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O Supremo Tribunal do Brasil retoma caso emblemático sobre

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O STJ decidirá se os migrantes detidos no Aeroporto de Guarulhos podem solicitar asilo no Brasil, um caso com grandes implicações para a política de imigração

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) retorna às sessões nesta quarta-feira para enfrentar uma batalha legal de alto risco que pode remodelar a abordagem do Brasil à imigração. No centro do caso está uma questão fundamental: os migrantes e imigrantes indocumentados detidos no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, podem solicitar legalmente asilo dentro das fronteiras brasileiras? A decisão do tribunal terá consequências significativas para centenas de pessoas e estabelecerá um precedente para casos futuros.

O caso gira em torno de uma acalorada disputa entre promotores federais e defensores públicos de um lado, e o juiz presidente do tribunal, Ministro Herman Benjamin, do outro. Em dezembro de 2024, Benjamin tomou uma medida decisiva, autorizando a deportação de imigrantes detidos no aeroporto. Sua decisão efetivamente anulou uma liminar de um tribunal inferior que impedia a Polícia Federal de realizar deportações. Benjamin também deu o passo forte de proibir futuras liminares que permitissem indiscriminadamente a entrada de pessoas em busca de asilo no país.

A posição de Benjamin é apoiada por dados do Ministério da Justiça e da Polícia Federal. Os números pintam um quadro claro: os pedidos de asilo no Brasil dispararam de apenas 69 em 2013 para mais de 9.000 em 2024. No entanto, de mais de 8.300 pedidos feitos entre o início de 2023 e meados de 2024, apenas uma pequena fração—117—levou ao registro migratório oficial. Benjamin argumentou que esse padrão sugere que o Brasil está sendo usado como rota de trânsito para imigração ilegal para outros destinos, especialmente os Estados Unidos, com Guarulhos como uma parada importante.

O ministro também levantou preocupações sobre as condições no aeroporto, alertando que a detenção prolongada poderia causar desconforto desumano e representar riscos de segurança e saúde para os migrantes, funcionários do aeroporto e o próprio terminal. Ele observou o espaço confinado e os históricos de saúde e criminais desconhecidos dos indivíduos. Apesar disso, Benjamin deixou uma porta aberta, afirmando que os tribunais ainda poderiam examinar casos individuais se os requerentes pudessem provar vínculos com o Brasil, como reunificação familiar, e uma intenção genuína de permanecer.

Nem todos no tribunal concordam. O Ministro Og Fernandes proferiu um voto divergente apaixonado, argumentando que apenas dados estatísticos não podem justificar a suposição de que todos os migrantes agirão de forma fraudulenta. Ele advertiu que a abordagem de Benjamin equivale a um "cheque em branco" para deportações em massa sem uma revisão caso a caso adequada. Fernandes enfatizou as obrigações internacionais do Brasil, apontando acordos como a Declaração de Cartagena, que expandiu a definição de refugiados para incluir aqueles que fogem de violência generalizada e violações de direitos humanos. Ele estimou que a liminar original protegia cerca de 180 estrangeiros.

O cenário político adiciona outra camada de complexidade. Um especialista da universidade PUC-SP observa que as leis de imigração tradicionalmente abertas do Brasil agora estão colidindo com um clima político mais restritivo, influenciado por tendências globais. O governo, embora não se manifeste publicamente, parece estar adotando uma postura mais dura, possivelmente devido a críticas passadas sobre seu tratamento dos refugiados afegãos em 2024. Essa mudança se reflete nos números: os pedidos de asilo caíram 94% de 2024 a 2025.

O julgamento está longe de terminar. A sessão foi pausada depois que o Ministro Benedito Gonçalves solicitou mais tempo para revisar o caso. Vários outros ministros ainda aguardam para dar seus votos, o que significa que o resultado final permanece incerto. Todos os olhos estão no STJ enquanto ele pondera segurança nacional, princípios humanitários e o papel do Brasil no cenário global.

Com base em reportagens do g1.