Em uma grande ofensiva contra o crime financeiro, as autoridades brasileiras prenderam pela segunda vez um advogado suspeito de liderar uma sofisticada rede de fraudes. Klaus Philipp Lodoli foi detido em Ribeirão Preto, São Paulo, durante a segunda fase de uma operação denominada 'Têmis'. Seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já estava suspenso após sua primeira prisão em 2018 por delitos semelhantes.
A operação, um esforço conjunto da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu seis mandados de prisão e 20 mandados de busca nas cidades de Ribeirão Preto, Igarapava e Sertãozinho. Lodoli é acusado de ser o mentor de uma organização criminosa que supostamente fraudou instituições financeiras em mais de 100 milhões de reais.
Os investigadores alegam que o esquema do grupo envolvia a obtenção ilegal de dados pessoais de clientes bancários, muitas vezes visando pessoas vulneráveis. Em seguida, eles ajuizavam ações em nome das vítimas, frequentemente sem o conhecimento delas, buscando pagamentos inflacionados relacionados a planos econômicos históricos do final do século XX, como os planos Collor, Verão e Bresser. Esses 'expurgos inflacionários' referem-se a parcelas da inflação real que não foram aplicadas aos ativos financeiros durante essas transições econômicas.
A rede criminosa supostamente usava empresas de fachada para atrair vítimas e facilitar as ações judiciais fraudulentas. O esquema era tão extenso que levou ao ajuizamento de milhares de ações em diversas jurisdições do país. A esposa de Lodoli, Daiane Cristina Rosa, também é alvo da operação, já que as empresas de fachada supostamente estavam registradas em seu nome.
Entre os seis indivíduos presos estão quatro advogados: Klaus Philipp Lodoli, Rafael de Jesus Moreira, Carlos Renato Lira Buosi e Carine Costa e Silva Araújo. Ao chegar à delegacia, Carlos Buosi afirmou estar tranquilo e que provaria sua inocência, classificando as acusações contra ele como infundadas.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) confirmou que sua Comissão de Prerrogativas monitorou as ações policiais para garantir que os direitos profissionais dos envolvidos fossem respeitados. A OAB também observou que possui seus próprios procedimentos internos para investigar eventuais violações éticas ou disciplinares por parte de seus membros e está acompanhando o caso de perto.
Além das prisões, o tribunal determinou a suspensão do exercício da advocacia dos profissionais investigados, a paralisação das atividades comerciais das empresas de fachada usadas nos crimes e o bloqueio de bens e valores. Essa medida visa garantir a reparação dos danos e evitar novas atividades fraudulentas. Os suspeitos enfrentam acusações que incluem organização criminosa, fraude, falsificação ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e violação da privacidade de dados.
Com base em reportagens do g1.