PARIS — O Paris Saint-Germain derrotou o Arsenal por 4-3 nos pênaltis na final da Champions League de sábado, garantindo seu segundo título europeu consecutivo e estendendo uma extraordinária sequência de seis vitórias consecutivas em disputas de pênaltis em todas as competições. A partida terminou 1-1 após a prorrogação, mas, como se tornou costume, o time de Luis Enrique mostrou compostura inabalável da marca do pênalti.
A sequência começou em 22 de dezembro de 2024, quando o PSG superou o Lens por 5-4 nos pênaltis na Copa da França. O goleiro Matveï Safonov fez a defesa decisiva, preparando o cenário para uma sequência que redefiniria a reputação do clube em momentos de alta pressão.
Poucas semanas depois, no jogo de volta das oitavas de final da Champions League em Anfield, Gianluigi Donnarumma assumiu o centro do palco. Após uma vitória por 1-0 no tempo normal que igualou o placar agregado, o italiano defendeu duas cobranças do Liverpool enquanto o PSG triunfava por 4-1 na disputa para completar uma virada memorável.
À medida que a temporada 2025-26 se desenrolava, a habilidade nos pênaltis não mostrou sinais de diminuir. Na Supercopa da UEFA contra o Tottenham, Lucas Chevalier—a contratação de verão—negou o Spurs em uma vitória por 4-3 nos pênaltis após um empate por 2-2, conquistando seu primeiro título com o clube.
Safonov recuperou os holofotes na final da Copa Intercontinental, onde o PSG venceu o Flamengo por 2-1 nos pênaltis após um empate por 1-1. A autoridade calma do russo provou ser fundamental mais uma vez.
Chevalier então apoiou o time em direção a outro troféu, defendendo duas cobranças em uma vitória por 4-1 nos pênaltis sobre o Marseille no Troféu dos Campeões após outro empate por 2-2, reforçando a noção de que o sucesso do PSG em disputas de pênaltis é sistêmico e não depende de um único goleiro.
De fato, o envolvimento de três goleiros diferentes—Safonov, Donnarumma e Chevalier—destaca a profundidade da preparação. O técnico Luis Enrique e o treinador de goleiros Borja Alvarez implementaram protocolos analíticos rigorosos, estudando hábitos de pênaltis dos adversários e ensaiando cenários. Esse meticulosismo transformou uma loteria que antes gerava ansiedade em uma vantagem calculada.
O contexto mais amplo é ainda mais imponente: desde 2020, o PSG venceu oito de nove disputas de pênaltis, com a única derrota contra o Nice nas oitavas da Copa da França em janeiro de 2022 (5-6). Esse único revés parece uma anomalia distante em um período de quase perfeição.
Psicologicamente, o impacto sobre os adversários é inegável. Enfrentar o PSG em uma partida eliminatória agora carrega o medo de uma perda inevitável nos pênaltis, um fator que pode influenciar as decisões durante o jogo dos treinadores rivais que não ousam arriscar 120 minutos.
Para o Arsenal, a derrota foi uma repetição cruel de dolorosas perdas em finais europeias, mas para o PSG, marca uma segunda Champions League consecutiva e uma validação de um projeto que silenciosamente se tornou a referência em situações decisivas.
Enquanto os jogadores desfilavam com o troféu, a mensagem era clara: no teste mais tenso do futebol moderno, o Paris Saint-Germain não tem igual. Sua dinastia em disputas de pênaltis, construída sobre preparação e fortaleza mental, não mostra sinais de desmoronamento.
Baseado em reportagens do L'Equipe.