O padre Rodrigo Trindade, um clérigo da Diocese de Patos, na Paraíba, Brasil, tornou-se viral após seus comentários sinceros em uma audiência pública. A sessão, realizada em 27 de abril na Câmara Municipal de Patos, foi dedicada a discutir questões relacionadas ao autismo. Seu poderoso testemunho ressoou profundamente online, gerando uma onda de apoio e comentários de pessoas em todas as redes sociais.
Durante a audiência, o padre Trindade compartilhou sua jornada pessoal com um diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), que recebeu na idade adulta há cerca de três anos. Ele falou abertamente sobre os desafios significativos que ele e outros no espectro enfrentam em vários aspectos da vida, inclusive durante os serviços religiosos. Ele observou pontualmente que o mundo, e até mesmo a estrutura de uma missa típica, muitas vezes não é projetada pensando em pessoas autistas, mas sim para pessoas neurotípicas.
O padre forneceu exemplos específicos de sua própria experiência. Ele descreveu como sensibilidades sensoriais, como iluminação forte, podem ser avassaladoras. Também explicou sua dificuldade com a comunicação verbal em certas situações, observando que se um coroinha trouxesse um livro de cabeça para baixo, ele teria dificuldade em pedir verbalmente para corrigi-lo e, em vez disso, tentaria lê-lo como estava. Ele enfatizou que muitas pessoas autistas experimentam algum nível de momentos não verbais involuntários.
O padre Trindade também refletiu sobre sua infância, lembrando que costumava brincar durante os serviços religiosos, o que lhe dá empatia por crianças autistas que possam fazer o mesmo. Ele compartilhou sua abordagem com os pais delas, brincando que se algo quebrar, eles podem aumentar o dízimo, acrescentando que em sua experiência, apenas adultos quebraram acidentalmente objetos como lâmpadas.
Um tema importante de seu discurso foi o custo emocional da invalidação social. Ele expressou a frustração de ter que justificar constantemente seu diagnóstico para ser aceito, contrastando sua experiência com aqueles que têm maiores necessidades de apoio e não enfrentam o mesmo ceticismo. Ele descreveu a dor de ter seu diagnóstico questionado por amigos, familiares e sociedade, e a dificuldade de ser acusado de buscar privilégios especiais ao usar adaptações como filas prioritárias.
O caminho para seu diagnóstico foi longo e árduo. Começou após dois anos de terapia psicológica, após os quais sua psicóloga suspeitou de TEA. Ele foi então encaminhado para extensos testes neuropsicológicos ao longo de muitas sessões. O processo exigiu que ele viajasse para João Pessoa, muitas vezes saindo antes do amanhecer para retornar a tempo para suas missas de quinta-feira. Ele admitiu que inicialmente não aceitou o diagnóstico, desejando que não fosse verdade, e destacou a pressão social que enquadra a busca por um diagnóstico como buscar "benefícios fáceis".
Ao longo de seu testemunho, o padre Trindade usava um cordão que o identificava como pessoa autista, uma prática que mantém regularmente. Sua história provocou uma conversa mais ampla sobre inclusão, compreensão e as experiências vividas por adultos autistas, particularmente dentro de comunidades religiosas.
Baseado em reportagem do g1.