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Camisa de Maradona de 1986 é vendida por €400 mil em Paris

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A camisa de Maradona da semifinal da Copa de 1986 estabeleceu um recorde de €400 mil em Paris; a camisa de Schumacher da semifinal de 1982 foi vendida por €35

O leilão parisiense de memorabilia de futebol das lendas da Copa Maxime Bossis e Jean-Marie Pfaff obteve resultados recordes no sábado, liderado pela venda da camisa da semifinal de 1986 de Diego Maradona por €400 mil. A icônica camisa albiceleste azul e branca, que o gênio argentino usou ao marcar duas vezes contra a Bélgica na vitória por 2 a 0 que levou sua nação à final da Copa, havia sido estimada entre €350 mil e €400 mil e estabeleceu um novo marco para vendas de camisas na França.

A atuação de Maradona naquela semifinal no Estádio Azteca, na Cidade do México, foi uma aula. O camisa 10 abriu o placar com um delicado toque antes de adicionar um segundo com um característico slalom pela defesa belga. Ao apito final, o melhor jogador do mundo trocou camisas com Pfaff, o excêntrico goleiro belga que havia sido vencido duas vezes, mas cativou o público durante todo o torneio. Em uma reviravolta curiosa, Pfaff também recebeu a chuteira esquerda de Maradona na troca. A camisa ganhou ainda mais peso histórico quando Maradona a autografou em 2016, tornando-a um santo graal para colecionadores.

A coleção pessoal de Pfaff também rendeu um preço impressionante para uma camisa de Johan Cruyff, que alcançou €130 mil — mais do que o triplo de sua estimativa máxima de €40 mil. Aquela camisa laranja datava da primeira convocação de Pfaff para a Bélgica em maio de 1976, uma memorável derrota amistosa por 2 a 1 para a Holanda. Cruyff, o orquestrador do Futebol Total e vencedor de três Bolas de Ouro, havia se aposentado recentemente do futebol internacional, mas jogou naquele dia, tornando a peça uma rara interseção das carreiras de duas lendas do gol. Pfaff, que viria a ter 64 partidas pela seleção, manteve a camisa como lembrança de seu duelo de estreia contra uma das maiores mentes do futebol.

Outro lote banhado em história foi a camisa vermelha de Harald Schumacher da notória semifinal da Copa de 1982 entre Alemanha Ocidental e França. A partida, lembrada acima de tudo pela brutal agressão não punida de Schumacher a Patrick Battiston, terminou 3 a 3 após a prorrogação antes de os alemães vencerem por 5 a 4 nos pênaltis. A raiva francesa pelo incidente perdurou por décadas. Ao apito final, o goleiro reserva Jean-Luc Ettori obteve a camisa de Schumacher, que havia sido estimada em modestos €12 mil a €15 mil, mas os lances subiram para €35 mil — um testemunho da infâmia duradoura da partida e do simbolismo sombrio da peça do passado violento e impune do futebol.

Da coleção de Bossis, o preço mais alto foi para a camisa da CCCP do defensor soviético Vassili Rats, vendida por €6.700 contra uma estimativa de €1.000 a €1.500. Rats a usou ao marcar um espetacular gol de longa distância contra a França em um empate por 1 a 1 na fase de grupos da Copa de 1986. Bossis, o elegante lateral esquerdo com 76 partidas pela França, trocou camisas com Rats após aquele jogo, mantendo esta relíquia da disciplinada, porém criativa, União Soviética da era da Guerra Fria, que mais tarde cairia nas oitavas de final para a Bélgica.

O leilão, realizado na Salle VV perto do Hôtel Drouot pela casa Millon, não foi uma venda comum. Tanto Maxime Bossis quanto Jean-Marie Pfaff compareceram pessoalmente, adicionando uma camada emocional aos procedimentos. Testemunhas descreveram uma atmosfera carregada enquanto lances chegavam de colecionadores de todo o mundo, muitos dos quais veem essas camisas não apenas como tecido, mas como conexões tangíveis a momentos cruciais da história do futebol. A presença dos proprietários originais sublinhou a autenticidade e o significado pessoal dos lotes.

O preço de €400 mil pela camisa de Maradona marca um recorde em leilão francês para uma camisa de futebol, superando máximos anteriores de itens de Zinedine Zidane ou Michel Platini leiloados domesticamente. Globalmente, ainda fica aquém dos €7,1 milhões pagos pela camisa da 'Mão de Deus' de Maradona das quartas de final de 1986 contra a Inglaterra, vendida em 2022. No entanto, a venda reforça o camisa 10 da Argentina como a lenda mais rentável em memorabilia esportiva, com os preços de suas camisas usadas em jogos aumentando acentuadamente desde sua morte em 2020. Analistas argumentam que esses leilões cada vez mais borram a linha entre o fã de esportes e a coleção de arte, à medida que camisas raras se tornam ativos de luxo com valorização comprovada.

O resultado de €35 mil pela camisa de Schumacher também destaca como a controvérsia pode elevar o valor de uma peça. A semifinal de 1982 continua sendo um ponto de referência para debates sobre a responsabilidade dos árbitros, e possuir a camisa usada durante aquela agressão concede aos colecionadores um pedaço da narrativa sombria do futebol. Da mesma forma, a camisa de Cruyff, vendida por múltiplos de sua estimativa, reflete o mito duradouro do mestre holandês, cujo legado transcende gerações. Que uma lembrança de estreia possa comandar seis dígitos fala do status de divindade de Cruyff na Holanda e além.

Para Pfaff, a venda foi uma chance de se desfazer de lembranças queridas enquanto compartilhava suas histórias com uma nova geração. O belga, que desfrutou de uma carreira repleta de troféus no Bayern de Munique, preservou cuidadosamente esses artefatos por décadas. Sua decisão de leiloá-los, junto com Bossis, reflete uma tendência crescente entre ex-atletas de monetizar suas coleções ainda em vida, em vez de deixá-las para serem dispersadas postumamente. A estratégia geralmente resulta em preços mais altos, graças à capacidade do vendedor de autenticar e narrar as origens dos itens.

O mercado de camisas de futebol amadureceu dramaticamente nos últimos anos, com casas de leilão especializadas dedicando vendas inteiras ao nicho. Do ponto de vista de um colecionador, camisas usadas em jogos oferecem uma mistura única de arte, história e emoção que cartões esportivos ou bolas convencionais não conseguem igualar. Tanto museus quanto investidores privados estão impulsionando a demanda, especialmente por peças ligadas a Copas do Mundo, onde escassez e drama colidem. Este leilão parisiense, com sua mistura de heroísmo, infâmia e nostalgia, ressalta por que o setor está em alta.

Olhando para o futuro, o resultado recorde da camisa de 1986 de Maradona pode encorajar mais ex-estrelas a trazer seus itens preciosos ao mercado. Para os fãs, é um lembrete agridoce da era de ouro do futebol, quando um único jogador podia dobrar todo um torneio à sua vontade. Quando o martelo do leiloeiro caiu no sábado, a magia do México 86 parecia viva mais uma vez — prova de que alguns momentos no esporte são realmente inestimáveis, mesmo quando carregam um preço de seis dígitos.

Baseado em reportagens da L'Equipe.