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PSG e Arsenal: Por que nenhuma transferência em 30 anos?

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PSG e Arsenal não fizeram negócio desde Anelka em 1997. Lacunas financeiras e foco do scouting os mantiveram separados, mesmo enquanto o PSG negociava com

No mundo de alto risco das transferências do futebol europeu, poucas relações são tão estéreis quanto a entre Paris Saint-Germain e Arsenal. Apesar de décadas de ambições compartilhadas, raízes francesas no norte de Londres e repetidos confrontos na Champions League, os dois clubes não realizaram nenhum negócio — nem um único jogador se movendo em qualquer direção — desde a transferência de Nicolas Anelka por £500.000 no inverno de 1997 para Highbury. Enquanto ambos se preparam para um possível encontro em uma final europeia, a ausência completa de negociações de transferência se destaca como uma das curiosidades silenciosas do jogo.

A própria transferência de Anelka não foi notável na época — um adolescente promissor trocando o Parc des Princes pela famosa máquina de desenvolvimento juvenil do Arsenal. Ele mais tarde se tornaria um atacante de classe mundial, mas esse acordo marcou o início de um muro comercial impenetrável. Nos 27 anos seguintes, o PSG negociou com vários rivais da Premier League: Tottenham, Liverpool, Chelsea, Manchester United, Newcastle e até Manchester City. No entanto, as linhas telefônicas para o Emirates — e antes para Highbury — permaneceram silenciosas.

Então, isso é uma rixa latente, semelhante às relações geladas entre PSG e Real Madrid? Longe disso, insistem fontes de ambos os lados. Alain Roche, diretor esportivo do PSG de 2003 a 2012, e Gilles Grimandi, chefe de recrutamento do Arsenal de 2005 a 2019, atribuem a seca a uma simples confluência de circunstâncias. Não há mágoas, dizem — apenas uma história de tempos incompatíveis, focos de scouting divergentes e abismos financeiros.

Roche pinta um quadro da realidade pré-Qatar do PSG: o clube simplesmente não tinha força para competir por talento da Premier League. "Quando eu estava no PSG, não tínhamos como conseguir jogadores da Inglaterra", lembrou. "Perguntamos sobre Eidur Gudjohnsen quando ele estava no Chelsea, mas assim que vimos os salários, acabou." A lacuna financeira significava que mesmo um jogador sem vaga garantida como titular em um clube inglês de ponta estava fora do alcance de um gigante francês operando com uma fração do orçamento.

A tomada de controle pela QSI em 2011 mudou o saldo bancário do PSG, mas não seu olhar direcional. Leonardo, o novo diretor esportivo, naturalmente se voltou para a Serie A, um mercado que conhecia intimamente. Seu sucessor, Antero Henrique, apoiou-se em redes que tinham pouco a ver com o futebol inglês. Mesmo quando talento do Arsenal aparecia no radar, era fugaz: o PSG considerou brevemente o lateral direito Hector Bellerin, mas o interesse evaporou depois que olheiros o viram desfilando em uma passarela da Paris Fashion Week para uma grande marca — dificilmente a imagem de um alvo prioritário.

Do lado do Arsenal, Grimandi explica que o clube historicamente evitou tirar jogadores da elite francesa. "Com os grandes clubes franceses, não houve muitas transferências", observa. A única exceção importante foi Alexandre Lacazette, trazido do Lyon por um recorde do clube em 2017. Mas as jovens estrelas do PSG se mostraram elusivas: o Arsenal fez consultas pelo zagueiro Mamadou Sakho e pelo meio-campista Christopher Nkunku, mas nenhuma negociação se concretizou. Uma vez que a riqueza da QSI tornou Paris um clube vendedor apenas em seus próprios termos, a porta efetivamente se fechou.

A admiração de Arsène Wenger por Thiago Motta resume a realidade pós-2011. O elegante meio-campista italiano teria sido uma adição perfeita para a sala de máquinas do Arsenal no final de sua carreira, mas como Grimandi admite, "Era impossível." O PSG não precisava vender, e qualquer jogador que eles negociassem vinha com um pacote financeiro que superava o que o Arsenal podia ou queria oferecer. O equilíbrio de poder havia mudado irreversivelmente.

O que torna esse impasse tão marcante é a atividade em outras frentes. O PSG negociou felizmente com o Tottenham por jogadores como Lucas Moura, com o Chelsea por David Luiz, com o Manchester City por uma série de acordos, e até com Liverpool e Newcastle. O Arsenal, enquanto isso, negociou com Mônaco, Olympique de Marseille e Lyon — apenas nunca com o clube principal da capital. O livro em branco é um outlier estatístico, não o produto de qualquer inimizade executiva.

Olhando para o futuro, há pouca razão para esperar um degelo. O projeto apoiado pelo Catar do PSG continua operando em uma estratosfera financeira onde vender ativos é raro e comprar do Arsenal significaria atender às avaliações infladas da Premier League. O Arsenal, sob Mikel Arteta, mudou para recrutas mais jovens e específicos do sistema, muitas vezes de ligas menores ou clubes dispostos a vender. Os dois modelos dificilmente se cruzam.

Se ambos os clubes chegarem à final da Champions League nesta temporada, a atenção do mundo estará no campo, não no mercado de transferências. No entanto, a verdade subjacente permanecerá: uma geração se passou sem que um único jogador preenchesse a lacuna entre Paris e o norte de Londres. É uma peculiaridade nascida do tempo, dinheiro e filosofia de scouting — não de conflito. A trilha de Anelka, parece, foi permanentemente fechada.

Com base em reportagens do L'Equipe.