O famoso sistema de base do Athletic Club sempre foi uma porta giratória de talentos, e este verão não é exceção, já que o clube anunciou uma grande limpeza em suas equipes reservas. Os elencos do Bilbao Athletic e do Basconia sofrerão uma onda de saídas, encabeçadas por jogadores que um dia estiveram às portas do time principal. A decisão nos lembra a impiedosa exigência de Lezama, onde apenas os melhores sobrevivem ao implacável processo.
O zagueiro Jon de Luis é o nome mais proeminente na lista de saídas. O jovem de 23 anos chegou do Osasuna no verão de 2023 como parte de uma tripla contratação que incluiu Jelbat e Gift. Enquanto seus dois compatriotas já saíram — apenas Gift permanece no clube —, a saída de De Luis ecoa por sua recente proximidade com o time principal. Lesões de defensores consolidados o levaram a ser convocado para partidas da Champions League, uma clara indicação de que Ernesto Valverde o considerava uma opção de emergência viável. No entanto, a decisão do clube de não mantê-lo sugere que suas atuações não convenceram a hierarquia de que ele poderia dar o salto definitivo. "Estar no banco na Europa é uma coisa, mas garantir uma vaga regular é outra completamente diferente", comentou uma fonte próxima à comissão técnica. "O clube acredita que tem opções melhores surgindo".
A história do trio contratado em 2023 serve como um alerta sobre a dificuldade de entrar no time principal do Athletic. Jelbat, Gift e De Luis chegaram com promessas, mas encontraram o caminho bloqueado por estrelas consolidadas e produtos da base emergentes. Com Jelbat já fora e agora De Luis seguindo o mesmo caminho, Gift permanece como o último remanescente daquela leva. Sua sobrevivência é um testemunho de sua adaptabilidade, mas a pressão será imensa para justificar a confiança do clube. A filosofia do Athletic, que restringe o recrutamento a jogadores de origem basca ou formação, significa que cada contratação é um risco calculado e a taxa de fracasso é alta.
A saída do ponta Endika Buján carrega um pesar sentimental particular. O talento local veio do Barakaldo e viveu um momento de conto de fadas em fevereiro de 2025, quando Valverde lhe deu a estreia no San Mamés contra o Girona. Foram seus únicos minutos com a camisa vermelha e branca, mas simbolizaram o sonho que alimenta cada jogador da base. No entanto, os sonhos frequentemente colidem com a realidade, e a decisão do clube de liberá-lo sublinha a lacuna entre uma estreia sentimental e a qualidade consistente exigida na LaLiga. "Aquela noite contra o Girona foi especial, mas a comissão técnica espera mais do que momentos fugazes", observou um informante de Lezama. Buján agora terá que reconstruir sua carreira em outro lugar, provavelmente nas divisões inferiores.
A limpeza vai além dos nomes de destaque. O Bilbao Athletic também se despede de Irurita, Gamen e Iker Aldai. Aldai, um defensor que passou a temporada emprestado pelo Eibar, fez 28 aparições pela equipe reserva, mas retornará ao seu clube de origem sem uma transferência permanente. Além disso, os emprestados Gastesi e Elías, que passaram a temporada no Arenas e no Amorebieta respectivamente, foram informados de que não retornarão a Lezama. Essas decisões fazem parte de um processo de avaliação sistemático que não deixa espaço para sentimentalismo. Cada jogador é julgado por sua capacidade de eventualmente contribuir para o time principal, e para esses sete, o veredito foi claro.
O Basconia, equipe alimentadora da terceira divisão, também sofre uma poda de talentos. Gaizka Alboniga-Menor, David Osipov e Iker Galindo estão entre os que saem, junto com os emprestados Ander Fernández e Unai Garcés. Embora esses nomes não sejam conhecidos do grande público, suas saídas refletem o constante processo de filtragem que define a base do Athletic. Para cada Iñaki Williams ou Oihan Sancet que surge, dezenas ficam pelo caminho. O modelo do clube exige produzir talento de elite a partir de um grupo limitado, e isso significa tomar decisões difíceis cedo para não bloquear o caminho de outras promessas mais promissoras.
As implicações desse corte no elenco são múltiplas. Para os jogadores, é um momento duro, mas esperado, que os força a buscar novos desafios, muitas vezes na Segunda B ou ligas regionais, onde podem provar seu valor e talvez um dia retornar para assombrar seu ex-clube. Para o Athletic, abre espaço no elenco e recursos financeiros — modestos que sejam — para investir na próxima leva de jovens. O clube já identificou vários talentos dos juniores e juvenis que devem assumir as vagas. A linha de produção nunca para; apenas muda de pessoal.
Do ponto de vista tático, a saída de De Luis sugere que o clube está satisfeito com sua profundidade defensiva central. Com jogadores consolidados como Dani Vivian e Aitor Paredes, além do surgimento de jovens promessas, a necessidade de um quarto ou quinto zagueiro que só pudesse preencher em crises era mínima. Suas convocações para a Champions nasceram da necessidade, não de um plano de longo prazo. A liberação de Buján, por sua vez, aponta para uma abundância de opções nas pontas tanto no time principal quanto no B, com jogadores como Nico Williams, Alex Berenguer e talentos emergentes bloqueando o caminho.
Olhando para o futuro, o Athletic Club agora se concentrará na temporada 2026-27, com Valverde e o diretor esportivo Mikel González continuando a ajustar um elenco que se tornou um competidor regular na Europa. As lições dessa limpeza são evidentes: mesmo aqueles que provam um pouco da elite não podem relaxar. As exigências são implacáveis e a competição por vagas é mais feroz do que nunca. Como observou um veterano acompanhante do clube: "Lezama é uma forja, não um museu. Cria, mas também descarta".
Para os jogadores que saem, o futuro é incerto, mas não necessariamente sombrio. Muitos encontrarão oportunidades em outros clubes onde possam conseguir minutos regulares e reacender suas carreiras. De Luis, aos 23 anos, tem tempo a seu favor, e sua experiência na Champions pode ser atraente para times da Segunda Divisão. Buján, com suas lembranças de estreia, será um ativo valioso para qualquer equipe disposta a investir em seu desenvolvimento. O ecossistema do futebol basco é muito unido, e as portas frequentemente se reabrem de maneiras inesperadas.
No final, essa poda é o pão de cada dia para o Athletic Club, um clube onde identidade e desempenho estão intrinsecamente ligados. As saídas de Jon de Luis, Endika Buján e dos demais não são anomalias; são a consequência natural de um sistema que exige o melhor. Enquanto o clube vira a página, a mensagem para a próxima geração é clara: aproveite sua chance, porque pode ser a única que você terá.
Baseado em informações do Marca.