Didier Deschamps revelou uma convocação de 26 jogadores da França para a próxima Copa do Mundo, misturando estrelas consolidadas com talento jovem explosivo enquanto Les Bleus buscam o terceiro título. Encabeçam a lista Kylian Mbappé e o detentor da Bola de Ouro Ousmane Dembélé, que liderarão um ataque temível carregado de pedigree da Liga dos Campeões. O anúncio na televisão francesa preparou o cenário para o que Deschamps confirmou como seu último grande torneio no comando.
Mbappé, a apenas dois gols do recorde histórico de gols de Olivier Giroud pela França, deve usar a braçadeira de capitão apesar de uma lesão na coxa que limitou sua participação nas últimas semanas. Os 56 gols internacionais do atacante do Real Madrid já o colocaram entre os grandes, mas sua condição física continua sendo um ponto de discussão antes do torneio na América do Norte. Deschamps expressou confiança de que seu talismã estará pronto para liderar na frente.
Dembélé, que marcou 35 gols pelo Paris Saint-Germain na temporada passada a caminho da glória da Liga dos Campeões e da Bola de Ouro, chega ao palco global ainda perseguindo seu primeiro gol em Copas. Tendo aparecido tanto em 2018 quanto em 2022 sem balançar as redes, o ponta estará desesperado para causar um impacto decisivo enquanto a França busca aparições consecutivas na final e além.
O quarteto ofensivo é completado por Michael Olise, do Bayern de Munique, e Désiré Doué, colega de Dembélé no PSG, trazendo uma mistura de habilidade, velocidade e imprevisibilidade. Adicione Rayan Cherki, agora comandando o meio-campo do Manchester City, e Maghnes Akliouche, do Monaco, e Deschamps tem um vasto leque de atacantes criativos à sua disposição. Jean-Philippe Mateta, do Crystal Palace, e Marcus Thuram, da Inter de Milão, oferecem alternativas físicas no ataque.
Na defesa, a excelência de William Saliba na Premier League pelo Arsenal lhe garante uma vaga, juntando-se a Ibrahima Konaté, do Liverpool, Jules Koundé, do Barcelona, e Dayot Upamecano, do Bayern, em um formidável grupo de zagueiros centrais. Lucas Hernandez e N'Golo Kanté estão entre os únicos quatro jogadores que restam da equipe campeã mundial de 2018, adicionando experiência vital. A transferência de Kanté para o Fenerbahçe não diminuiu seu valor para a seleção nacional.
A seleção não foi isenta de omissões surpreendentes. O meio-campista do Real Madrid Eduardo Camavinga, figura-chave em 2022, fica de fora após uma temporada conturbada por lesões, enquanto Randal Kolo Muani, do Tottenham – o herói da semifinal contra Marrocos – também ficou de fora. O goleiro do PSG Lucas Chevalier foi preterido em favor de Robin Risser, do Lens, sem convocações, que será reserva de Mike Maignan junto com Brice Samba. A ausência de Hugo Ekitike, do Liverpool, lesionado por uma ruptura no tendão de Aquiles em abril que encerrou sua temporada, era esperada, mas não menos lamentada pelos torcedores.
Deschamps abordou as decisões difíceis com seu característico pragmatismo. “É uma convocação. Não necessariamente os 26 melhores jogadores. Trata-se do equilíbrio e de como a equipe se forma”, explicou na TF1. Sobre Camavinga especificamente, acrescentou: “Posso imaginar o quão decepcionado ele deve estar. Ele vem de uma temporada difícil em que não jogou muito e sofreu lesões. [Mas] tenho decisões a tomar e uma equipe a montar”.
A França iniciará sua campanha do Grupo I contra o Senegal em 16 de junho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, antes de enfrentar o Iraque em 22 de junho e a Noruega em 26 de junho. A agenda do início do verão os coloca contra adversários físicos e tecnicamente habilidosos, com o confronto contra a Noruega tendo um tempero extra devido à presença de Erling Haaland.
O contexto deste anúncio é carregado de história. A França é a única nação europeia a chegar às duas últimas finais de Copa do Mundo, triunfando em 2018 sob Deschamps antes de cair para a Argentina em uma dramática final em 2022. Com o técnico confirmando que este será seu torneio de despedida – ele sai após 14 anos no comando – há uma sensação palpável de uma geração de ouro buscando coroar seu legado.
A profundidade do elenco reflete a evolução do futebol francês, onde uma nova onda exemplificada por Olise, Doué e Risser se junta a veteranos experientes em batalhas. A mistura sugere uma flexibilidade tática que Deschamps aperfeiçoou ao longo de múltiplos ciclos, capaz de alternar entre contra-ataques explosivos e controle dominante de posse.
No entanto, as pressões externas serão imensas. A condição física de Mbappé, o jejum de Dembélé em Copas e o peso das expectativas sobre uma nação acostumada a avançar longe – tudo testará este grupo. A inclusão de relativos novatos no gol e a ausência de um jogador comprovado em momentos decisivos como Camavinga podem levantar questões sobre a profundidade do elenco nas fases finais do torneio.
À medida que a contagem regressiva para o pontapé inicial se intensifica, o último lance de dados de Deschamps é uma aposta calculada na forma, na condição física e no tipo de química que lhe rendeu uma medalha de campeão mundial como jogador e técnico. Se será inspiradora, só se saberá no calor do verão de Nova Jersey. Baseado em reportagens da BBC Sport.