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Tribunal ordena soltura de ginecologista de 81 anos acusado de abuso sexual durante parto de paciente

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Um ginecologista de 81 anos no Paraná, Brasil, foi preso por suposto abuso sexual de uma paciente em trabalho de parto, mas foi solto por ordem judicial devido à sua idade, o que também reduziu o prazo prescricional.

Em um caso que chocou a comunidade médica do Paraná, Brasil, um ginecologista de 81 anos chamado Felipe Lucas foi preso na quarta-feira. A prisão decorreu de acusações de que ele abusou sexualmente de uma paciente que estava em trabalho de parto ativo em uma unidade em Teixeira Soares. As acusações são graves, com o médico sendo denunciado por estupro de vulnerável, pois as autoridades acreditam que ele explorou a condição da paciente para impedir qualquer resistência.

A situação tomou um rumo dramático apenas um dia depois. Na quinta-feira, o judiciário emitiu uma decisão para soltar o médico da prisão preventiva. A decisão veio após uma petição bem-sucedida de seus advogados de defesa, que argumentaram que a prisão era injusta e desnecessária. Seus principais argumentos foram que o médico estava apenas realizando um procedimento obstétrico de rotina e que os supostos incidentes sob investigação ocorreram aproximadamente 15 anos antes.

Um fator crítico na decisão do tribunal foi a idade avançada do réu. Como o Dr. Lucas tem mais de 70 anos, a lei brasileira determina que o prazo prescricional para o caso seja automaticamente reduzido pela metade. Essa disposição legal reduziu efetivamente o limite de tempo para o processo dos 20 anos padrão para 10 anos, uma redução significativa que influenciou o cálculo judicial sobre sua detenção contínua.

A denúncia inicial que desencadeou a investigação veio de uma mulher de 24 anos. Ela relatou à polícia que durante um exame ginecológico no início de fevereiro, o médico realizou massagens íntimas inadequadas, afirmando falsamente que era uma técnica médica para estimular a libido. Ela também descreveu a profunda humilhação de ser deixada exposta na maca de exame enquanto o médico atendia uma ligação pessoal por vários minutos. Sua denúncia formal foi registrada uma semana após o incidente, após um período de grave angústia emocional e confirmação de outros profissionais de saúde de que os procedimentos não eram padrão.

A investigação rapidamente revelou um padrão. Pelo menos outras três mulheres desde então apresentaram acusações semelhantes de abuso sexual durante exames médicos. Uma mulher relatou um incidente de 2011 e outra de 2016. Os relatos descrevem toques prolongados e inadequados e exames internos repetidos e desnecessários que causaram dor significativa. Os investigadores notaram uma convergência notável nos detalhes fornecidos por essas vítimas, que não se conhecem, sugerindo um modus operandi consistente ao longo de muitos anos.

As autoridades destacaram o passado influente do médico como uma razão-chave para a hesitação das vítimas em denunciar o abuso antes. O Dr. Lucas não é apenas um profissional médico, mas também um ex-deputado estadual, ex-prefeito e ex-vereador da região de Irati. As vítimas disseram à polícia que temiam sua influência política e acreditavam que registrar uma denúncia seria inútil. A investigação policial também revelou que o médico não fez nenhuma nota clínica para a visita da primeira vítima, uma grave violação do protocolo médico que levantou mais suspeitas.

O caso provocou ação dos órgãos de supervisão médica. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) havia homenageado anteriormente o Dr. Lucas em 2024 por completar 50 anos de prática. Após as acusações, o conselho anunciou que abriria uma investigação formal. Enquanto isso, o Ministério Público do Paraná apoiou um pedido de suspensão provisória do médico para exercer a medicina e de suas funções de saúde pública, uma decisão que ainda está pendente do tribunal estadual.

Com base em reportagens do g1.