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Neymar chora enquanto Ancelotti anuncia os 26 convocados do

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Neymar desaba em lágrimas em meio à espera emocionante pela convocação da Seleção para a Copa; Ancelotti nomeia 26 com lesões de Militão, Estevão, Rodrygo.

Neymar estava no círculo central do estádio Urbano-Caldeira no domingo, com sua filha pequena nos braços, lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto o hino nacional brasileiro ecoava antes do confronto entre Santos e Coritiba. A imagem capturou um homem à beira de um precipício emocional, sabendo que em 24 horas Carlo Ancelotti anunciaria os 26 jogadores que levarão as esperanças da Seleção na Copa do Mundo para os Estados Unidos. Para o jogador de 34 anos, foi a culminação de uma campanha de meses para provar que ainda pertence ao maior palco do futebol, uma jornada marcada por lesões, críticas e explosões públicas de frustração.

Ancelotti tem enfrentado escrutínio implacável sobre incluir Neymar, com o italiano reconhecendo em uma recente entrevista à Reuters que sua paciência foi testada pelo barulho externo. "Sou grato por todos os conselhos que recebi", disse ele, acrescentando que o ambiente permaneceria sob controle "com ou sem Neymar". No entanto, o treinador também manteve consistentemente que a condição física do jogador seria o fator decisivo, e admitiu que Neymar "melhorou muito ultimamente, trabalhando duro para se recuperar". Tendo participado de 10 das últimas 13 partidas do Santos, o caso do atacante é tão forte quanto tem sido em todo o ano, mas o custo emocional da saga tem sido cada vez mais evidente.

O próprio Neymar não escondeu o peso do momento após o jogo de domingo, que terminou em derrota por 3 a 0. "Sempre disse que era meu sonho jogar esta Copa", disse aos repórteres. "Fisicamente, me sinto muito bem. Fiz tudo o que pude e não foi fácil. Trabalhei duro, em silêncio, e sofri com as críticas das pessoas, mas estou onde queria estar. Espero ser convocado. Se não, serei apenas mais um torcedor desta Seleção." Essas palavras carregavam a resignação de um jogador que lutou para recuperar a forma após uma série de contratempos e que sabe que um torneio global final consolidaria seu legado ao lado dos 79 gols internacionais que já o tornam o maior artilheiro do Brasil.

A composição do elenco foi complicada por uma série de lesões de jogadores ofensivos-chave. Rodrygo, do Real Madrid, e Estevão, agora no Chelsea, foram descartados, privando Ancelotti de duas opções criativas em que ele contava. O defensor Éder Militão também é uma ausência confirmada, abrindo uma lacuna em uma linha defensiva que ainda é um trabalho em andamento atrás de Marquinhos, do Paris Saint-Germain, e Gabriel, do Arsenal, que se enfrentam na final da Liga dos Campeões em 30 de maio. Essas ausências reorganizaram o quebra-cabeça da seleção e aumentaram o foco na potencial inclusão de Neymar.

Um beneficiário da reorganização parece ser Endrick, de 19 anos, que impressionou durante um empréstimo de seis meses no Lyon. Sua versatilidade e a saída forçada de Estevão abriram caminho na linha de ataque para um jogador que Ancelotti vê como uma opção valiosa. Enquanto isso, a vaga defensiva pode levar a uma impressionante reconvocação de Thiago Silva. O jogador de 41 anos está em forma exemplar pelo Porto e, crucialmente, conhece bem Ancelotti do tempo juntos no PSG. Silva não joga pelo Brasil desde 2022, mas a combinação de seu desempenho e a falta de alternativas experientes elevou seu estoque dentro da CBF.

A volatilidade emocional que acompanhou o retorno de Neymar nem sempre jogou a seu favor. As últimas semanas o viram confrontar torcedores do Santos e, em um incidente particularmente chocante, bater no companheiro Robinho Jr. durante uma sessão de treino. No domingo, mesmo quando seu time desmoronava contra o Coritiba, ele explodiu contra o árbitro após ser substituído, citando posteriormente um desconforto na panturrilha. Esses episódios, amplificados pelo implacável ecossistema midiático do Brasil, adicionaram um elemento de risco a qualquer decisão de levá-lo a um torneio onde a compostura mental é fundamental.

Dentro da Seleção, no entanto, Neymar mantém aliados poderosos. O ponta Raphinha, falando na TV Globo na semana passada, foi inequívoco: "Neymar é quem nos fará ganhar a sexta estrela". Esses testemunhos sublinham a crença entre os jogadores de que, apesar da montanha-russa de emoções, o gênio de Neymar continua sendo um vencedor de partidas. Com talentos criativos esgotados, a necessidade de um jogador capaz de brilho repentino e imprevisível é aguda, e toda a nação parece prender a respiração aguardando o veredito de Ancelotti.

Ancelotti deixou claro que a idade não será uma barreira, como demonstra a potencial inclusão de Thiago Silva. Sua lista, finalizada na segunda-feira, refletirá um equilíbrio entre experiência e renovação, com o italiano ciente de que uma campanha de Copa do Mundo não pode ser navegada apenas com promessas juvenis. Para Neymar, as horas de espera representam o fim de uma saga que consumiu o discurso do futebol brasileiro por meses. Quer ele embarque no avião para os Estados Unidos ou não, suas lágrimas no domingo confirmaram que a jornada até este ponto foi tão desgastante quanto qualquer busca por um troféu.

Se for selecionado, Neymar será encarregado de uma última dança, uma chance de se juntar a Pelé no panteão dos imortais liderando o Brasil para uma Copa em solo estrangeiro. Se for preterido, ele desaparecerá em um papel de torcedor, um desfecho doloroso para um jogador que sempre ansiava pelos holofotes. O anúncio, esperado para o final da segunda-feira na França, trará clareza a uma situação que mesclou drama esportivo genuíno com o teatro da emoção pública, e suas repercussões ecoarão pela campanha da Seleção, independentemente do resultado.

Baseado em reportagens do L'Equipe.