O ritual familiar de colecionar e trocar figurinhas da Copa do Mundo está entrando em seu capítulo final com a Panini. A FIFA confirmou que a editora italiana encerrará sua lendária parceria com o órgão global do futebol após a Copa do Mundo de 2030, marcando o fim de uma colaboração de 60 anos que começou com o torneio de 1970 no México.
Essa parceria tem sido uma pedra angular da cultura da Copa do Mundo por gerações. Desde aquele primeiro álbum de figurinhas no México, os álbuns da Panini se tornaram um fenômeno global, uma forma tangível para fãs de todas as idades se conectarem com os jogadores e equipes do torneio. O ato de preencher um álbum tornou-se tão sinônimo da Copa quanto as próprias partidas, criando uma experiência compartilhada entre continentes e décadas.
A transição não será imediata. A Panini ainda produzirá as coleções oficiais de figurinhas para os próximos torneios importantes, incluindo a Copa do Mundo de 2026 na América do Norte, a Copa do Mundo Feminina de 2027 e a Copa do Mundo de 2030, que será sediada em Espanha, Portugal e Marrocos. Isso proporciona uma trilogia final de torneios para os colecionadores apreciarem o formato clássico.
A partir de 2031, uma nova era começará sob uma marca diferente. A FIFA assinou um acordo de longo prazo com a Fanatics, empresa que possui o gigante de colecionáveis Topps. Esta nova parceria fará com que a Topps assuma a produção de figurinhas e cards oficiais para todos os torneios e eventos da FIFA daqui para frente. Esta não é a primeira incursão da Topps na elite do futebol; a empresa já detém a licença para as competições da UEFA, tendo substituído a Panini nesse papel a partir de 2024.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, enquadrou a mudança como uma evolução estratégica para o engajamento dos fãs. Ele descreveu o novo acordo como "uma forma nova e significativa para os fãs se envolverem com suas equipes favoritas e com seus jogadores favoritos." Infantino também enfatizou o aspecto financeiro, afirmando: "Isso fornece outro importante fluxo de receita comercial que canalizamos de volta, como sempre, para o jogo, para o futebol." A medida sinaliza a intenção da FIFA de modernizar sua oferta de colecionáveis e se alinhar com um grande player no mercado global de artigos esportivos.
As implicações para os colecionadores são significativas. A Copa do Mundo de 2030 agora carregará um senso elevado de finalidade, potencialmente impulsionando a demanda pelo que será o último álbum da Panini da Copa do Mundo. A mudança também levanta questões sobre o formato futuro, preços e disponibilidade dos colecionáveis sob a nova gestão da Topps. O amado formato de álbum de figurinhas continuará, ou os cards e integrações digitais se tornarão mais proeminentes?
Para a Panini, isso marca o fim de uma era para seu produto mais prestigiado e reconhecido globalmente. Embora a empresa continue produzindo figurinhas para outras ligas e competições, perder a licença da Copa do Mundo da FIFA é uma mudança monumental no cenário dos colecionáveis esportivos. A identidade da marca esteve inextricavelmente ligada à Copa do Mundo por mais de meio século.
A transição reflete a comercialização e evolução mais ampla do fanatismo esportivo. O que começou como um simples hobby infantil cresceu para se tornar uma indústria global de bilhões de dólares envolvendo adultos, investidores e plataformas digitais. A decisão da FIFA de fazer parceria com um conglomerado como a Fanatics, que possui uma vasta rede de comércio eletrônico e varejo, sublinha o negócio moderno de memorabilia esportiva.
Enquanto o mundo do futebol olha para frente, os torneios de 2026, 2027 e 2030 servirão como uma turnê de despedida para o álbum de figurinhas da Panini como o conhecemos. Os fãs terão uma última chance de experimentar a emoção clássica de abrir um pacote novo, o cheiro das figurinhas e a satisfação de completar uma página, tudo enquanto sabem que um novo capítulo nos colecionáveis de futebol está prestes a começar.
Com base em reportagem da BBC Sport.