Enquanto a Inglaterra busca seu primeiro título mundial desde 1966, o supercomputador Opta mapeou a jornada mais provável para a final. Com base em 10.000 simulações pré-torneio, o time de Thomas Tuchel enfrenta um caminho desafiador, mas navegável, repleto de subtramas históricas e adversários de elite. A análise começa com um sorteio de grupo favorável ao lado de Croácia, Gana e Panamá no Grupo L, onde a Inglaterra tem 96% de chance de avançar e 67,9% de probabilidade de liderar o grupo – a terceira maior probabilidade de vitória no grupo, atrás apenas da Espanha (75,3%) e Argentina (73,0%). Com 36 das 48 equipes avançando para a fase eliminatória, apenas uma nação do Grupo L deve sair cedo, de acordo com as projeções.
Se a Inglaterra vencer o grupo como esperado, seu adversário na fase de 32 será um dos oito terceiros colocados dos grupos E, H, I, J ou K. O supercomputador identifica a RD Congo como o adversário mais provável, saindo do Grupo K em 66,7% das 495 combinações possíveis. A partida aconteceria em 1º de julho em Atlanta. A RD Congo, que apareceu pela última vez na Copa como Zaire em 1974, seria uma grande azarona; a Inglaterra nunca perdeu para um time africano no torneio, com cinco vitórias e três empates, incluindo uma vitória por 3 a 0 sobre o Senegal em 2022. Uma progressão confortável prepararia um confronto nas oitavas de final na Cidade do México.
As oitavas de final se configuram como um teste duro contra os coanfitriões México em 5 de julho no icônico Estádio Azteca. O México tem 47,8% de chance de vencer o Grupo A e esperaria superar seu próprio adversário da fase de 32. O único encontro anterior da Inglaterra na Copa com o México foi na fase de grupos de 1966, uma vitória em casa por 2 a 0. Contra nações anfitriãs, o histórico da Inglaterra é misto: uma derrota por 2 a 1 para a Itália na disputa pelo terceiro lugar em 1990, um empate sem gols com a Espanha em 1982 e uma vitória por 2 a 0 sobre a Suíça em 1954. No entanto, o Grupo A não tem uma equipe entre as 20 primeiras, então surpresas como África do Sul, Coreia do Sul ou República Tcheca podem alterar o roteiro.
Se a Inglaterra sobreviver ao México, as quartas de final provavelmente as colocariam contra o Brasil em 11 de julho em Nova Jersey. O supercomputador considera a Seleção o adversário mais provável nesta fase. Os cinco títulos mundiais do Brasil permanecem inigualáveis, mas eles não levantam o troféu há 24 anos – uma seca que empalidece ao lado da espera de 60 anos da Inglaterra. O histórico de confrontos diretos no torneio é sombrio para os Três Leões: um empate (1958) e três derrotas (1962, 1970, 2002), com a última eliminação vindo do famoso lob de Ronaldinho. Uma vitória revolucionária mandaria a Inglaterra para as semifinais pela apenas quarta vez em sua história.
Um encontro nas semifinais com a Argentina em 15 de julho em Miami é o próximo obstáculo provável, com ambas as equipes aparecendo juntas nas semifinais em 9,2% das simulações. A partida reacenderia uma das rivalidades mais ferozes do futebol, carregada de controvérsia: a 'Mão de Deus' e o 'Gol do Século' em 1986, o cartão vermelho de David Beckham em 1998 e seu pênalti vitorioso em 2002. A Argentina venceu todas as cinco semifinais de Copa em que participou, enquanto a Inglaterra perdeu as últimas duas, para a Croácia em 2018 e para a Alemanha Ocidental nos pênaltis em 1990. Superar o time de Lionel Messi seria um passo monumental.
A final, de acordo com as simulações, seria mais frequentemente uma revanche da Euro 2024 contra a Espanha, ocorrendo em 4,8% das vezes. A Espanha triunfou por 2 a 1 em Berlim naquela noite graças ao gol tardio de Mikel Oyarzabal. O histórico recente da Inglaterra contra La Roja é desanimador – apenas uma vitória em cinco encontros – mas aquela vitória por 3 a 2 na Liga das Nações em 2018 mostrou seu potencial. Exorcizar os demônios da decepção do verão passado para conquistar um segundo título mundial representaria a redenção definitiva.
Em todas as 10.000 simulações, a Inglaterra chegou à final em 19,0% dos cenários e venceu o torneio em 11,2% das vezes, atrás apenas da Espanha (16,1%) e França (13,0%). Esses números ressaltam o status da Inglaterra como verdadeira concorrente, mas o peso cumulativo da história em cada fase eliminatória – contra o desejo da RD Congo de reescrever seu colapso de 1974, a vantagem caseira do México, o pedigree do Brasil no torneio, a perfeição da Argentina nas semifinais e o domínio recente da Espanha – destaca o desafio monumental. O caminho está claro, mas a execução exige perfeição. Baseado em reportagens do The Guardian.