Didier Deschamps está prestes a divulgar sua sétima lista de convocados como técnico da França na quinta-feira à noite, uma ocasião que inevitavelmente gera debate sobre inclusão e omissão. Historicamente, Deschamps tem sido um treinador de poucas bombas genuínas, preferindo moldar a opinião pública através de vazamentos calculados. Mas o parâmetro para choques em anúncios de elenco no futebol francês continua sendo a convocação de Raymond Domenech a Pascal Chimbonda para a Copa do Mundo de 2006 — uma decisão tão inesperada que se tornou lenda. Deschamps, embora mais previsível no início de seu mandato, deu suas próprias surpresas nos últimos anos, principalmente os dramáticos retornos de Karim Benzema antes da Euro 2021 e de N'Golo Kanté antes da Euro 2024.
A primeira convocação importante de Deschamps para a Copa do Mundo de 2014 já continha enredos intrigantes, mas poucas surpresas absolutas. Antoine Griezmann e Lucas Digne haviam conquistado seus lugares na primavera, enquanto as consequências do playoff contra a Ucrânia — onde a França reverteu um déficit de 2 a 0 — selaram efetivamente os destinos de Samir Nasri e Éric Abidal. Lesões mais tarde forçaram mudanças, com Steve Mandanda, Franck Ribéry e Clément Grenier se retirando, trazendo Stéphane Ruffier, Rémy Cabella e Morgan Schneiderlin para o grupo. No entanto, foram movimentos reativos, não apostas proativas.
A Eurocopa 2016 em casa apresentou pressões diferentes. Deschamps deixou de fora Mathieu Valbuena e Benzema em meio ao escândalo do sextape que abalou o futebol francês, enquanto Mamadou Sakho foi afastado após uma suspensão por doping (posteriormente anulada). A não convocação mais debatida foi a de Hatem Ben Arfa, que havia marcado 17 gols na Ligue 1 pelo Nice na temporada anterior ao torneio. Ainda assim, sua ausência, embora interpretada como injusta por muitos, não foi uma surpresa total — Deschamps há muito sinalizava reservas sobre o encaixe de Ben Arfa no esquema da seleção.
Para a Copa do Mundo de 2018, as seleções de Deschamps eram em grande parte esperadas, mas duas decisões se destacaram. A recusa de Adrien Rabiot em aceitar um lugar na lista de reservas fez com que Steven Nzonzi viajasse em seu lugar — uma jogada que ressaltou a insistência do técnico na harmonia do elenco. Alexandre Lacazette, apesar de um doblete em sua última aparição pela França seis meses antes, ficou completamente de fora, pois Deschamps já tinha uma hierarquia ofensiva estabelecida. Foram decisões difíceis, mas não surpresas sísmicas.
A verdadeira mudança sísmica veio em maio de 2021, quando Deschamps reconvocou Benzema após mais de cinco anos de exílio internacional. O rumor já circulava na noite anterior, mas a confirmação ainda causou choque no futebol francês. O retorno de Benzema foi uma aula magistral de resolução de conflitos e pragmatismo futebolístico: com um Kylian Mbappé ainda em desenvolvimento, a França precisava de um atacante de classe mundial que pudesse conectar o jogo e finalizar com precisão. A jogada valeu a pena imediatamente, pois a química de Benzema com Antoine Griezmann e Mbappé se tornou a inveja da Europa. Junto com Benzema, Jules Koundé fez sua primeira aparição na convocação, um sinal da disposição de Deschamps em dar chances a jovens talentos em um grande torneio.
A lista para a Copa do Mundo de 2022 gerou seu próprio drama, mas a maioria das surpresas veio de lesões tardias, e não das seleções originais. A própria saga de condicionamento físico de Karim Benzema dominou as manchetes, e o elenco inicial de 26 jogadores já havia sido amplamente anunciado no outono. Deschamps, a essa altura, havia dominado a arte da gestão de expectativas: deixar que decisões importantes vazassem através de canais de confiança para que o anúncio ao vivo tivesse menos voltagem.
Avançando para maio de 2024, Deschamps deu outro choque: a reconvocação de N'Golo Kanté, que havia deixado o futebol europeu pela Saudi Pro League e parecia ter desaparecido do cenário internacional. A corrida incansável e a experiência em grandes jogos de Kanté se mostraram irresistíveis, especialmente com a ausência por lesão de Paul Pogba e um meio-campo jovem sem astúcia. A inclusão do estreante Bradley Barcola, considerado uma surpresa, mas cujo nome havia circulado nas semanas anteriores, ofereceu uma segunda escolha chamativa. Juntas, as decisões sinalizaram a fé de Deschamps na continuidade misturada com uma injeção de frescor.
O anúncio de hoje à noite, que será ao vivo na TF1, coloca Deschamps em um espaço liminar familiar: entre aqueles que aguardam uma surpresa audaciosa e aqueles que esperam o pragmatismo de um árbitro. As margens entre uma surpresa genuína e uma arbitragem menos previsível são muito finas. Será que Deschamps descobrirá um novo Chimbonda, ou entregará uma lista que, embora levemente surpreendente, adere em última instância à lógica da forma e condicionamento? A história de seu mandato sugere o segundo, com desvios ocasionais e calculados para o inesperado.
A gestão do relógio da opinião pública continua central na filosofia de Deschamps. Ao permitir que certos nomes circulem antes do anúncio — de Benzema em 2021 a Kanté em 2024 — ele garante que quando o microfone for ao vivo, o choque já tenha sido absorvido, e o debate possa girar para nuances táticas em vez de queixas pessoais. Essa estratégia transformou potenciais tempestades midiáticas em conversas administráveis, e ressalta por que, mesmo após sete torneios, a revelação de Deschamps ainda ocupa um horário nobre na televisão.
No panorama geral, as surpresas de Deschamps — quando se materializam — tendem a reforçar a identidade central de sua equipe enquanto resolvem problemas específicos. Benzema trouxe um fio cortante a um time que havia se tornado morno na posse de bola; Kanté restaurou o equilíbrio do meio-campo quando a sala de máquinas parecia vulnerável. A potencial jogada de hoje à noite, seja uma inclusão ousada ou uma omissão surpreendente, provavelmente servirá a um propósito semelhante: ajustar uma máquina que chegou a três das últimas quatro grandes finais. Enquanto o mundo do futebol observa, a questão permanece se outra decisão de manchete surgirá, ou se a maior surpresa é que não há surpresa alguma.
Baseado em reportagens do L'Equipe.