalizando com estilo. O assistente Thomas Harty manteve a bandeira abaixada, apesar de o atacante parecer ligeiramente impedido. O banco do Salford explodiu de fúria, o técnico Neil Wood gesticulando furiosamente para o quarto árbitro, mas mais uma vez a decisão foi contra os donos da casa. Em 3-3 no agregado, o ímpeto balançou violentamente para os Mariners, e o golpe psicológico se espalhou pelas fileiras da casa.

A última meia hora do tempo regulamentar fluiu e refluiu com futebol caótico de ponta a ponta. O Salford pressionou pelo gol da vitória, com McAleny e o substituto Louie Barry sondando, enquanto o Grimsby era perigoso no contra-ataque. Ambos os goleiros fizeram defesas inteligentes, e a trave salvou o Salford quando um chute curvado de Harry Clifton bateu no poste. Com as pernas cansadas e a tensão aumentando, a perspectiva de uma disputa de pênaltis se aproximava, e poucos a teriam desejado após uma montanha-russa emocional tão desgastante.

Então veio o momento que será repetido por anos nas redes sociais do Salford City. Aos 112 minutos, uma bola longa para frente causou hesitação na defesa do Grimsby. Cesay, com a agilidade de um homem que estava poupando energia, aproveitou um desvio, conduziu para a área e, com apenas Turner a vencer, abriu o corpo para colocar a bola no canto distante. Foi uma finalização de uma maturidade de tirar o fôlego, e o Peninsula Stadium explodiu em uníssono. Jogadores, comissão técnica e substitutos invadiram o campo, enterrando Cesay sob uma pilha de corpos.

Para o Grimsby, a dor foi visceral. Eles haviam recuperado uma desvantagem agregada de dois gols com dois gols altamente controversos, apenas para serem surpreendidos por um golpe de misericórdia nos estertores da prorrogação. Sua reação tardia foi valente, mas a falha defensiva foi fatal. O técnico David Artell só pôde observar, mãos na cintura, enquanto o sonho de Wembley de sua equipe se evaporava nas sombras da prorrogação.

As implicações para o Salford são profundas. A promoção para a League One não só validaria o investimento da Classe de 92, mas também abriria novos horizontes comerciais e futebolísticos. A final, marcada para segunda-feira, 25 de maio, em Wembley, os colocará contra o Notts County ou o Port Vale, um teste duro, mas que enfrentarão com crescente confiança. O clube nunca jogou no estádio nacional; agora, têm um encontro com a história.

A contribuição de Cesay não pode ser subestimada. O ponta de 23 anos, emprestado pelo Sheffield United, marcou gols cruciais nos dois jogos e sua compostura sob pressão fala de um jogador destinado a palcos maiores. Ao seu lado, a corrida incansável de Udoh e a experiência de McAleny foram vitais, mas foi a resiliência coletiva que brilhou. Recuperar-se do choque daqueles gols do Grimsby e ainda encontrar um gol da vitória tardio diz muito sobre a fortaleza mental do elenco.

Enquanto os torcedores do Salford começavam sua longa jornada de volta, seus pensamentos já estavam em Wembley. Para um clube fundado em 1940 e residente na Football League apenas desde 2019, este é um território desconhecido. A Classe de 92 sempre falou em construir um legado, e a promoção seria a conquista mais tangível de seu mandato até agora. O sonho, uma vez uma visão distante, agora está a um jogo da realidade.

Baseado em reportagens da Sky Sports.