Didier Deschamps revelará sua sétima convocação como técnico da França na noite de quinta-feira durante o telejornal da TF1, um ritual que normalmente oferece poucas surpresas. Embora o ex-capitão não seja conhecido por reviravoltas radicais em suas escolhas, seu mandato apresentou várias decisões surpreendentes que definiram a narrativa em torno dos Bleus.
O ponto de referência para surpresa no futebol francês continua sendo a inclusão de última hora de Raymond Domenech de Pascal Chimbonda antes da Copa do Mundo de 2006. Deschamps administrou suas convocações com mão firme, mas seu segundo mandato em particular foi marcado por retornos que chamaram a atenção, notadamente Karim Benzema antes da Eurocopa 2021 e N'Golo Kanté antes da Eurocopa 2024.
Geralmente, as surpresas de Deschamps são atenuadas porque a maioria de suas decisões vaza com antecedência, permitindo que a federação gerencie a opinião pública. Essa tática ajudou a amenizar as tensões em torno da exclusão de Hatem Ben Arfa da convocação para a Eurocopa 2016, apesar de uma temporada estelar em seu clube. O verdadeiro choque geralmente chega mais tarde através de substituições por lesão, mas comparamos as listas iniciais conforme anunciadas.
Em 2014, antes das desistências tardias de Mandanda, Ribéry e Grenier, a lista inicial de 23 já incluía talentos emergentes como Antoine Griezmann e Lucas Digne. O dramático playoff de qualificação para a Copa do Mundo contra a Ucrânia deixou claro que Samir Nasri e Éric Abidal ficariam de fora, então sua ausência não foi uma surpresa real.
A Eurocopa 2016 foi ofuscada por questões extracampo. Mathieu Valbuena e Benzema foram excluídos devido ao escândalo do sextape, enquanto Mamadou Sakho foi suspenso temporariamente por doping—uma punição posteriormente anulada. O verdadeiro assunto foi Ben Arfa, que havia marcado 17 gols na Ligue 1 pelo Nice. Embora muitos considerassem sua exclusão injusta, não era inesperada dadas as preferências táticas de Deschamps.
Quatro anos depois, o time campeão mundial de 2018 ofereceu pouco drama, exceto pela inclusão de Steven Nzonzi no lugar de Adrien Rabiot. Rabiot havia famosamente escrito ao técnico recusando um papel de reserva, selando efetivamente seu destino. A ausência de Alexandre Lacazette também levantou sobrancelhas após seu recente doblete contra a Alemanha, mas Deschamps manteve seu esquema de confiança.
A reviravolta mais impressionante veio antes da Eurocopa 2021 com o retorno de Benzema após mais de cinco anos de exílio. Rumores circularam na noite anterior, mas a confirmação ainda causou choque no futebol francês. A mesma lista também apresentou o estreante Jules Koundé, insinuando uma mudança geracional.
O ciclo da Copa do Mundo de 2022 foi relativamente estável até que lesões forçaram mudanças tardias. A maior parte da equipe inicial era previsível no outono. Então, em maio de 2024, poucos anteciparam o retorno de Kanté, agora atuando na Arábia Saudita. Sua inclusão desafiou a sabedoria convencional sobre o nível competitivo, enquanto Bradley Barcola ganhou sua primeira convocação em meio a crescentes especulações da mídia.
Enquanto Deschamps se prepara para anunciar sua mais recente convocação, a linha entre surpresa genuína e mero ajuste é muito tênue. Ele vai se apoiar em veteranos comprovados ou dar chances a jovens? A única certeza é que qualquer nome verdadeiramente inesperado provocará debate imediato. A história de Deschamps sugere que qualquer surpresa será calculada, não caprichosa, projetada para atender a uma necessidade tática específica ou recompensar a forma, mesmo que essa forma venha de uma liga não ortodoxa.
Até agora, as surpresas de Deschamps raramente foram aleatórias; são decisões calculadas visando equilibrar a harmonia do elenco e a necessidade tática. O anúncio desta noite testará se ele segue seu padrão cauteloso ou entrega um choque genuíno. A pressão para uma campanha bem-sucedida na Eurocopa 2024 é grande, e cada escolha de convocação será examinada em busca de pistas sobre sua estratégia. Com base em relatos do L'Equipe.