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A transferência de Figo em 2000: A promessa de €60 milhões

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A promessa de Florentino Pérez em 2000 de contratar Luis Figo por €60 milhões do Barcelona transformou o Real Madrid, estabelecendo um novo padrão para

A presidência do Real Madrid sempre foi um ímã para personalidades ambiciosas, cada uma prometendo elevar o clube a alturas sem precedentes. Desde que Santiago Bernabéu faleceu em 1978, o processo eleitoral tornou-se um teatro de grandes visões, com candidatos disputando o poder através de promessas audaciosas. A primeira eleição pós-Bernabéu viu Luis de Carlos, o candidato da continuidade, garantir a vitória, mas foi Ramón Mendoza quem logo incorporaria a mistura de carisma e controvérsia que define o cargo. O mandato de Mendoza foi marcado por alegações extravagantes — ele uma vez declarou que ser presidente do Real Madrid era mais importante que ser ministro do governo — e uma propensão para o espetacular, sobrevivendo até mesmo a acusações de ligações com a KGB.

Ao longo dos anos 1980 e início dos anos 1990, as eleições tornaram-se cada vez mais extravagantes. Candidatos surgiam de todas as esferas: um ginecologista prometendo maior representação feminina, um florista da Rua Velázquez, e até mesmo o popular comediante Juanito Navarro, que admitiu não ter chances mas queria “dar-lhes o que falar”. Em 1991, a disputa entre Mendoza e o jornalista Alfonso Ussía desceu a insultos pessoais — Mendoza rotulou seu oponente de “senhor humorista”, enquanto Ussía o chamou de escolha “masoquista”. As promessas giravam em torno de expansões de estádio, centros comerciais e contratações de estrelas como Gullit ou Schuster, muitas das quais nunca se materializaram.

Mas foi em 1995 que Florentino Pérez entrou pela primeira vez na disputa, um empresário com uma abordagem metódica que colidia com a teatralidade de Mendoza. Apesar de perder por uma margem mínima — 15.203 votos contra 14.505 — Pérez havia sinalizado sua intenção. Ele criticou a gestão de Mendoza, notando em particular que alguns de seus endossos vinham de sócios falecidos. Essa derrota apenas aguçou sua determinação.

Para as eleições de 2000, Florentino Pérez havia refinado sua estratégia. Ele entendeu que os sócios do clube ansiavam não apenas por troféus, mas por um espetáculo — e ele entregou a promessa definitiva. Ele se comprometeu que, se eleito, traria Luis Figo, o icônico ponta do Barcelona e símbolo do amargo rival, para o Bernabéu. Foi um acordo de cláusula de rescisão de €60 milhões, inédito na época por sua ousadia e traição de lealdades. O pré-acordo foi assinado antes da votação: o entorno de Figo recebeu uma quantia independentemente do resultado, efetivamente vinculando-o à transferência se Pérez vencesse.

Quando Pérez triunfou, o mundo do futebol ficou atônito. Figo, que recentemente estava no auge de seu poder com o Barcelona e era adorado no Camp Nou, vestiu a camisa branca dias depois. A transferência quebrou recordes e tradições. Não foi apenas uma contratação; foi uma obra-prima política que tornou todas as promessas eleitorais anteriores obsoletas. O movimento imediatamente enfraqueceu um rival direto, galvanizou a torcida madridista e estabeleceu um novo padrão para o que um candidato presidencial poderia oferecer.

As consequências ecoaram muito além da Espanha. A era dos Galácticos do Real Madrid nasceu, com Zinedine Zidane, Ronaldo Nazário e David Beckham logo se juntando. A marca global do clube explodiu, transformando jogos em eventos mundiais e merchandising em uma mina de ouro. O acordo de Figo também reconfigurou o mercado de transferências, mostrando que nenhum jogador, por mais icônico que fosse, era intocável se o preço atingisse a cláusula de rescisão. Isso encorajou outros clubes a fazer movimentos igualmente agressivos, contribuindo para a inflação crescente nas avaliações de jogadores.

De volta ao Bernabéu, futuras eleições tornaram-se vitrines de contratações de estrelas. Candidatos prometiam grandes transferências como algo natural — Cristiano Ronaldo, Kaká e mais recentemente Kylian Mbappé foram todos usados como isca eleitoral. O precedente de Figo significava que os torcedores agora esperavam um nome de destaque para acompanhar qualquer candidatura séria à presidência, transformando o processo democrático do clube em um leilão de transferências.

No entanto, a transferência de Figo também expôs os riscos. Aprofundou a inimizade entre Real Madrid e Barcelona, criando uma toxicidade que persiste. Para o próprio Figo, voltar ao Camp Nou foi uma experiência infernal, com uma cabeça de porco famosamente jogada no campo. A pressão para cumprir promessas significava que presidentes subsequentes enfrentavam escrutínio imediato se suas contratações estelares não produzissem sucesso instantâneo.

Duas décadas depois, as eleições de 2026 veem Florentino Pérez — agora um veterano no cargo — enfrentando o desafiante Enrique Riquelme, que afirma já ter assegurado duas estrelas internacionais. Os ecos de 2000 são inconfundíveis. Mais uma vez, a promessa de uma transferência transformadora paira sobre a urna. Mas o padrão estabelecido por Figo continua sendo a referência: uma promessa de €60 milhões que não apenas ganhou uma eleição, mas mudou o jogo para sempre.

Baseado em reportagens da Marca.