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Alerta de calor na Copa de 2026: Escócia x Brasil em Miami

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Cinco jogos da Copa de 2026 devem atingir 28°C de WBGT; Escócia x Brasil em Miami em 24 de junho está entre os de maior risco. Pesquisadores alertam que a

À medida que a Copa do Mundo de 2026 se aproxima, a ser sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, crescem as preocupações com os níveis de calor potencialmente perigosos que jogadores e torcedores enfrentarão. Com o Serviço Nacional de Meteorologia prevendo temperaturas acima da média durante junho e julho, o torneio expandido para 48 equipes está em rota de colisão com condições extremas de verão.

O referencial para avaliar o risco de calor no esporte é a Temperatura de Globo Úmido (WBGT), que combina temperatura do ar, umidade, calor radiante e velocidade do vento. As diretrizes da FIFA sugerem considerar a suspensão da partida se a WBGT atingir 32°C, mas o sindicato global de jogadores Fifpro defende um limite mais baixo de 28°C para acionar pausas para resfriamento e precauções.

Uma nova pesquisa da World Weather Attribution (WWA) alerta que 26 partidas do torneio provavelmente terão WBGT igual ou superior a 26°C, com cinco partidas devendo ultrapassar a marca de 28°C. A análise, baseada em décadas de dados climáticos, também revela uma chance em quatro de um jogo ser disputado com WBGT de 30°C, destacando um "risco muito real" de condições inseguras, conforme observa a pesquisadora Joyce Kimutai.

O Hard Rock Stadium, em Miami, um local ao ar livre sem ar condicionado, é o epicentro desses riscos. Todas as sete partidas programadas lá — incluindo o aguardado confronto entre Escócia e Brasil em 24 de junho — começam no máximo às 19h30 (horário local), quando o índice de calor continua extremamente alto. O escocês Ché Adams, retratado no estádio em compostos pré-torneio, enfrentará uma seleção brasileira que também navega pelo mesmo ambiente sufocante.

Os dados da WWA permitem uma análise por equipe da exposição. O Uruguai enfrentará duas partidas de alto risco, colocando-o na zona de perigo mais do que a maioria. Brasil, Cabo Verde, Arábia Saudita e Escócia têm cada um uma partida sinalizada como de alto risco. Em contraste, os Estados Unidos, jogando em estádios com ar condicionado ou cidades mais frias, enfrentam baixo risco em todas as três partidas da fase de grupos.

Comparando essas projeções com a Copa de 1994, quando os EUA sediaram pela última vez, os números são impressionantes. As partidas que devem exceder 26°C de WBGT aumentaram 52%, e aquelas em 28°C aumentaram 75%. Theodore Keeping, do Imperial College London, aponta que "cerca de metade das mudanças climáticas causadas pelo homem ocorreram desde 1994", alterando fundamentalmente o pano de fundo climático do torneio.

Os organizadores não ignoraram os avisos. A FIFA adiantou os horários das partidas em locais mais quentes, determinou pausas de resfriamento de três minutos em cada tempo e formou uma força-tarefa para doenças causadas pelo calor. Os espectadores podem levar garrafas de água cheias — uma mudança em relação à Copa do Mundo de Clubes do ano passado — e "bolsas de resfriamento" estarão disponíveis para tratamento de exaustão por calor.

Apesar dessas medidas, as preocupações permanecem. Keeping adverte que as condições reais podem ser piores se as temperaturas ficarem acima das médias sazonais, especialmente com luz solar direta. A Fifpro reconhece os esforços da FIFA para alinhar a programação com a saúde dos jogadores, mas mantém que o limite de 28°C deve acionar automaticamente as pausas para resfriamento.

O custo físico já é quantificável. No verão passado, na Copa do Mundo de Clubes, 31 das 57 partidas tiveram WBGT acima de 28°C, e os pesquisadores registraram quedas significativas nas distâncias percorridas pelos jogadores em todas as velocidades. Isso ressalta como o estresse térmico não apenas ameaça a segurança, mas também degrada a qualidade do espetáculo.

Para os torcedores, o calor apresenta seus próprios perigos, especialmente em locais ao ar livre e durante atividades pré-jogo. Enquanto os estádios com ar condicionado em Houston, Dallas e Atlanta protegem aqueles dentro, as Fan Fests e o transporte expõem os torcedores às mesmas temperaturas escaldantes.

À medida que a contagem regressiva continua, o mundo observará se a combinação de programação, tecnologia e preparação médica pode proteger as maiores estrelas do futebol de um verão alterado pelo clima. O duelo entre Escócia e Brasil em 24 de junho pode surgir como o teste mais difícil do torneio — tanto em campo quanto contra os elementos.

Com base em reportagem do The Guardian.