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Saint-Étienne-Nice 0-0: Sexta-feira decide o destino da

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Um empate em 0-0 no playoff da Ligue 1 deixa Saint-Étienne e Nice em igualdade. A lesão na mandíbula de Boudaoui e a suspensão de Wahi aumentam o drama para a

Em um confronto tenso e muitas vezes sonífero, Saint-Étienne e Nice empataram sem gols no jogo de ida do playoff de promoção/rebaixamento da Ligue 1/Ligue 2 no Stade Geoffroy-Guichard na terça-feira. O resultado deixa tudo em aberto para o jogo de volta na sexta-feira no Allianz Riviera, onde o vencedor garantirá um lugar na elite do futebol francês para a temporada 2026-27.

O contexto não poderia ser mais contrastante para as duas equipes. O Saint-Étienne, um clube histórico com dez títulos da Ligue 1, está desesperado para voltar à elite após vários anos de turbulência. O Nice, por sua vez, luta para evitar o rebaixamento após uma campanha doméstica decepcionante, apesar de ter alcançado as fases finais de uma competição europeia há apenas uma temporada. O fato de esses times se enfrentarem em um playoff de alto risco ressalta as margens estreitas no futebol francês.

Desde o primeiro apito, o peso da ocasião pareceu sufocar a criatividade. Ambas as equipes jogaram com cautela, temendo cometer um erro decisivo. O primeiro tempo ofereceu quase nada em termos de futebol ofensivo. Os únicos momentos dignos de nota giraram em torno de decisões da arbitragem que poderiam ter alterado a dinâmica. Aos 34 minutos, uma entrada sobre o jovem atacante do Saint-Étienne, Luan Gadegbeku, dentro da área gerou pedidos de pênalti, mas o árbitro os ignorou. Minutos depois, uma sola de Lucas Stassin em Peprah Oppong novamente ficou impune, enfurecendo a torcida da casa.

O padrão de jogo foi tão escasso em ações ofensivas que os gols esperados (xG) acumulados de toda a partida mal registraram 0,41 combinados, com zero chutes a gol em 11 tentativas. Uma estatística que evidenciou o impasse tático.

Após o intervalo, houve um aumento marginal na intensidade, impulsionado principalmente pelos donos da casa. Impulsionados por uma atmosfera fervorosa no Geoffroy-Guichard, o Saint-Étienne brevemente mostrou sinais de vida. Zuriko Davitachvili criou um momento de classe com um drible de letra antes de finalizar rente à trave oposta. Momentos depois, Augustine Boakye soltou uma forte voleio que assobiou por cima do travessão. Maxime Bernauer também ameaçou durante esse momento de inspiração, mas a finalização faltou precisão para quebrar o empate.

O Nice, por sua vez, esteve notoriamente inofensivo. Já sem Elye Wahi, seu principal talento ofensivo, suspenso, mal conseguiu articular qualquer jogo ofensivo coerente. O técnico Claude Puel havia depositado suas esperanças na velocidade de Mohamed-Ali Cho, mas o ponta foi efetivamente anulado pela dupla de zaga central formada por Julien Le Cardinal e Maxime Bernauer. A incapacidade de Cho em influenciar o jogo epitomizou uma atuação coletiva tão estéril quanto decepcionante.

Agravando os problemas do Nice, a lesão precoce do meio-campista Hicham Boudaoui. Apenas dez minutos de jogo, o internacional argelino sofreu uma colisão violenta — a natureza exata não ficou clara imediatamente — que lhe causou uma grave lesão na mandíbula. Após tentar continuar, foi substituído por Charles Vanhoutte, e as imagens do incidente foram alarmantes. A gravidade do golpe agora coloca em séria dúvida sua participação no jogo de volta. Se o protocolo de concussão for acionado, ele estará totalmente descartado, desferindo mais um golpe na preparação do Nice. A lesão também lança uma sombra sobre sua preparação para a campanha da Argélia na Copa do Mundo, um revés pessoal devastador.

O jogo de volta na sexta-feira será disputado em condições muito diferentes. Enquanto o Chaudron rugiu com paixão, o Allianz Riviera estará vazio após os distúrbios da torcida que mancharam o último jogo em casa do Nice na temporada regular contra o Metz. Jogar com portões fechados é uma faca de dois gumes: elimina a vantagem de casa em que o Nice poderia ter confiado, mas também pode aliviar um pouco a pressão sobre uma equipe que tem tido dificuldades para atuar diante de seus próprios torcedores.

Para o Saint-Étienne, a tarefa é simples: eles precisam encontrar uma maneira de marcar em Nice, algo que não conseguiram em 90 minutos do jogo de ida. O gol sofrido em casa é um pequeno positivo, mas gols fora de casa ainda contam neste playoff, então um empate com gols seria suficiente para subi-los. O Nice, por outro lado, precisa de uma vitória de qualquer tipo para manter seu status na Ligue 1. O que está em jogo não poderia ser maior.

Dada a qualidade exibida — ou a falta dela — no primeiro encontro, poucos se surpreenderiam se a decisão fosse para a prorrogação ou até mesmo para os pênaltis. Ambas as equipes mostraram que podem ser defensivamente sólidas, mas a ausência de figuras ofensivas chave como Wahi e possivelmente Boudaoui pode sufocar ainda mais a criação de gols. A partida de xadrez de 180 minutos está longe de terminar, e as margens estreitas sugerem que um momento de inspiração ou um erro catastrófico provavelmente decidirá o resultado.

Enquanto os dois clubes se preparam para o encontro decisivo, a tensão é palpável. O Saint-Étienne busca redenção, enquanto o Nice luta para evitar a ignomínia do rebaixamento. A noite de sexta-feira revelará qual equipe consegue lidar com a pressão e garantir seu lugar entre a elite francesa.

Baseado em reportagens do L'Equipe.