Em um caso que chocou o país, um tribunal brasileiro emitiu um mandado de prisão preventiva contra a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. A ordem veio na madrugada de quinta-feira após solicitação da Polícia Civil, que investiga alegações de que ela torturou e agrediu uma empregada doméstica grávida de 19 anos em Paço do Lumiar, parte da região metropolitana de São Luís, no estado do Maranhão.
A investigação foi iniciada depois que a jovem vítima registrou um boletim de ocorrência. Ela afirmou que o episódio violento começou depois que sua empregadora a acusou de roubar joias. De acordo com o depoimento da vítima, ela sofreu horas de abuso físico implacável, incluindo puxões de cabelo, socos e ser jogada no chão. Ela descreveu uma tentativa desesperada de proteger o abdômen, já que está grávida de cinco meses. O suposto anel roubado foi encontrado mais tarde em um cesto de roupa suja, mas as agressões continuaram mesmo após a descoberta.
O caso teve uma reviravolta dramática com o surgimento de mensagens de áudio. Gravações enviadas pela própria empresária, que foram anexadas ao inquérito policial, supostamente contêm seu próprio relato da violência. Em um trecho assustador, ela supostamente afirma que a vítima "não deveria ter saído viva". Os áudios detalham um ataque prolongado envolvendo tanto a empresária quanto um homem armado não identificado, descrevendo atos de extrema crueldade.
O depoimento da vítima também pinta um quadro de condições de trabalho exploratórias. Ela relatou ter recebido R$ 750 por mais de duas semanas de trabalho, durante as quais realizou uma ampla variedade de tarefas — limpeza, cozinha, lavanderia e cuidado de crianças — por quase 10 horas por dia com apenas 30 minutos de descanso. Os pagamentos supostamente eram feitos por meio de transferências em nomes de terceiros.
As consequências se estenderam às forças policiais. Quatro policiais militares que inicialmente atenderam à ocorrência foram suspensos. Essa ação ocorreu após a divulgação das gravações de áudio, nas quais a empresária supostamente afirma que evitou ser levada à delegacia porque conhecia um dos policiais que responderam. O policial supostamente notou os hematomas da vítima, mas não efetuou a prisão.
Uma investigação mais aprofundada revelou um histórico preocupante. A empresária supostamente tem mais de dez processos judiciais pendentes contra ela. Em um caso de 2024, ela foi condenada por calúnia por acusar falsamente uma ex-babá de roubo, sentença que foi convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de danos morais que a vítima afirma não terem sido pagos.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) classificou os supostos crimes como tortura qualificada, além de lesão corporal, ameaça e calúnia. Em resposta às crescentes acusações, a empresária, por meio de seu advogado, emitiu uma nota. Ela afirmou sua cooperação com a investigação, condenou todas as formas de violência e pediu a suspensão do julgamento prematuro enquanto os fatos estão sendo apurados.
Com base em reportagens do g1.