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MP do Paraná aprova bônus salariais de 35% em meio à

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Promotores do Paraná aprovaram quatro pagamentos extras totalizando até 35% do salário, isentos do teto constitucional, enquanto o Supremo Tribunal Federal

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) aprovou um pacote de quatro pagamentos extras para seus promotores e advogados, uma medida que desafia diretamente as diretrizes recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil. As resoluções, publicadas esta semana e assinadas pelo Procurador-Geral de Justiça Francisco Zanicotti, autorizam bônus que podem aumentar a remuneração mensal total de um promotor em até 35%.

Esses pagamentos são classificados como indenizatórios, uma distinção legal que permite contornar o teto salarial constitucional de R$46.300. Sem esses extras, o salário base de um promotor pode atingir aproximadamente R$39.000, enquanto o de um advogado pode chegar perto de R$42.000. Os novos bônus incluem uma gratificação pelo acúmulo de funções, como trabalho em grupos especiais e forças-tarefa, que pode acrescentar até 35% ao salário base.

Os pagamentos adicionais aprovados incluem um bônus de 3% por cada filho dependente menor de seis anos para a proteção da primeira infância, um aumento de 5% a cada cinco anos de serviço e uma gratificação especial por trabalhar em jurisdições consideradas 'difíceis de preencher'. Essas localidades, frequentemente remotas ou com poucos recursos, incluem cidades como Toledo, Pato Branco, Cascavel, Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão.

Essa ação administrativa ocorre enquanto o STF trabalha ativamente para conter o que chama de 'penduricalhos'—pagamentos extras que permitem que servidores públicos excedam os tetos salariais. Dias após a decisão do MP do Paraná, os ministros do STF Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes emitiram decisões para reforçar as proibições contra medidas projetadas para contornar as restrições do Tribunal. Os ministros citaram especificamente a reclassificação de jurisdições e novos bônus por acúmulo como possíveis 'caminhos de contorno'.

O MP-PR defendeu suas ações em comunicado oficial, afirmando que as resoluções na verdade cumprem e padronizam os pagamentos conforme ordenado pelo STF, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Conselho Nacional do Ministério Público. O comunicado argumenta que as novas regras eliminam benefícios locais anteriores e estabelecem gratificações nacionais uniformes dentro dos limites estabelecidos pelo Supremo Tribunal.

A medida segue uma tentativa semelhante, mas finalmente revertida, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). No final de abril, o tribunal estadual publicou resoluções criando novos bônus, incluindo um papel de 'magistrado tutor' com até R$14.000 em pagamentos mensais extras. O TJPR rapidamente revogou essas resoluções para evitar estabelecer um regime legal que pudesse ser considerado contrário à orientação recente do STF.

Com base em reportagens do g1.