Falando de Budapeste antes da final da Champions League, Theo Walcott fez uma previsão confiante sobre seu ex-companheiro Mikel Arteta. "Acho que ele vai continuar dominando. Acho mesmo", disse Walcott à Sky Sports. O tão esperado retorno do Arsenal ao maior palco da Europa despertou a crença de que os Gunners estão à beira de uma nova era.
Um confronto com o Paris Saint-Germain oferece a Arteta a chance de entrar para um clube exclusivo. Apenas Sir Alex Ferguson e Pep Guardiola levantaram tanto a Champions League quanto a Premier League com um time inglês. Uma vitória colocaria o espanhol ao lado desses gigantes do futebol e alcançaria o que nem Arsène Wenger, Bertie Mee e George Graham conseguiram.
Walcott, que dividiu o vestiário com Arteta de 2011 a 2016, credita a ética de trabalho incansável de seu ex-companheiro. Ele lembra como Arteta impunha hábitos rigorosos e exigia altos padrões. "Ele dava o exemplo, e sempre foi tão rigoroso com bons hábitos. Mesmo quando os jogadores não queriam fazer algo, ele garantia que você fizesse", disse Walcott. Essa disciplina reformulou a mentalidade do clube.
Os primeiros anos de Arteta foram turbulentos; dois oitavos lugares consecutivos testaram a paciência do clube. Mas a diretoria do Arsenal o apoiou, algo raro no futebol moderno. Walcott enfatizou que o apoio foi merecido: "Muitos treinadores não recebem esse tempo. O clube teve essa paciência porque o trabalho dele justificou". Aos poucos, ele reconstruiu o elenco e incutiu uma mentalidade vencedora.
As percepções sobre o Arsenal estão mudando em tempo real. Não faz muito tempo, a narrativa se concentrava no que aconteceria se Arteta não correspondesse. Agora, com um título da Premier League já garantido nesta temporada, eles enfrentam o PSG como iguais. O festival de torcedores na Praça dos Heróis ecoou com cânticos sobre a habilidade em bolas paradas, e um jovem torcedor previu com confiança uma vitória por 1 a 0 com um cabeceio de Gabriel.
A preparação contou com um toque psicológico da equipe do PSG. Luis Enrique se referiu a Arteta como "Mikelito", um aparente termo carinhoso que muitos interpretaram como depreciativo. Isso insinuava o passado compartilhado no Barcelona, onde Arteta nunca chegou ao time principal. No entanto, Arteta já derrotou Guardiola no campeonato; derrotar Luis Enrique consolidaria ainda mais sua ascensão.
Tendo testemunhado o declínio do Arsenal após a derrota na final de 2006 para o Barcelona, Walcott entende a magnitude dessa transformação. Quando saiu em 2018, o clube não era mais um habitual da Champions League. O caminho de volta ao topo da Europa foi doloroso, mas proposital, e Walcott agora vê um elenco capaz de sucesso sustentado.
No festival de torcedores em Budapeste, Walcott imitou a comemoração de Viktor Gyökeres após marcar em um jogo de futebol de cinco, encantando a multidão. No microfone, falou sobre "quando, não se" o Arsenal levantaria o troféu. A fé dos torcedores nos métodos de Arteta —especialmente sua experiência em bolas paradas— tornou-se uma marca registrada deste time.
Levantar a Champions League validaria o projeto de Arteta e o colocaria em um patamar técnico de elite. Ele se tornaria apenas o terceiro homem a conquistar a dobradinha europeia-inglesa, juntando-se a Ferguson e Guardiola. Sua transformação de meio-campista disciplinado que nunca vingou no Barcelona a treinador de classe mundial estaria completa.
Enquanto o Arsenal está à beira da imortalidade, as palavras de Walcott têm peso. Arteta transformou céticos em crentes e construiu uma máquina que, na visão de Walcott, foi feita para dominar por anos. A final contra o PSG não é apenas uma partida; é uma potencial coroação.
Baseado em reportagens da Sky Sports.