A busca de Cristiano Ronaldo por um troféu com o Al-Nassr encontrou outro obstáculo no sábado, quando os gigantes sauditas foram surpreendidos por 1-0 diante do Gamba Osaka, do Japão, na final da AFC Champions League Two. A derrota diante de uma torcida local apaixonada de 26.000 pessoas no Estádio da Universidade King Saud não apenas negou a Ronaldo o primeiro grande troféu desde sua badalada transferência para o Oriente Médio, mas também destacou a natureza imprevisível do futebol de copa.
O Al-Nassr entrou no evento como grande favorito, refletindo seu pedigree doméstico e o poder estelar de um elenco liderado pelo ícone português. Eles controlaram a posse de bola e o território por longos períodos, mas o Gamba Osaka atacou contra o fluxo do jogo aos 30 minutos. Deniz Hummet aproveitou um preciso passe em profundidade de Issam Jebali, mostrando frieza para finalizar contra o goleiro e silenciar a torcida local. O gol foi um clássico golpe de sorte, punindo a momentânea falta de concentração do Al-Nassr.
A partir daí, o time japonês executou uma aula de disciplina defensiva, absorvendo onda após onda de ataques do Al-Nassr. Ronaldo, que está em uma forma brilhante com 28 gols em 36 aparições nesta temporada, ficou frustrado enquanto as chances claras se mostravam escassas. A linha defensiva do Gamba Osaka, comandada com determinação, manteve-se firme no segundo tempo para garantir uma vitória histórica — a primeira vez que um clube japonês conquista o título da AFC Champions League Two.
Para Ronaldo, a espera por um troféu de clube com o Al-Nassr se estende por mais de 16 meses. Desde que chegou em janeiro de 2023, o vencedor de cinco Bolas de Ouro experimentou uma série de quase-acertos, incluindo um revés de partir o coração apenas quatro dias antes. Em um confronto crucial da Liga Profissional Saudita, um gol contra no último minuto do goleiro Bento presenteou os rivais pelo título, Al-Hilal, com um empate de 1-1, mantendo a corrida viva e aumentando a pressão sobre o jogo final da temporada do Al-Nassr.
Essa decisão da liga agora se avoluma mais do que nunca. O Al-Nassr está no topo da tabela, dois pontos à frente dos 21 vezes campeões Al-Hilal, com apenas uma partida restante. Uma vitória em casa contra o Damac na quinta-feira garantiria o 11º título da primeira divisão para o clube e encerraria um jejum de seis anos que remonta a 2019. Simultaneamente, o Al-Hilal esperará por um tropeço enquanto enfrenta o Al-Fayha, sabendo que qualquer coisa menos que uma derrota do Al-Nassr os deixará de mãos vazias.
O técnico Jorge Jesus adotou um tom desafiador, porém pragmático, após o jogo, canalizando a decepção para o foco. "Não conseguimos o que queríamos aqui, mas há mais uma final para nós, o título da Liga Profissional Saudita, que é muito importante para nós", disse Jesus. "Temos cinco dias para nos recuperar e nos preparar, e não há tempo para luto. Temos que seguir em frente." Suas palavras sublinham a natureza de faca na garganta do clímax da temporada.
A batalha tática de sábado ofereceu muito para analisar. As investidas ofensivas do Al-Nassr muitas vezes foram canalizadas para áreas congestionadas, enquanto a rápida transição do Gamba Osaka para o gol expôs vulnerabilidades na forma defensiva dos anfitriões. Ronaldo recuou às vezes para iniciar as jogadas, mas a falta de um passe final mortal fez com que as chances fossem desperdiçadas. A derrota levanta questões sobre a profundidade do elenco e a gestão de jogo em cenários de alta pressão, questões que Jesus deve abordar rapidamente.
Além do jejum imediato de troféus, a perda tem um peso simbólico. A presença de Ronaldo deveria elevar o Al-Nassr ao domínio continental, mas esta foi a competição asiática de segundo nível — teoricamente mais ganhável do que a elite da AFC Champions League. Não capitalizar a vantagem de jogar em casa em uma final adiciona à narrativa de que o time ainda é um trabalho em andamento, apesar de seu ressurgimento doméstico.
Olhando para o futuro, o confronto com o Damac é mais do que um final de liga; é um momento de acerto de contas. Uma vitória no título não apenas validaria a decisão de Ronaldo de se mudar para a Arábia Saudita, mas também consolidaria o retorno do Al-Nassr ao topo do futebol saudita. A pressão é imensa, mas também a oportunidade. Para um jogador que construiu seu legado em momentos decisivos, a quinta-feira oferece outra chance de adicionar um capítulo à sua carreira lendária.
A final da AFC Champions League Two pode ser lembrada como uma oportunidade perdida dolorosa, mas também pode servir como catalisador que impulsiona o Al-Nassr a ultrapassar a linha doméstica. A fome de troféus de Ronaldo permanece inalterada, e com o título da liga ao alcance, sua espera por prata pode finalmente terminar da maneira mais dramática. Baseado em reportagens da BBC Sport.