A Premier League deve rejeitar uma proposta para expandir os poderes do árbitro assistente de vídeo (VAR) para a próxima temporada, optando por não adotar as mudanças aprovadas pela International Football Association Board (IFAB) em fevereiro. A decisão, que será formalizada na assembleia geral anual da liga no próximo mês, ocorre depois que o órgão de arbitragem Professional Game Match Officials (PGMO) aconselhou contra a extensão do escopo do VAR para cobrir escanteios e segundos cartões amarelos.
A mudança de regra da IFAB, que entra em vigor em junho, permite que as ligas decidam se usarão o VAR para essas decisões adicionais. Enquanto a FIFA solicitou sua adoção para a Copa do Mundo de 2026, espera-se que a Premier League siga a orientação do PGMO e mantenha os parâmetros atuais — o VAR revisa apenas gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e erro de identidade.
A principal preocupação do PGMO é o potencial para atrasos significativos nas partidas. Revisar escanteios e segundos cartões amarelos poderia alongar os jogos, alienar parceiros de transmissão e aumentar a pressão sobre os árbitros. Uma fonte dentro do órgão de arbitragem afirmou: "O sistema VAR atual já enfrenta críticas por desacelerar o jogo; adicionar mais verificações exacerbaria esse problema".
Os clubes parecem compartilhar essas preocupações. Muitos veem pouco benefício em introduzir mais interrupções para decisões marginais, especialmente com a temporada de 38 jogos da Premier League, onde um único escanteio tem menos probabilidade de ser decisivo em comparação com uma partida eliminatória da Copa do Mundo. Um executivo de clube observou: "Valorizamos o fluxo do jogo. Mais intervenções do VAR correm o risco de frustrar jogadores e torcedores".
A decisão ocorre em meio à controvérsia contínua do VAR. Em uma partida recente entre West Ham e Arsenal, o árbitro Chris Kavanagh anulou um empate tardio do West Ham marcado por Callum Wilson depois que o VAR Darren England detectou uma falta no goleiro do Arsenal, David Raya. O West Ham pretende apresentar uma reclamação, embora o clube reconheça que é improvável que tenha sucesso. O chefe do PGMO, Howard Webb, defendeu a decisão no "Match Officials Mic'd Up" da Sky Sports, afirmando que os protocolos foram seguidos corretamente.
Em contraste, a FIFA abraçou os poderes estendidos do VAR para a Copa do Mundo, onde os riscos são maiores e as partidas já incluem pausas para hidratação que alongam o tempo de jogo. Pierluigi Collina, presidente do comitê de árbitros da FIFA, e o presidente Gianni Infantino acreditam que uma decisão incorreta de escanteio poderia influenciar injustamente partidas eliminatórias.
A posição da Premier League não fecha a porta para mudanças futuras. Espera-se que a IFAB discuta agarramentos em escanteios — um problema persistente na Premier League — após a Copa do Mundo, embora nenhuma proposta esteja atualmente na mesa. Por enquanto, a liga prioriza o fluxo do jogo e a consistência.
Um agente familiarizado com as discussões resumiu: "Os clubes querem estabilidade. Após uma temporada cheia de incidentes com o VAR, adicionar mais verificações seria um passo longe demais". Espera-se que a votação na AGM seja uma formalidade, com a liga confirmando sua rejeição aos poderes estendidos.
Baseado em reportagens do The Guardian.