A FIFA vai impor a proibição da bandeira pré-revolução do Irã durante a próxima Copa do Mundo, uma medida que ecoa sua política do torneio de 2022 no Catar e reacende debates sobre símbolos políticos no futebol. A decisão, relatada primeiro pelo L'Equipe, visa a bandeira do leão e sol que foi o emblema nacional sob o regime do Xá antes da Revolução Islâmica de 1979. Autoridades indicaram que torcedores portando a bandeira correm o risco de ter a entrada negada nos estádios, com a medida sendo enquadrada como uma forma de evitar manifestações de protesto em vez de celebrar a identidade nacional.
A bandeira em questão é surpreendentemente semelhante à bandeira oficial atual da República Islâmica do Irã, com suas faixas tricolores verde, branca e vermelha. A diferença crítica está no centro: a versão pré-revolução apresenta um leão segurando uma espada contra um sol nascente, um símbolo da antiga monarquia, enquanto a bandeira pós-1979 traz o emblema islâmico e inscrições escriturais. Por décadas, este design do leão e sol tem servido como um poderoso sinal de oposição entre a diáspora iraniana, particularmente na costa oeste dos Estados Unidos, onde protestos contra o regime teocrático de Teerã frequentemente incorporam a bandeira histórica.
A postura da FIFA não é nova. Durante a Copa do Mundo de 2022 no Catar, torcedores iranianos tiveram a mesma bandeira confiscada e às vezes foram barrados nos portões. Aquela proibição ocorreu em um contexto de relações diplomáticas em aquecimento entre Catar e Irã, com Doha ansiosa para não antagonizar seu poderoso vizinho. O pessoal de segurança naquele torneio foi instruído a tratar a bandeira pré-revolução como uma declaração política em vez de um símbolo nacional, uma distinção que a colocou fora dos limites do equipamento aceitável para torcedores.
A situação atual traz complexidade adicional devido à participação incerta do Irã no torneio, programado de 11 de junho a 19 de julho. A presença do Irã foi posta em dúvida após um ataque militar dos Estados Unidos e Israel no final de fevereiro que visou instalações dentro do país. Na sequência, a Federação Iraniana de Futebol submeteu uma lista de demandas à FIFA como condição para competir, uma das quais foi a insistência em "respeito à bandeira iraniana". Esta demanda sublinha o desejo de Teerã de que apenas seu emblema estatal oficial seja exibido, enquanto a bandeira pré-revolução permanece proibida nas arquibancadas.
Por outro lado, a bandeira palestina será permitida durante toda a competição porque é a bandeira reconhecida de uma associação membro da FIFA. Este tratamento assimétrico destaca a prática do órgão regulador de traçar linhas com base no reconhecimento diplomático oficial em vez de narrativas políticas mais amplas. Enquanto a causa palestina gera intenso debate globalmente, sua bandeira nacional goza de legitimidade dentro dos estatutos da FIFA, um status que a bandeira iraniana do leão e sol perdeu quando a República Islâmica substituiu a monarquia.
Para os torcedores iranianos, a aplicação da proibição pode levar a novas tensões nos dias de jogo. Memórias de 2022, quando famílias foram separadas de seus entes queridos e torcedores apaixonados ficaram de fora, permanecem vivas. A proibição efetivamente força os apoiadores a escolher entre exibir um símbolo querido da diáspora e assistir aos jogos para torcer por sua equipe. Grupos de direitos humanos já criticaram a FIFA por suprimir a expressão pacífica, e a repetição desta política provavelmente atrairá novo escrutínio.
A decisão também ilumina o papel do futebol como palco para disputas geopolíticas. O governo iraniano vê a bandeira pré-revolução como uma ferramenta de defensores da "mudança de regime" e tem feito lobby agressivo junto à FIFA para mantê-la fora dos estádios. Ao mesmo tempo, a recente ação militar dos EUA envolveu a participação da equipe em cálculos de segurança mais amplos. As demandas submetidas pela federação de futebol de Teerã revelam um regime tentando alavancar sua vaga na Copa para afirmar controle simbólico.
Neste cenário, o próprio torneio pode se tornar um ponto focal para mensagens diplomáticas. O ato de equilíbrio da FIFA—permitir bandeiras palestinas enquanto proíbe bandeiras pré-revolução iranianas—ressalta a aplicação inconsistente das regras que regem símbolos políticos. Críticos argumentam que, se paz e neutralidade são os objetivos, uma proibição uniforme de todas as bandeiras não nacionais seria mais coerente, mas tal medida enfrentaria sua própria reação negativa dado o investimento emocional que muitos torcedores trazem à competição.
Em última análise, a proibição repetida sinaliza a determinação da FIFA em aderir às preferências de governos reconhecidos, mesmo quando isso aliena segmentos de uma base de torcedores nacional. Conforme a Copa se aproxima, os torcedores iranianos precisarão pesar suas convicções pessoais contra o risco de perder momentos históricos em campo. Com a segurança reforçada pelas recentes tensões no Oriente Médio, a mensagem de Zurique parece clara: traga apenas a bandeira que os atuais governantes do Irã endossam, ou fique de fora.
Com base em reportagem do L'Equipe.