O tão aguardado desfile do troféu da Premier League do Arsenal pelas ruas do norte de Londres foi tanto uma celebração do domínio doméstico quanto uma declaração desafiadora de intenções após a dolorosa derrota na final da Champions League para o Paris Saint-Germain. Centenas de milhares de torcedores alinharam a rota enquanto o time de Mikel Arteta, acompanhado pela equipe feminina do clube com sua própria Copa dos Campeões da FIFA, aproveitavam a alegria de um primeiro título desde 2004. Mas a dor persistente de uma derrota nos pênaltis em Budapeste, onde o pênalti perdido de Gabriel Magalhães deu ao PSG seu segundo título europeu consecutivo, pairava no ar, refratada pelas palavras desafiadoras do meio-campista Declan Rice.
Rice, que marcou seu próprio pênalti na disputa, pegou um microfone durante o desfile e cantou 'Set-piece FC' antes de prometer que o Arsenal voltaria ainda mais faminto. 'Falando com os jogadores e o técnico, não há razão para pararmos aqui', disse ele. 'Na próxima temporada vamos ficar ainda mais fortes e estamos prontos novamente. Ver a alegria que podemos proporcionar às pessoas é louco. Ano que vem, voltaremos para mais'. Suas palavras ecoaram o clima coletivo: decepção por ficar a um passo de uma dobradinha histórica, mas uma crença feroz de que este elenco está apenas começando a explorar seu potencial.
A mensagem do técnico após a final foi de amor e resiliência. Arteta, que falou com os jogadores logo após o jogo, disse que amava todos eles e os incentivou a manter a cabeça erguida. Rice descreveu Arteta como uma figura para quem os jogadores 'recorrem 100% em busca de orientação e força' e creditou sua liderança como uma força motriz por trás da conquista do título. O vínculo entre técnico e elenco era evidente quando Arteta, usando óculos escuros e com o braço ao redor do capitão Martin Ødegaard, disse à multidão: 'Vocês criaram isso. Este é o momento de vocês para desfrutarem juntos'.
O desfile foi um momento de libertação comunitária após anos de quase conquistas. O Arsenal não vencia a liga desde os Invencíveis de 2003-04, e só havia chegado à final da Champions League uma vez antes, em 2006, uma derrota para o Barcelona. A campanha desta temporada até a final, a primeira em duas décadas, fez com que acumulassem mais partidas de Champions League sem vencer a competição do que qualquer outro clube, um recorde que ressalta o tamanho da tarefa ainda pela frente. No entanto, a visão de Rice e da contratação de verão Eberechi Eze posando com o troféu da Premier League falava de uma nova era de ambição e investimento dando resultados.
Mesmo dentro da celebração, a ferida da Champions League ainda estava aberta. Gabriel, imenso durante toda a final para ajudar a conter o ataque do PSG, escreveu no Instagram que perder o pênalti decisivo foi 'doloroso', mas acrescentou: 'Tenho orgulho deste time. Obrigado aos nossos incríveis torcedores. Vejo vocês na próxima temporada'. Kvaratskhelia, a estrela do PSG, foi nomeado jogador da competição, enquanto Gabriel, Rice e o goleiro David Raya ganharam lugares no time da temporada da UEFA — um testemunho da qualidade do Arsenal mesmo na derrota.
A afirmação de Rice de que o melhor ainda está por vir é sustentada pela profundidade do talento que está surgindo no clube. Ele apontou para o empolgante Max Dowman, de 16 anos, que personifica uma espinha dorsal juvenil que já inclui jogadores como Myles Lewis-Skelly. Lewis-Skelly, ainda com apenas 19 anos, admitiu que as celebrações foram tingidas de frustração por perder a chance de se juntar a um grupo inglês de elite que conquistou títulos nacionais e europeus na mesma temporada. 'É decepcionante estar tão perto de um sonho e sentir que faltou um pouco', disse ele. 'Mas Mikel disse que é combustível para o fogo. Parece o começo de uma nova era'.
As implicações internacionais para as estrelas do clube são imediatamente urgentes. Rice está prestes a perder o primeiro jogo de preparação da Inglaterra para a Copa do Mundo contra a Nova Zelândia, com alguns dias de folga antes de se juntar ao campo de treinamento de Thomas Tuchel em Miami — o jogador de 27 anos tendo acumulado mais minutos do que qualquer jogador de linha do Arsenal nesta temporada. Lewis-Skelly, apesar de suas impressionantes atuações no meio-campo, ficou de fora do elenco de Tuchel por completo, uma decisão que adicionará uma camada de motivação enquanto ele procura consolidar seu lugar na equipe principal.
Olhando para frente, a narrativa em torno do Arsenal mudou de candidatos esperançosos para um time que se espera que compita em todas as frentes. A derrota na final da Champions League, por mais dolorosa que seja, não apaga o progresso feito sob Arteta: uma identidade tática clara, um elenco que combina experiência com juventude prodigiosa, e uma torcida reenergizada após uma geração de espera. A promessa de Rice de 'ficar ainda mais forte' estabelece uma meta alta, mas as fundações parecem sólidas. A janela de transferências de verão, combinada com o desenvolvimento contínuo de talentos como Dowman, pode diminuir ainda mais a distância para a elite europeia.
Historicamente, a história do Arsenal tem sido de longevidade na Champions League sem o prêmio máximo — mais de 200 partidas sem levantar o troféu. Esta aparição na final, embora terminada em lágrimas, quebrou uma seca de 20 anos e provou que o clube pode navegar pelas fases finais. O desafio agora é tratar Budapeste não como um destino, mas como um ponto de passagem. A calma de Arteta após o jogo e a determinação pública do elenco sugerem que uma mudança de mentalidade está em andamento.
O desfile em si, um percurso de cinco milhas por Islington e Holloway, foi uma demonstração vívida do que o sucesso significa para uma comunidade. Centenas de milhares compareceram, muitos jovens demais para se lembrar de 2004, reforçando a ideia de que este triunfo é um reinício cultural. Como Arteta disse, os torcedores 'criaram isso' — e o vínculo entre a arquibancada e o time nunca foi tão forte.
Por toda a alegria do título da liga, o quase sucesso da Champions League perdurará como combustível. O momento de Rice no microfone, a mensagem chorosa de Gabriel nas redes sociais e o discurso de Lewis-Skelly sobre uma nova era apontam para um grupo que se recusa a ser definido por uma derrota. Com o troféu da Premier League finalmente de volta à vitrine, a fome agora se volta totalmente para a Europa — uma busca que definirá o próximo capítulo do projeto de Arteta.
Baseado em reportagens do The Guardian.