Em uma medida crítica para evitar uma grande interrupção do serviço, o Metrô do Recife receberá uma frota de seis trens do Metrô de Belo Horizonte. Essa transferência é uma resposta direta a estudos técnicos que preveem um colapso operacional completo da linha Linha Sul do sistema até abril de 2027.
A operação está sendo supervisionada pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). De acordo com o gerente regional de operações da empresa, José Inocêncio, os trens foram inspecionados em Belo Horizonte e fazem parte de um acordo entre os governos federal e do estado de Pernambuco para "estadualizar" a administração do Metrô do Recife. O objetivo principal é complementar a frota envelhecida e evitar a crise prevista.
Uma nota técnica da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana destaca a gravidade da situação. Ela afirma que os trens atuais que operam na Linha Sul enfrentam uma restrição crítica de frota após aproximadamente 40 anos de serviço. Essa obsolescência avançada, juntamente com a escassez de peças de reposição e falhas estruturais, coloca em risco o transporte diário de cerca de 60 mil usuários e aponta para uma parada total da frota até abril de 2027.
O documento confirma que a aquisição dos seis trens de Belo Horizonte foi considerada uma solução tecnicamente viável e compatível com a rede ferroviária do Recife. Apesar da alta quilometragem, as composições apresentaram condições estruturais satisfatórias e sistemas em estado de funcionamento adequado, desde que acompanhadas de peças de reposição críticas e suporte técnico inicial.
O gerente da CBTU confirmou que todos os trens aprovados na inspeção estavam operacionais em Belo Horizonte e estão atualmente passando por reformas antes de serem enviados. O cronograma de entrega está definido de maio a setembro de 2026, com um trem chegando a cada mês de maio a agosto, e os dois últimos em setembro. Imagens divulgadas pela CBTU mostram um dos trens já repintado com as cores da bandeira de Pernambuco, com seu letreiro de destino lendo "Cajueiro Seco", a estação final da Linha Sul.
No entanto, a transferência não ocorreu sem controvérsia. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Metrô de Pernambuco (Sindmetro-PE), Luiz Soares, afirmou que os trens de Belo Horizonte estavam anteriormente programados para venda como sucata a um ferro-velho em Cuiabá por cerca de R$ 2 milhões, antes do acordo federal chegar a R$ 60 milhões. Ele também questionou sua compatibilidade com a rede do Recife. A CBTU não respondeu a essas alegações específicas.
O plano original incluía cinco trens de Porto Alegre, mas quatro foram rejeitados após inspeções revelarem alto grau de degradação e custos proibitivos de recuperação. Apenas um trem de Porto Alegre foi aprovado, com data de chegada não especificada. O Sindmetro já havia alertado que os trens de Porto Alegre estavam em más condições e inadequados para o serviço.
O governo do estado de Pernambuco, por meio de sua Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), declarou que a operação e a aquisição emergencial dos trens continuam sob responsabilidade federal via CBTU. O estado está atualmente analisando contribuições de uma consulta pública sobre a futura concessão do metrô, que inclui planos para a compra de novos trens e melhorias no sistema.
Com base em reportagem do g1.