A convocação de 26 jogadores de Luis de la Fuente para a Copa do Mundo de 2026 marca uma mudança histórica: pela primeira vez, a Espanha disputará o torneio sem um único jogador do Real Madrid. A ausência de qualquer talento merengue em uma lista para um grande torneio é inédita, quebrando uma tradição que viu o clube fornecer figuras-chave ao longo de múltiplas gerações, desde Alfredo Di Stéfano até Iker Casillas e Sergio Ramos.
Entre os ausentes notáveis estão o veterano lateral-direito Dani Carvajal, o jovem zagueiro Dean Huijsen e o atacante Gonzalo García. Embora Carvajal tenha sido um pilar na defesa por anos e vencedor da Champions League, parece ter perdido espaço devido a problemas de forma ou lesões. Huijsen, que chegou ao Real Madrid com grandes expectativas após sua ascensão na Roma, fica de fora apesar de uma temporada sólida. Sua exclusão levanta sobrancelhas, dada sua versatilidade e potencial. García, um atacante promissor, também está de fora.
Em contraste, Lamine Yamal, do Barcelona, com apenas 18 anos, é incluído apesar de ter rompido o tendão da coxa esquerda em 22 de abril. A lesão o tirou dos jogos restantes do Barcelona no La Liga, mas De la Fuente está otimista quanto à sua recuperação. "Estamos muito tranquilos", afirmou o treinador. "Acho que se não houver contratempos, podemos ter quase todos disponíveis desde o primeiro jogo. O médico e o preparador físico têm visitado os clubes e conversado com eles. Estivemos coordenando... Não tenho dúvidas de que estarão prontos para o primeiro jogo, e se não, estarão prontos para o segundo".
Yamal não é a única preocupação física. Nico Williams, do Athletic Club, e Mikel Merino, do Arsenal, também estão lidando com problemas, mas De la Fuente espera que ambos estejam em forma. O treinador reconheceu a dificuldade de deixar de fora nomes estabelecidos, dizendo: "É difícil. Pensamos em todos os cenários possíveis que podem acontecer nos jogos com nossos adversários, e suas características... Escolhemos esses 26. Acho que cobrimos as necessidades da equipe... Não olho para se jogam por um time ou outro".
A convocação tem forte influência do Barcelona, com jogadores como Gavi, Pedri, Pau Cubarsí, Eric García, Dani Olmo e Ferran Torres, todos convocados. David Raya e Mikel Merino, do Arsenal; Rodri, do Manchester City; e Marc Cucurella, do Chelsea, também figuram, refletindo a crescente presença da Premier League na seleção nacional. O Atlético de Madrid contribui com Marcos Llorente e Marc Pubill, enquanto Unai Simón e Aymeric Laporte, do Athletic Club, trazem experiência.
A exclusão de jogadores do Real Madrid levanta questões sobre a direção da seleção nacional. Carvajal, apesar de seu pedigree, pode ser visto como tendo passado do auge, enquanto a omissão de Huijsen é surpreendente dado seu momento. Alguns veem como uma mudança deliberada sob De la Fuente, favorecendo juventude, habilidade técnica e um sistema tático específico que depende menos do poder tradicional. O foco recente do Real Madrid em contratações galácticas pode ter inadvertidamente criado uma desconexão com a ética da seleção nacional.
A Espanha, classificada em segundo no mundo, está no Grupo H junto com Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai. Eles abrem sua campanha em 15 de junho em Atlanta contra Cabo Verde, seguido pela Arábia Saudita em 21 de junho, também em Atlanta. Sua fase de grupos termina em 26 de junho em Guadalajara, México, contra o Uruguai, que promete ser um teste severo. Amistosos de preparação contra Iraque e Peru ajudarão a ajustar a preparação.
Os campeões mundiais de 2010 buscam melhorar sua campanha decepcionante de 2022, onde caíram nas oitavas de final para Marrocos nos pênaltis. Após seu triunfo na Eurocopa 2024, as expectativas são altas, mas a falta de representação do Real Madrid na convocação adiciona um elemento de imprevisibilidade. Historicamente, jogadores do Real Madrid foram instrumentais nos sucessos da Espanha, desde as equipes dominantes dos anos 2010 até a recente Eurocopa.
A decisão de De la Fuente também destaca o cenário em mudança do futebol espanhol, onde o talento agora está mais distribuído entre os clubes. A insistência do treinador em que não considera a filiação ao clube sugere uma abordagem meritocrática, mas a narrativa de uma convocação centrada no Barcelona inevitavelmente alimentará debates entre clube e seleção.
Enquanto a Espanha embarca em sua jornada na Copa, a condição física de Yamal e outros será monitorada de perto. A inclusão do adolescente é uma aposta que vale a pena, dadas suas habilidades de mudar o jogo, como demonstrou na Eurocopa 2024. Se ele e seus companheiros conseguirem superar as preocupações com lesões, a Espanha tem profundidade para desafiar pelo título, mesmo sem a presença do Real Madrid.
O caminho para a glória começa em Atlanta, e para De la Fuente, o foco está exclusivamente nos 26 jogadores que escolheu, não naqueles que ficaram de fora. A história julgará se a primeira convocação para a Copa sem jogadores do Real Madrid pode triunfar no maior palco.
Com base em reportagens do The Guardian.