O Tottenham Hotspur entrou no último dia da temporada 2025/26 da Premier League a uma derrota do primeiro rebaixamento em 49 anos. Um gol de Joao Palhinha no primeiro tempo garantiu uma vitória nervosa sobre o Everton, e a vitória simultânea do West Ham sobre o Leeds se mostrou irrelevante — os Spurs se agarraram ao 17º lugar, a mesma posição em que terminaram a campanha anterior. Mas a margem de dois pontos encobriu uma temporada tão catastrófica que até a sobrevivência pareceu uma fuga, e não um triunfo.
A chegada de Thomas Frank em julho deveria construir sobre o sucesso na Europa League sob Ange Postecoglou, mas sua primeira coletiva de imprensa estabeleceu um tom ominoso. "Uma coisa é 100% certa, vamos perder jogos de futebol", declarou, uma afirmação que se mostrou muito mais profética do que qualquer um poderia imaginar. Em questão de semanas, os Spurs desperdiçaram uma vantagem de dois gols contra o Paris Saint-Germain na Supercopa da UEFA e perderam nos pênaltis, revivendo o rótulo 'Spursy' que o triunfo em Bilbao supostamente havia matado.
A janela de transferências de verão agravou a decepção inicial. Eberechi Eze, amplamente esperado para chegar ao norte de Londres, em vez disso completou uma mudança dramática para o Arsenal, enquanto o Nottingham Forest bloqueou a saída de Morgan Gibbs-White, deixando os Spurs sem os reforços criativos de que precisavam desesperadamente. As vendas do lendário Heung-Min Son e Brennan Johnson — este último por £35m ao Crystal Palace — esgotaram ainda mais as opções ofensivas, colocando imensa pressão sobre um elenco já esticado.
As lesões então destruíram qualquer esperança de recuperação. James Maddison sofreu uma ruptura completa do LCA em um amistoso de pré-temporada contra o Newcastle, um desastre agravado pela ausência prolongada de Dejan Kulusevski. Com Maddison e Kulusevski fora, a criatividade do Tottenham evaporou. A contratação de £51m de Xavi Simons do RB Leipzig deveria preencher o vazio, mas o internacional neerlandês lutou para se adaptar, marcando seu primeiro gol na Premier League apenas em dezembro. Sua temporada terminou em abril com outra lesão no LCA — o 27º jogador que o Tottenham perdeu por lesão durante a campanha, o maior número da liga e uma repetição sombria da lista de baixas da temporada anterior.
Erros fora de campo aprofundaram a crise. Yves Bissouma foi cortado de um jogo europeu devido à má gestão de tempo, e questões disciplinares continuaram a ferver. A pressão sobre Frank se intensificou quando ele rotulou os torcedores dos Spurs de "inaceitáveis" após vaiarem o goleiro Guglielmo Vicario depois de um erro custoso contra o Fulham, um momento que expôs a atmosfera tóxica que envolvia o clube.
A janela de janeiro ofereceu um vislumbre de esperança com a chegada de Conor Gallagher, mas a venda de Brennan Johnson — e a subsequente lesão de Mohammed Kudus do West Ham dois dias depois — ressaltou a fragilidade do elenco. Gallagher trouxe energia, mas não conseguiu reverter a queda sozinho, enquanto os Spurs suportaram uma série de 15 jogos sem vitórias na liga e um recorde do clube de seis derrotas consecutivas.
No último dia, os Spurs enfrentaram o Everton sabendo que qualquer coisa menos que uma vitória colocaria seu status na primeira divisão nas mãos do resultado do West Ham. O gol inicial de Palhinha aliviou a tensão, mas a fuga apertada não escondeu as falhas sistêmicas que levaram a este precipício. Com uma lista de lesionados inchada, contratações questionáveis e uma torcida no limite, o quase rebaixamento do Tottenham é um alerta claro de que o poder financeiro do clube vale pouco sem um plano coerente. O sentimento de 'nunca mais' já pode soar vazio a menos que mudanças radicais ocorram.
Baseado em reportagens da Sky Sports.