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Tribunal brasileiro proíbe políticos de despejar lixo em

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Um tribunal do Ceará concedeu uma liminar proibindo o deputado federal André Fernandes e o vereador Marcelo Mendes de repetirem seu ato de jogar lixo em frente

Em uma medida legal decisiva, o Tribunal Ambiental do Estado do Ceará interveio para interromper um protesto político que ultrapassou o limite ilegal. O tribunal emitiu uma liminar em 27 de abril, proibindo o deputado federal André Fernandes (PL-CE) e o vereador Marcelo Mendes (PL) de despejar lixo em qualquer prédio público em Fortaleza. Esta decisão responde diretamente a um incidente em 9 de abril, quando os políticos deixaram vários sacos de lixo na calçada em frente ao Paço Municipal, o histórico edifício da prefeitura da cidade.

A ação legal foi iniciada pela Prefeitura de Fortaleza, que protocolou uma petição urgente para impedir que os políticos repetissem suas ações. O juiz Edson Feitosa dos Santos Filho deferiu parcialmente este pedido, enfatizando o significado legal e cultural do local. O juiz observou que o Paço Municipal é um edifício histórico protegido oficialmente desde 2024, e que proteger tal patrimônio é uma obrigação constitucional. Qualquer ato que danifique ou desrespeite esta propriedade, mesmo simbolicamente, é considerado um dano aos direitos de toda a comunidade.

O incidente em si foi uma declaração política calculada. No início do dia 9 de abril, Fernandes e Mendes organizaram a limpeza de um parque local que os moradores reclamavam estar abandonado. Em seguida, transportaram os resíduos e entulhos coletados para a frente da Prefeitura, despejando-os ali como um protesto contra o que descreveram como serviços atrasados de coleta de lixo pelo governo municipal. Fernandes documentou toda a ação em um vídeo postado em seu Instagram, enquadrando-a como um "mutirão" ou esforço de limpeza comunitária que "estava entregando o lixo na Prefeitura".

Este protesto faz parte de um conflito político mais amplo. Tanto Fernandes quanto Mendes são membros do partido de oposição PL, usando frequentemente as redes sociais para criticar a administração do prefeito Evandro Leitão do partido PT, bem como o governo estadual. A Prefeitura, no entanto, caracterizou o despejo de lixo como um mero "ato de marketing político" e respondeu rapidamente. A Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) emitiu sete autuações separadas contra os políticos, citando infrações incluindo descarte ilegal de resíduos, prestação de serviço público sem licença, danos ao patrimônio público e obstrução da passagem pública.

A cidade também reportou um custo tangível para o ato. A operação de limpeza exigiu o desvio de equipes de saneamento de suas rotas regulares, gerando um custo operacional de R$ 1.400. Segundo a Agefis, um total de 20 sacos de lixo foram deixados no local. Na sequência, o prefeito Leitão condenou publicamente o ato, afirmando que os políticos foram "flagrados" pelas câmeras de vigilância da cidade e seriam responsabilizados legalmente, esperando que o caso sirva de exemplo.

A decisão do tribunal, no entanto, é apenas um passo preliminar. O juiz não decidiu de imediato sobre os pedidos adicionais da Prefeitura para multar os políticos em R$ 100.000 e ordenar que eles excluíssem os vídeos de suas contas de redes sociais. Essas questões serão consideradas mais adiante no processo legal em andamento, após a defesa de Fernandes e Mendes ter a oportunidade de apresentar seus argumentos. De acordo com os relatos mais recentes, o gabinete do deputado não respondeu aos pedidos de comentário, e a defesa do vereador não pôde ser localizada.

Com base em reportagens do g1.