Xxgwise
PremiumEntrar
Notícias

Apelação do México rejeitada pela FIFA: multa de US$ 178

Copa do MundoCzechia vs South AfricaMéxicoRepública TchecaÁfrica do SulCoreia do SulGuadalajaraUruguaiEquadorBolíviaBrasil

O CAS manteve multas de US$ 178 mil da FIFA para o México por cânticos homofóbicos, suspendendo a proibição de estádio, antes da abertura da Copa contra a

A batalha de uma década da federação mexicana de futebol contra as sanções da FIFA por um cântico homofóbico persistente sofreu outro revés na terça-feira, quando o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) rejeitou seu último recurso. A decisão mantém multas totalizando 140.000 francos suíços (aproximadamente US$ 178.000) impostas por má conduta de torcedores durante quatro partidas de 2024, embora tenha cancelado uma penalidade suspensa que forçaria o fechamento parcial de um estádio em um evento da FIFA, incluindo a próxima Copa do Mundo.

O cântico no centro da controvérsia é um insulto de uma palavra em espanhol que se traduz aproximadamente como um termo depreciativo para um prostituto masculino. Normalmente gritado em massa quando o goleiro adversário se prepara para um tiro de meta, o cântico atraiu pela primeira vez condenação internacional generalizada durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, onde foi ouvido durante as partidas do México. Apesar de repetidos avisos, multas e campanhas educacionais, o cântico ressurgiu nos torneios de 2018 e 2022, sublinhando a natureza profundamente enraizada do problema.

A FIFA penalizou a federação mexicana várias vezes ao longo dos anos, classificando o cântico como uma forma de discriminação sob seu código disciplinar. O último caso do CAS consolidou incidentes de 2024, quando monitores antidiscriminação documentaram a linguagem abusiva durante amistosos e partidas de qualificação contra Bolívia, Uruguai, Brasil e Estados Unidos. As multas cumulativas somaram 140.000 francos suíços, e uma sanção adicional ameaçava selar uma seção de um estádio para uma futura partida organizada pela FIFA — uma medida que poderia estragar a atmosfera nos jogos de alto perfil do México na Copa.

Em sua defesa, a federação mexicana apresentou evidências de esforços extensivos de mitigação, argumentando que investiu significativamente desde 2015 em campanhas de conscientização pública, mensagens nos estádios e sanções para infratores identificados. A federação alegou que se tornou pioneira na região no combate ao abuso homofóbico, mas o painel do CAS não ficou convencido.

Em um comunicado divulgado após a audiência, que ocorreu em Miami em março, os juízes do CAS reconheceram a "natureza única" do desafio, mas enfatizaram que a conduta era "coletiva e generalizada, e não meramente uma ocorrência isolada". O painel concluiu que, embora os programas educacionais da federação fossem louváveis, eles não a absolviam de responsabilidade, pois a recorrência do cântico demonstrava uma falha sistêmica em mudar o comportamento dos torcedores.

A decisão chega em um momento especialmente sensível para o futebol mexicano. Em 11 de junho, a nação sediará a partida de abertura da Copa do Mundo de 2026 contra a África do Sul no lendário Estádio Azteca, na Cidade do México, um local que há muito está associado aos surtos mais intensos do cântico. Com uma capacidade esperada de mais de 80.000 pessoas e uma audiência global de televisão na casa das centenas de milhões, qualquer repetição do insulto poderia desencadear sanções imediatas sob o protocolo de três etapas da FIFA, que permite que os árbitros parem as partidas, exijam avisos por sistema de som e, finalmente, suspendam ou abandonem os jogos se os cânticos discriminatórios continuarem.

O México também jogará partidas da fase de grupos contra a Coreia do Sul em Guadalajara e a República Tcheca novamente no Azteca, o que significa que os torcedores do país anfitrião estarão sob escrutínio durante as primeiras etapas do torneio. Funcionários da federação expressaram privadamente o medo de que o intenso holofote da Copa possa sair pela culatra, com a mídia internacional aproveitando qualquer incidente como evidência de um problema cultural mais amplo.

A FIFA, por sua vez, adotou uma linha dura na preparação para o torneio, implantando observadores especializados antidiscriminação em todas as 104 partidas das três nações anfitriãs. O órgão regulador esclareceu que as equipes enfrentam não apenas multas, mas também possíveis deduções de pontos ou até expulsão da competição por infrações repetidas ou graves de seus torcedores, aumentando exponencialmente o risco para as nações anfitriãs.

Para o México, a decisão do CAS ilumina um paradoxo difícil. Por um lado, a remoção da sanção de fechamento do estádio sugere que os juízes reconhecem os esforços genuínos da federação para enfrentar o problema. Por outro, as multas mantidas confirmam que esses esforços foram insuficientes para eliminar o cântico das arquibancadas. O problema é agravado por um segmento da torcida que vê o insulto como uma tradição inofensiva em vez de uma ofensa discriminatória, revelando uma divisão cultural que nenhuma mensagem conseguiu superar.

Analistas jurídicos observam que as decisões do CAS em tais casos frequentemente equilibram punição com proporcionalidade, e a decisão do painel de manter as penalidades financeiras enquanto descartava a possível proibição do estádio pode refletir um desejo de incentivar ações corretivas sem prejudicar indevidamente a experiência do dia do jogo. No entanto, a federação agora enfrenta uma corrida contra o tempo para implementar medidas ainda mais drásticas — como maior vigilância, potenciais sistemas de identificação de torcedores ou até sessões de educação pré-jogo — nas semanas antes do início da Copa.

As implicações mais amplas vão além do México. A FIFA deixou claro que todas as 48 nações participantes serão avaliadas pelos mesmos padrões rigorosos, e o caso do México serve como modelo para como futuros incidentes podem ser julgados. Para um torneio que a FIFA espera que seja uma celebração da diversidade e inclusão, a questão do cântico ameaça ofuscar o espetáculo esportivo se não for gerenciada de forma decisiva.

À medida que o apito inicial se aproxima, a federação mexicana se encontra em uma posição precária: deve encontrar uma maneira de preservar a atmosfera elétrica pela qual seus torcedores são famosos, enquanto elimina um cântico que se tornou uma mancha na reputação futebolística da nação. Se as lições de uma década de multas e recursos serão finalmente atendidas dentro do estádio será uma das narrativas definidoras dos primeiros dias da Copa do Mundo de 2026.

Com base em reportagem do The Guardian.