Quando Casemiro pisar no gramado de Old Trafford pela última vez vestindo a camisa do Manchester United, o ar estará carregado de emoção e o familiar coro de 'mais um ano, Casemiro' ecoará das arquibancadas. A saída do brasileiro, confirmada em janeiro, encerra um período de três anos de montanha-russa que o viu cair da elite vencedora da Champions League a um símbolo de fragilidade no meio-campo, antes de um notável ressurgimento sob o técnico interino Michael Carrick. O jogo de domingo contra o Nottingham Forest não é apenas uma despedida; é um testemunho de um jogador que lutou do limite da irrelevância para se tornar indispensável na reta final da temporada do United.
Seu ponto mais baixo veio numa tarde sombria de dezembro contra o Newcastle, quando foi substituído aos 64 minutos em meio a uma desastrosa exibição da equipe. A fúria dos torcedores foi direcionada a Joshua Zirkzee naquele dia, mas nos bastidores, a sensação era de que o desempenho de Casemiro era ainda mais alarmante. Isso culminou um período em que a avaliação contundente de Jamie Carragher de que ele deveria 'sair do futebol antes que o futebol saia dele' parecia profética. A contratação de £70 milhões vinda do Real Madrid parecia fisicamente esgotada, incapaz de lidar com a intensidade da Premier League. Ruben Amorim, então no comando, o deixou de lado por um mês, declarando abertamente que até o adolescente Toby Collyer estava à sua frente na hierarquia.
Mas Casemiro se recusou a aceitar essa narrativa. Em uma entrevista a Rio Ferdinand, ele classificou as palavras de Carragher como 'desrespeitosas' e canalizou sua frustração em um regime de treinamento implacável. Três meses de trabalho duro mudaram a opinião de Amorim – e quando Carrick assumiu interinamente, o brasileiro ganhou uma nova chance. Titular contra a Real Sociedad na Europa League em 6 de março, ele nunca mais olhou para trás. A partir desse ponto, foi titular em todas as partidas importantes, formando um eixo defensivo com Kobbie Mainoo que forneceu a plataforma para a arrancada do United.
A sinergia entre o veterano e o adolescente se tornou o coração da equipe. Durante os 15 jogos de Carrick como interino, eles atuaram juntos em 13 ocasiões; apenas pequenos problemas físicos impediram um registro perfeito. Casemiro, em entrevista ao United We Stand, descreveu Mainoo como 'o presente e o futuro do Manchester', elogiando sua qualidade enquanto notava que o jovem precisava exigir mais a bola. O entendimento entre eles permitiu que Mainoo mostrasse o talento que havia sido sufocado sob o regime anterior, e o posicionamento disciplinado de Casemiro liberou seu parceiro para pressionar e criar. Foi uma aula magistral de mentoria no meio-campo, com a inteligência tática do brasileiro compensando qualquer declínio físico.
Enquanto o United navegava pelo acúmulo de jogos e lesões de peças-chave, a disponibilidade e a forma de Casemiro se tornaram a cola que manteve a equipe unida. O clube reconheceu que, se ele tivesse se lesionado após o fechamento da janela de transferências, substituir sua influência teria sido o desafio mais difícil. Sua habilidade de aparecer com gols cruciais – principalmente o gol inicial contra o Brentford que desencadeou uma vitória vital – ressaltou sua confiança renovada. O beijo no escudo que se seguiu pareceu uma reapropriação simbólica de um vínculo que havia se desgastado.
O renascimento não passou despercebido. O Brasil o convocou de volta à seleção nacional, com a expectativa de que ele use a braçadeira de capitão no torneio internacional deste verão. É uma reviravolta notável para um jogador que, apenas meses antes, parecia destinado a uma saída silenciosa. Uma transferência pós-Copa do Mundo para a Major League Soccer tem sido amplamente especulada, mas por enquanto, o foco é encerrar seu capítulo no United com chave de ouro.
Talvez a imagem mais duradoura da carreira de Casemiro no United seja o som do Stretford End cantando para ele. Seu filho de cinco anos, Caio, canta as músicas em casa e chora quando o time perde, um lembrete do lado humano de um esporte muitas vezes consumido pelo cinismo. Casemiro falou repetidamente sobre o vínculo único que compartilha com os torcedores, uma conexão que ele diz nunca ter experimentado em nenhum outro lugar.
Quando o apito final se aproximar no domingo, os cânticos de 'mais um ano' serão ao mesmo tempo um apelo e uma homenagem. Casemiro sai tendo transformado vaias em aplausos e dúvidas em indispensabilidade. Seu legado se estenderá além dos troféus levantados no início de sua estadia; viverá no desenvolvimento de Mainoo e no padrão de profissionalismo que ele restabeleceu.
Baseado em reportagens da BBC Sport.