A sobrevivência do West Ham United na Premier League está por um fio após a derrota de domingo por 3-1 para o Newcastle United, deixando-os em 18º com apenas uma partida restante. Se o Tottenham Hotspur evitar a derrota contra o Chelsea na terça-feira, o rebaixamento dos Hammers para o Championship estará quase matematicamente selado. Além da desgraça esportiva, a queda ativaria uma cláusula cara no contrato de arrendamento do estádio do clube, potencialmente sobrecarregando os contribuintes londrinos com uma conta anual de £2.5 milhões.
O Estádio de Londres, construído para as Olimpíadas de 2012, é a casa do West Ham desde 2016 sob um contrato de arrendamento de 99 anos. O acordo, negociado durante o mandato de Boris Johnson como prefeito de Londres, tem sido controverso por muito tempo. Atualmente, o West Ham paga cerca de £4.4 milhões em aluguel anual à Greater London Authority. No entanto, o contrato inclui uma cláusula de rebaixamento que reduz o aluguel pela metade se o clube sair da primeira divisão.
O prefeito Sadiq Khan alertou que esse mecanismo financeiro significa que o dinheiro público teria que cobrir o déficit. "Se o West Ham for rebaixado, nós, os contribuintes, a Prefeitura, podemos perder até £2.5 milhões por ano", disse Khan. Ele instou até mesmo os torcedores rivais a apoiarem os Hammers: "O que digo aos londrinos que não torcem para o Tottenham é que vocês provavelmente deveriam torcer para o West Ham, porque o contribuinte perderá se o West Ham cair".
Khan não se conteve ao culpar seu antecessor. Ele classificou o acordo original como "o pior acordo imaginável", um sentimento ecoado por críticos que há muito argumentam que o público saiu perdendo. Os custos operacionais do estádio, incluindo a segurança nos dias de jogo, são parcialmente financiados pelos contribuintes, e esses custos aumentariam com o maior número de jogos em casa no Championship (23) em comparação com a Premier League (19).
As implicações financeiras vão além do aluguel. Espera-se que as receitas comerciais geradas pelo estádio diminuam na segunda divisão. Acordos de patrocínio, vendas de hospitalidade e receita de merchandising provavelmente seriam afetados. Para o West Ham, um clube que investiu pesadamente em contratações para competir na Premier League, a perda da receita televisiva da primeira divisão pode ser devastadora.
O rebaixamento também forçaria uma reformulação do elenco. Muitos jogadores estrela têm cláusulas que permitem que saiam, e o clube precisaria reduzir sua folha salarial. Os pagamentos de paraquedas projetados para amenizar o golpe seriam cruciais, mas não cobrem totalmente a diferença. O ônus de £2.5 milhões para os contribuintes é apenas uma peça de um quebra-cabeça financeiro mais amplo que pode afetar a economia londrina em geral.
O Estádio de Londres, um local de atletismo convertido, tem enfrentado críticas quanto à atmosfera e visibilidade. Um rebaixamento do West Ham pode reabrir debates sobre sua viabilidade a longo prazo e o legado dos Jogos de 2012. Houve conversas periódicas sobre alternativas, mas o clube está preso ao contrato até 2115. Com uma temporada no Championship, o estádio receberia mais eventos, mas geraria menos receita premium.
Em campo, as situações das equipes adicionam drama. O destino do West Ham agora depende do resultado de um dérbi londrino entre os rivais Tottenham e Chelsea. Um ponto para o Spurs rebaixaria o West Ham, um cenário que adiciona uma camada de ironia dado o apelo brincalhão de Khan para que torcedores não-spurs apoiem os Hammers. Enquanto isso, a última partida do West Ham pode se tornar um jogo de pouca importância se seu destino for selado no meio da semana.
O contexto mais amplo são as vastas disparidades financeiras da Premier League. Cair para o Championship significa uma perda de pelo menos £60 milhões em distribuições centrais, mesmo com os pagamentos de paraquedas. Para um clube que oscilou entre divisões, o medo de uma estadia prolongada fora da elite é real. O aspecto do contribuinte destaca como acordos público-privados de estádios podem sair pela culatra.
Olhando para o futuro, a diretoria do West Ham enfrenta decisões difíceis independentemente da divisão. Se permanecerem, será necessário reinvestimento para evitar outra luta contra o rebaixamento. Se caírem, devem equilibrar a redução de custos com a necessidade de retornar rapidamente. O déficit anual de £2.5 milhões para os londrinos ressalta os destinos entrelaçados do futebol e das finanças públicas.
A situação também gerou debate sobre a governança de estádios construídos com dinheiro público. Críticos argumentam que tais acordos frequentemente subvalorizam ativos públicos e sobrecarregam comunidades com passivos ocultos. A saga do Estádio de Londres serve como um conto de advertência para futuros projetos de infraestrutura vinculados a equipes esportivas profissionais.
Por enquanto, todos os olhos estão em Stamford Bridge na terça-feira à noite. O resultado determinará se os londrinos enfrentarão esse aumento inesperado de impostos ou respirarão aliviados. Para os torcedores do West Ham, o que está em jogo é ainda maior: seu status na primeira divisão e a saúde financeira de seu clube estão em jogo.
Com base em reportagens da BBC Sport.