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Torreense se junta a 5 clubes da Segunda Divisão que

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Torreense venceu a Taça de Portugal mas não conseguiu o acesso, então jogará a Europa League da segunda divisão, juntando-se a Wigan, Birmingham e outros

Torreense viveu uma semana de extremos altos e baixos que definirão sua próxima temporada. O pequeno clube de Torres Vedras, uma cidade de 80.000 habitantes ao norte de Lisboa, surpreendeu o futebol português ao derrotar o gigante Sporting CP por 2-1 após a prorrogação na final da Taça de Portugal. Foi um triunfo histórico, garantindo seu primeiro grande troféu e uma cobiçada vaga na Europa League 2026-27. No entanto, poucos dias depois, sofreram uma derrota esmagadora por 2-0 para o Casa Pia no jogo de volta do playoff de acesso (após um empate por 0-0 no jogo de ida), condenando-os a mais uma campanha na Liga Portugal 2. O resultado cria um cenário extraordinário: o Torreense competirá na Europa enquanto tenta escapar da segunda divisão.

Este raro status duplo coloca o Torreense entre um pequeno grupo de clubes desde 2010 que jogaram em competições da UEFA sem estar na primeira divisão de seu país. Os desafios são imensos — profundidade do elenco, congestionamento de partidas e o desgaste psicológico de equilibrar as ambições de acesso com as aventuras continentais. A história mostra que tais campanhas muitas vezes terminam sem glória, mas as recompensas financeiras e emocionais podem ser significativas para clubes deste porte.

Um dos casos mais incomuns é o do FC Vaduz, o clube da capital de Liechtenstein. Apesar de jogar dentro do sistema de ligas suíço, o Vaduz se classifica para a Europa através da Copa de Liechtenstein. Em 2022, enquanto competia na segunda divisão suíça, venceu a copa nacional e avançou por três rodadas classificatórias para chegar à fase de grupos da Europa Conference League. Sorteado contra AZ Alkmaar, Dnipro-1 e Apollon Limassol, o Vaduz lutou muito, terminando em último do grupo com apenas dois empates e quatro derrotas. Sua experiência ilustra a diferença entre a resiliência da segunda divisão e o nível de competição europeu.

A temporada de 2016 do FC Zurich espelhou em muitos aspectos a do Torreense. Após ser rebaixado da Super Liga Suíça, eles imediatamente venceram a Copa da Suíça, garantindo uma vaga na fase de grupos da Europa League. Ainda na segunda divisão quando a fase de grupos começou, o Zurich conseguiu um respeitável terceiro lugar atrás de Osmanlispor e Villarreal, somando seis pontos com uma vitória, três empates e duas derrotas. Embora não tenham avançado, suas atuações competitivas sugeriram um elenco capaz de mais, embora as demandas duplas provavelmente tenham afetado sua busca pelo acesso.

O futebol inglês forneceu dois exemplos memoráveis. Em 2013, o Wigan Athletic venceu a FA Cup ao derrotar o Manchester City, mas foi rebaixado da Premier League logo depois. Competindo na Europa League 2013-14 como um time da Championship, o Wigan terminou em último em um grupo contendo Rubin Kazan, Maribor e Zulte-Waregem, somando apenas cinco pontos. Da mesma forma, o Birmingham City levantou a Copa da Liga em 2011, mas caiu para a Championship. Sua campanha europeia foi mais encorajadora: terminaram em terceiro com 10 pontos, angustiosamente um ponto atrás do Club Brugge e do Sporting Braga, e à frente do Maribor. O quase sucesso do Birmingham mostrou que times da segunda divisão podiam ser competitivos, mas a profundidade necessária acabou cobrando seu preço.

O caminho do Lausanne-Sport foi único: eles nem precisaram ganhar um troféu para se classificar. Em 2010, enquanto estavam na segunda divisão suíça, chegaram à final da Copa da Suíça, mas perderam por 6-0 para o FC Basel. Como o Basel já havia garantido uma vaga na Champions League via liga, a vaga na Europa League passou para o Lausanne. Seu grupo, com CSKA Moscou, Sparta Praga e Palermo, mostrou-se forte demais; o Lausanne terminou em último com um único ponto em seis partidas, sofrendo cinco derrotas. Isso sublinhou a dura realidade de que apenas chegar à Europa já é uma conquista, mas competir exige mais do que sucesso passageiro.

Esses precedentes destacam temas recorrentes: a dificuldade de manter a forma em duas frentes exigentes, a falta de profundidade do elenco que os clubes da primeira divisão tomam como garantida, e a luta para atrair reforços dispostos a se juntar a um projeto de segunda divisão. O benefício financeiro da participação europeia — prêmios em dinheiro, venda de ingressos e receitas de TV — pode ser transformador, mas raramente se traduz em resultados em campo contra adversários continentais experientes.

Para o Torreense, a temporada 2026-27 será um ato de equilíbrio. Eles precisam navegar um calendário de liga de 34 jogos enquanto provavelmente entram na Europa League na rodada de play-off ou fase de grupos, exigindo intensas viagens e preparação durante a semana. A diretoria do clube enfrenta decisões difíceis sobre investimento no elenco e priorização. Enquanto o sonho de receber gigantes europeus no modesto Estádio Manuel Marques cativará a comunidade local, o risco de esgotamento e uma posição no meio da tabela se avizinha. O sentimento no clube é de otimismo cauteloso, com a esperança de que o espírito vencedor da Copa possa carregá-los através da campanha dupla.

Enquanto o Torreense embarca nesta jornada sem precedentes, ele segue os passos de clubes que experimentaram momentos fugazes de magia europeia, mas no final acharam a vida dupla muito desgastante. A lição da história é clara: a ambição deve ser acompanhada de planejamento cuidadoso e uma dose de sorte. Independentemente do resultado, sua conquista ao vencer a Copa garante que a campanha 2026-27 será lembrada muito após o apito final. Com base em reportagens da L'Equipe.