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Pacientes com câncer enfrentam atrasos prolongados na

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Famílias no Piauí estão condenando atrasos críticos na transferência de pacientes com câncer de um hospital de urgência para centros especializados em

Em uma situação preocupante em Teresina, Piauí, famílias de pacientes com suspeita de câncer estão criticando fortemente os atrasos significativos na transferência de seus entes queridos do Hospital de Urgência de Teresina (HUT) para unidades de tratamento especializadas. O destino principal dessas transferências é o Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), um centro de referência chave para a oncologia no sistema público de saúde.

O cerne da questão está em uma fila crescente por leitos hospitalares. Segundo um advogado especializado em direito médico que auxilia as famílias, a fila de transferência, conhecida como "fila de regulação", aumentou para aproximadamente 40 pacientes. Esse acúmulo significa que os pacientes ficam retidos em uma unidade não equipada para suas necessidades oncológicas de longo prazo. Uma paciente, uma mulher de 58 anos, está esperando no HUT há mais de uma semana, um atraso que sua família teme que possa ter consequências graves devido à natureza agressiva do câncer.

As diretrizes legais estipulam um prazo crítico para ação. Especialistas apontam que a legislação determina um período de até 30 dias para diagnosticar e iniciar o tratamento oncológico. Exceder esse prazo pode comprometer seriamente as chances de reverter a doença, adicionando urgência aos apelos das famílias. A situação foi descrita por alguns parentes como "fila da morte", destacando sua percepção dos riscos de vida ou morte envolvidos nesses atrasos burocráticos.

Ambos os hospitais envolvidos emitiram comunicados explicando suas posições. O HU-UFPI confirmou que todos os 25 leitos oncológicos estavam ocupados no dia da reportagem. O hospital afirmou que, à medida que os leitos ficam disponíveis, são disponibilizados ao governo municipal de Teresina, responsável por regular e distribuir a carga de pacientes. O HU-UFPI enfatizou seus esforços para reduzir os tempos de espera, mas observou que a organização das transferências de pacientes é de competência do município.

O Hospital de Urgência de Teresina esclareceu seu papel, afirmando que não é um centro de referência para tratamento oncológico. O HUT explicou que os pacientes frequentemente chegam sem diagnóstico definitivo ou necessitam de estabilização imediata. Após avaliação médica e estabilização, os pacientes que necessitam de cuidados oncológicos especializados são cadastrados no sistema central de regulação para transferência. O hospital garantiu que os pacientes em questão estão recebendo atendimento multiprofissional adequado enquanto aguardam vaga no HU-UFPI.

Relatos pessoais das famílias pintam um quadro vívido do custo humano. Uma filha descreveu a rápida perda de peso da mãe e a luta para garantir uma vaga de transferência, afirmando: "Estou clamando por esse leito, minha mãe tem direito a essa vaga". Outra família relatou que o tumor de um paciente crescia rapidamente enquanto esperava, danificando órgãos vitais e exigindo diálise de emergência, evidenciando a deterioração do estado dos pacientes presos no acúmulo de transferências.

A crise também aponta para uma escassez mais ampla de médicos especialistas, como urologistas, no serviço de atendimento inicial para gerenciar adequadamente os casos suspeitos de câncer. Essa lacuna de especialização no primeiro ponto de contato complica ainda mais a jornada do paciente e provavelmente contribui para a pressão sobre o sistema de transferências. A situação no Piauí apresenta um desafio claro para a capacidade do sistema público de saúde de fornecer atendimento oportuno e que salve vidas para pacientes com câncer.

Com base em reportagem do g1.