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Gasto de €180M do Sunderland: 13 contratações impulsionam

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O Sunderland gastou €180M em 13 contratações, mas ocupa o 22º lugar em custo do elenco. Ghisolfi credita a identidade coletiva e a mistura de juventude e

O Sunderland está no limiar de uma classificação europeia que coroaria uma temporada tão inesperada quanto notável. Promovido da Championship no verão passado, o clube entra em sua última partida neste domingo com a chance de garantir futebol continental pela primeira vez em anos, completando uma transformação que poucos poderiam prever quando estava na League One em 2018.

O ressurgimento sob o proprietário Kyril Louis-Dreyfus foi rápido e deliberado. Um gasto de verão de €180 milhões em 13 novos jogadores sinalizou ambição, mas incrivelmente esse investimento faz do Sunderland apenas o 22º elenco mais caro da Inglaterra. É um paradoxo que define sua campanha: investimento significativo que ainda empalidece diante dos gigantes financeiros da Premier League, forçando o clube a encontrar uma vantagem em outro lugar.

No coração deste projeto está Florent Ghisolfi, o diretor de futebol de 41 anos que deixou a AS Roma em uma mudança no final do verão para assumir o comando. Sua integração não foi perfeita – ele admitiu estar exausto pelo processo – mas o alinhamento com Louis-Dreyfus e o técnico Régis Le Bris criou uma visão coerente. Os três concordaram com um plano de elenco que mesclaria vigor juvenil com experiência consolidada, um equilíbrio que se mostrou decisivo.

Ghisolfi supervisionou 13 chegadas, um nível de rotatividade que muitas vezes fragmenta um vestiário. No entanto, ele insiste que o espírito coletivo se manteve firme. Como disse ao L'Equipe, apesar do influxo, o clube reforçou sua identidade em vez de fragmentá-la. Essa coesão intangível tornou-se, em suas palavras, uma das chaves fundamentais para uma temporada que desafiou todas as projeções.

Ao contrário da percepção de uma reconstrução completa, Ghisolfi destacou que entre os 16 principais jogadores em minutos, cinco faziam parte do elenco na Championship. Esse fio de continuidade proporcionou uma ponte entre o antigo e o novo, garantindo que o talento que chegava fosse absorvido por uma cultura, em vez de sobrescrevê-la. O resultado foi um grupo que se sentia tanto renovado quanto enraizado.

A mistura de juventude e experiência se manifestou em campo em um time capaz de jogar com liberdade e garra. Jovens receberam licença para se expressar, enquanto profissionais experientes oferecem a estabilidade necessária no fervedouro de uma perseguição europeia. O desenho estratégico de Ghisolfi ecoa uma mudança mais ampla em como clubes promovidos podem planejar sua primeira temporada na elite: não apenas para sobreviver, mas para perturbar.

A história do Sunderland carrega implicações que se espalham pela liga. Desafia a ortodoxia de que apenas clubes com orçamentos ilimitados podem chegar às vagas europeias. Com recrutamento cuidadoso, uma identidade cultural clara e disposição para confiar em um plano de longo prazo, um time recém-promovido pode ultrapassar nomes mais estabelecidos. Em uma temporada em que os poderes tradicionais tropeçaram, a ascensão do Sunderland é um testemunho do valor de uma estrutura inteligente sobre o gasto puro.

Para a Premier League, uma classificação europeia do Sunderland seria um abalo na hierarquia. Reaviva memórias do milagre do título do Leicester City, embora por uma rota diferente: não um relâmpago isolado, mas um projeto meticulosamente construído. Sugere que a lacuna entre promovidos e estabelecidos pode ser superada com inteligência e paciência, não apenas com dinheiro.

À medida que a partida decisiva se aproxima, o significado se estende além desta temporada. A Europa traria receita, prestígio e uma plataforma para atrair melhores jogadores, acelerando a ascensão do clube. Também validaria o projeto que Ghisolfi e seus colegas montaram minuciosamente. Os ecos de seus dias na League One se tornam mais fracos a cada vitória.

Ghisolfi assistirá das arquibancadas, seu cansaço substituído pela antecipação. A jornada de deixar Roma até construir a nova identidade do Sunderland foi rápida, mas coerente. O resultado de domingo escreverá a linha final deste capítulo, mas mesmo um tropeço não pode apagar o que já foi alcançado: uma temporada que redefine expectativas e prova que identidade e vontade coletiva podem levar um time ao limiar da Europa.

Com base em reportagens do L'Equipe.